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O perfil do mercado consumidor na cadeia produtiva da carne ovina e caprina

Por Nelson Vieira daSilva
postado em 20/06/2008

4 comentários
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Introdução

O mercado mundial de carnes passou a se destacar quando identificou o perfil de exigências de seus consumidores. Com a ovinocaprinocultura não poderia ser diferente, visto que a busca por alimentos com qualidade desafia os setores de produção, industrialização e comercialização, a uma profissionalização, de modo que esses segmentos procurem oferecer produtos diferenciados baseados em qualidade e com características orientadas segundo as preferências do mercado.

Atualmente, têm sido enfocadas diversas iniciativas que possam agregar valor a cadeia produtiva da ovinocaprinocultura, dentre as quais é possível citar a certificação de produtos com denominação de origem e indicação geográfica, já em ação na Europa e que se utiliza do nome de uma região ou meio geográfico especifico, baseados nos princípios de conservação de recursos genéticos animais e vegetais, valorização cultural e social. Esses programas são fundamentais, porém seus produtos podem não causar o efeito esperado caso não atendam aos anseios do mercado consumidor.

A padronização dos produtos varia muito entre os países e até entre áreas próximas dentro de um mesmo país ou região, o que torna essa prática muitas vezes confusa (Garcia et al., 2004). Assim, resultados de pesquisas de mercado devem fundamentar o direcionamento da produção e fornecer subsídios como: estimativa, época e periodicidade da demanda, onde e como oferecer o produto, qual a preferência dos consumidores com relação às formas de apresentação do produto, de modo a facilitar seu manuseio quando da chegada ao consumidor final. Dessa forma, torna-se claro a necessidade de pesquisas com relação à aceitação dos produtos, de modo que todas as dificuldades de incorporação e difusão dessas carnes possam ser superadas.

Autores como Calkins & Hodgen (2007) afirmam que condições como manejo pré e pós-abate, ambiente, dieta, e a preferência individual dos consumidores, dentre outros, não menos importantes, são fatores que tornam uma carne desejável ou rejeitada, por influenciar diretamente na expressão de parâmetros sensoriais inerentes a aceitação do produto. Portanto, os produtores de carne ovina necessitam conhecer as características do produto final e as relações dessas com as preferências dos compradores. Isso lhes fornecerá elementos de avaliação para determinar o sistema de produção mais adequado a ser utilizado em cada realidade (Osório et al., 1998), de modo que toda cadeia produtiva necessita continuamente de técnicas de modelagem e aperfeiçoamento, objetivando um trabalho corporativo e coerente com as preferências do mercado.

Inicialmente, é importante a definição do que o mercado consumidor preconiza. Entretanto, não é possível esquecer que a preferência por um produto depende muito do hábito alimentar da população, e isto é muito regionalizado.

Perfil do consumidor

A competitividade dos mercados exige o conhecimento de hábitos e preferências de consumidores. Segundo Osório & Osório (2003), os fatores considerados pelo consumidor na aceitação de cortes são: aptidão para preparação culinária, rendimento na preparação da carne, valor nutritivo do alimento e a forma de apresentação do produto. Além desses, a cor, sabor, odor e suculência, são preponderantes na escolha dos produtos.

A seguir serão mostrados os principais fatores de aceitação e rejeição da carne ovina e caprina pelo mercado consumidor descritos por Martins (2008).

Os resultados mostrados na Figura 1 são referentes aos motivos que levam os consumidores a comprar as carnes caprina e ovina. Foi verificado que a grande maioria dos entrevistados (84%) respondeu que as consome por gostarem de seu sabor, o que expressa a grande potencialidade destas carnes.

Figura 1. Motivos porque os consumidores consomem a carnes ovina e caprina.


Os resultados apresentados na Figura 2, afirmam o potencial de crescimento e aceitação das carnes ovina e caprina, de modo que pouco mais de 30% dos entrevistados responderam que não consomem essas carnes porque não gostam. Em contrapartida, 23% dos entrevistados responderam que não consomem estas carnes por conta da indisponibilidade das mesmas, o que mostra que não existe a oferta destas de forma amplamente difundidas, caracterizando a ociosidade do mercado e a grande possibilidade de exploração. Ainda, 16% afirmaram que não consomem por não terem o hábito revelando-se como potenciais consumidores através de estratégias de marketing para o mercado. O autor observou também que o preço da carne caprina e ovina é um empecilho para o aumento do consumo das mesmas, de modo que 12,3% dos consumidores afirmaram que não as consomem devido ao seu preço elevado.

Figura 2. Motivos porque os consumidores não consomem as carnes caprina e ovina.


Outro aspecto importante relatado foi que 9,2% afirmaram que não têm interesse em consumir estas carnes e 3,5 % não as consomem porque não sabem prepará-las. Portanto, a boa apresentação dos produtos e as opções gastronômicas surgem como estratégias mercadológicas para aumentar os negócios.

A Tabela 1 mostra a avaliação dos consumidores sobre a carne caprina e ovina com relação aos cortes, embalagens, disponibilidade e preço. O autor observou que a maioria dos consumidores avalia as condições dos cortes, das embalagens e da disponibilidade das carnes caprina e ovina como "boas". Quanto ao preço, a maioria dos consumidores considera este fator como "regular".

Tabela 1. Avaliação dos consumidores em relação as carnes caprina e ovina quanto aos cortes, embalagens, disponibilidade e preços.


Com relação ao interesse de consumo das carnes caprina e ovina, 55,2% dos entrevistados responderam que "sim". Entre esses 49% responderam que aumentariam seu consumo caso houvesse uma diminuição de preço, 31% se houvesse um aumento na oferta do produto, 15% se a família aceitasse e, 5% esboçaram motivos diversos. Caracterizando assim que o preço é um dos grandes entraves para o aumento do consumo de carne ovina e caprina. Entretanto, a difusão de tecnologias e crescimento na oferta destas carnes, pode causar redução no preço dos produtos tornando assim o consumo mais expressivo.

Considerações finais

O mercado consumidor ainda não tem uma opinião formada em relação a preferência da carne, impondo aos técnicos a elaboração de estudos sobre aceitabilidade dos produtos para que seja possível chegar a um nível estável de aceitação. Por outro lado, a produção de carne ovina e caprina é uma atividade com grandes perspectivas para o Brasil, considerando o potencial do mercado consumidor e a possibilidade de produção dessa carne com qualidade, todavia existe uma grande necessidade de organização dos setores produtivos, além da implantação de programas de qualidade tecnológica, objetivando o fornecimento ao consumidor final de carnes em quantidade e, sobretudo, com qualidade superior, a preços competitivos de mercado.

Referências bibliográficas

CALKINS, C.R.; HODGEN, J.M. A fresh look at meat flavor. Meat Science, v.77, p.63-80, 2007.

GARCIA, I. F. F. et al. Estudo dos cortes da carcaça de cordeiros Santa Inês puros e cruza Santa Inês com Texel, Ile de France e Bergamácia. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 33, n. 2, p. 453-462, 2004.

MARTINS, E. C. A dinâmica das cadeias produtivas de caprinos e ovinos. In: Zootec, 2008, João Pessoa. Anais... João Pessoa: Zootec, 2008, CD-ROM.

OSÓRIO, J.C.S. & OSÓRIO; M.T.M. Cadeia Produtiva e Comercial da Carne de Ovinos e Caprinos - Qualidade e Importância dos Cortes. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE CAPRINOS E OVINOS DE CORTE, 2, 2003, João Pessoa. Anais... João Pessoa: SINCORTE, 2003, CD-ROM.

OSÓRIO, J.C.S., ASTIZ, C.S., OSÓRIO, M.T.M. et al. 1998. Produção de carne ovina: Alternativa para o Rio Grande do Sul. Pelotas: Editora Universitária/UFPEL. 166p.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Nelson Vieira daSilva    Maceio - Alagoas

Pesquisa/ensino

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Comentários

Marcos José Farias

Campo Alegre - Santa Catarina - Médico Veterinário
postado em 25/06/2008

Acho interesante este tipo de trabalho sobre o mercado de carne, mas ainda falta muito mais informação sobre tal.

E a questao preço é uma questão a ser analizada, pois como o Uruguai consegue mandar carne para o nosso pais com um preço baixo?
Será a qualidade da carne deles inferior ou superior a nossa?

Nelson Vieira daSilva

Maceio - Alagoas - Pesquisa/ensino
postado em 26/06/2008

Prezado Marcos José Farias,

A ovinocultura praticada no Uruguai é tradicionalmente voltada para a produção de lã e em decorrência da desvalorização de tal produto durante a década de 90, o setor produtivo redirecionou seu foco para a produção de carne. Por outro lado, nos dias atuais tem havido especialização nos sistemas de produção de carne neste país, coincidindo com os elevados preços do cordeiro no mercado externo associado a alta demanda por produtos cárneos ovinos, inclusive no Brasil.

O tipo de cordeiro abatido no Uruguai possui um perfil bastante diferente daquele exigido pela indústria frigorífica Brasileira, de modo que o cordeiro exportado para o mercado brasileiro, provém de animais adultos com peso vivo em torno de 41 kg e idade entre 12 e 13 meses. No Brasil, a demanda é por animais cruzados entre 30 e 35 kg de peso vivo com até 6 meses de idade, o que caracteriza um contraste do ponto de vista de qualidade do produto. Porém, as cotações atuais contribue para o escoamento da produção da carne ovina do Uruguai, que associado a taxa de câmbio vigente no mercado brasileiro favoreçe a importação. Portanto, com relação aos aspectos qualitativos, a carne ovina uruguaiana ainda não está totalmente padronizada.

Muito obrigado por sua manifestação ao artigo e participação no FarmPoint. Assim, coloco-me e me coloco a disposição para possíveis indagações.

Mito

Juazeiro - Bahia - Produção de caprinos de corte
postado em 01/07/2008

Caro Nelson,

Tenho um frigorífico em Juazeiro-BA(SIF) e irei comerçar a abate animais nesses 60 dias com intenção de mandar essa carne para DF,SP e RJ, na sua opinião que animais eu focaria o abate? Caprinos ou ovinos?

Nelson Vieira daSilva

Maceio - Alagoas - Pesquisa/ensino
postado em 03/07/2008

Prezado Hermes,
Como foi relatado no artigo, a competitividade dos mercados exige o conhecimento de hábitos e preferências de consumidores. Portanto, é necessário saber o perfil do mercado a qual essas carnes serão direcionadas. Atualmente, os bares e restaurantes estão dando preferência a carne de ovinos, especialmente animais jovens com até seis meses de idade, bem acabados e cortes padronizados, de modo a oferecer opções gastronômicas ao consumidor.

Aconselho redobrar os esforços no que diz respeito à padronização da qualidade e da constância da oferta de animais para o mercado. Com relação a escolha da espécie, isso é muito variável, de modo que tendo animais disponiveis para abate e mercado para direcionar a produção de carne, o abate de ovinos ou caprinos, poderá gerar grandes negócios.

Parabéns pelo empreendimento, e me coloco a disposição para maiores esclarecimentos.

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