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Ovinocultura e abate clandestino: um problema fiscal ou uma solução de mercado?

Por Nei Antonio Kukla
postado em 06/08/2010

6 comentários
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Para este mês iria um escrever sobre um tema que considero fundamental para qualquer atividade econômica, principalmente para agropecuária: informação, este seria o âmbito que nortearia nossa prosa deste mês. Mas ao ler uma excelente reportagem da revista de Política Agrícola do Ministério da Agricultura mudei o rumo da conversa, deixando o primeiro assunto para uma próxima oportunidade, não que não seja de extrema importância.

Pois bem, o título deste texto é o mesmo da revista onde na minha interpretação se procurou estudar um pouco mais sobre os motivos da grande informalidade existente na ovinocultura. Também ressalto que este tema já teve grandes e proveitosos debates aqui no site, porém acredito que não seja assunto esgotado.

A cadeia produtiva ovina vem ganhando destaque no cenário do agronegócio nacional, sendo estimulada pela necessidade de diversificação das atividades econômicas nas propriedades rurais. Segundo dados do IBGE (2009) no período correspondente a 1990-2007 a produção de carne ovina brasileira oscilou em torno de 78 mil toneladas, apesar de o nosso rebanho ter diminuído em torno de 40%, sendo que está diminuição se deu principalmente no estado do Rio Grande do Sul.

Sabemos que no sistema produtivo ovino o abate informal (clandestinidade) supera e muito o abate oficializado, com inspeção, estimulado por uma fiscalização insuficiente e por outros aspectos do ambiente institucional que daremos destaque no decorrer.

Segundo dados do Sebrae (2005) o baixo consumo da carne ovina no Brasil se deve aos seguintes fatores:

- a falta de hábito do consumidor de acrescentar ao seu cardápio o produto (hoje só se consome carne ovina em dias festivos como Páscoa, Natal);

- a má qualidade do produto colocado a disposição dos consumidores, aliado a sua má apresentação (embalagem e cortes);

A precária qualidade do produto encontrado muitas vezes se deve ao abate de animais com idade avançada e mal terminados e também pela insuficiência de processo correto de abate. Ainda, a precariedade da fiscalização sanitária contribui para a pouca procura pela carne, pois a vigilância sanitária geralmente fiscaliza a apresentação do produto e não a sua origem.

O setor industrial apresenta ainda poucas plantas frigoríficas para abate de ovinos e com Serviço de Inspeção Federal (SIF). Esse desinteresse por parte da iniciativa privada em construir frigoríficos para ovinos talvez possa ser resolvido a médio e longo prazo através da integração dos criadores, criando maior volume, uma vez que em várias regiões, a produção é oriunda de pequenos rebanhos, inviabilizando o transporte dos animais até os frigoríficos (onde existem).

Como resolver isso?

Iniciativas de formação de núcleos e associações de criadores, alguns órgãos de pesquisa para a ovinocultura e alguns poucos extensionistas apaixonados pela atividade (pois tem que haver paixão pelo que se faz) estão dando os primeiros passos para a profissionalização.

Há iniciativas de trabalhar no sistema de integração, onde geralmente um criatório maior faz parcerias com pequenos criadores, lhes oferecendo assistência técnica e posteriormente absorvendo a produção, formando volume pela agregação dos pequenos criadores e completando o ciclo de entrega desses animais a um frigorífico. Muitos ainda pagam uma bonificação pelo produto bem acabado, seguido de todas as recomendações técnicas, aliás, procedimento este que deveria ser adotado por qualquer frigorífico inserido na cadeia produtiva, pois esta é a melhor forma de profissionalizar a atividade, com o produtor estimulado a fazer tal profissionalização.

Enfim, é preciso fazer da ovinocultura uma atividade de grande escala e competitiva, dando retorno financeiro a todos os elos da cadeia produtiva.

O governo pouco tem feito por esta cadeia, embora já existam alguns avanços, mas longe do ideal e esta "despreocupação" governamental talvez se deva ao fato da ovinocultura ser pouco geradora de impostos, já que a maioria dos abates não é oficial. Mas é preciso que o ente público olhe com mais carinho para a atividade para que haja estímulos e investimentos. Sendo assim, haverá geração de divisas em forma de receita para o criador, para o frigorífico, para o fisco e, como deixar de citar, a geração de um alimento nobre e de qualidade para o consumidor.

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Comentários

helio

Anápolis - Goiás - OUTRA
postado em 06/08/2010

Excelente a colocação.
Gostaria muito de abrir um frigorífico, mas não tenho recursos, e a burocracia é enorme. Caso saiba de algum apoio por parte do governo, favor avisar-me, pois tenho um plano ótimo para a situação da ovinocultura no Brasil. Todavia, é preciso que todos se unam em prol de uma única causa:
-Tornar o País um GRANDE produtor de carne de ovinos

Estou na escuta
abraços

Jaime Jose Grisotto

São Pedro - São Paulo - Produção de gado de corte
postado em 07/08/2010

Se tem essa caracteristica, porque os frigorificos e os confinamentos pagam um valor ridiculo pelo cordeiro acabado ou não? O criador tem que agregar valor ao seu produto e não fazer o mais dificil e dar de bandeja para o atravessador, como acontece na cadeia bovina.

roger pagel soares

Tupanciretã - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão rural
postado em 08/08/2010

Acredito que uma das soluções para a ovinocultura certamente é o associativismo, seja através de Associações de Produtores, integrações com Indústrias e Cooperativas, que se conduzidas com profissionalismo são a grande solução. Como exemplo, gostaria de relembrar que no Rio Grande do Sul existiam inumeras Cooperativas que comercializavam lã, mais de 80, hoje existem apenas duas e a atividade de lã esta em permanente crise. Não se pode fazer qualquer planejamento paras a atividade pois os preços de comercialização tem variações de 100 % de um ano para outro. Dentro deste enfoque gostaria apenas de resaltar que a produção de ovinos para ser sustentavél, precisa de uma organização forte comandada pelos produtores e não por outros setores.

Nei Antonio Kukla

União da Vitória - Paraná - Consultoria/extensão rural
postado em 09/08/2010

Prezado Roger:

Por quê o RS não utiliza as mesmas organizções (cooperativas) para a produção de carne? A forma organizacioal já existe e este é um dos principais fatores para o sucesso da atividade, além do que, seu Estado possui um centro de pesquisa para ovinocultura, inaugurado recentemente e que pode alavancar ainda mais o setor.

Quanto ao gerenciamento da atividade, também acredito que deva vir de baixo, ou seja, ninguém melhor que os próprios criadores para tomar frente de entidades que visam melhorar a sua atividade. Ora, como que pode um atravessador por exemplo, estar na linha de fente de uma entidade que representa os criadores? Nunca que ele vai sair perdendo. Então, criadores, vamos tomar frente das "batalhas."

Nei Antonio Kukla

União da Vitória - Paraná - Consultoria/extensão rural
postado em 09/08/2010

Caro Jaime: também sou criador e se somos explorados é justamente porque ainda não temos a maturidade necessária para estar organizados. Acredito que você como criador conduz sua atividade de modo a produzir um produto de qualidade ao menor preço, e ainda, é uma das pessoas que labuta pela organização da atividade. Ocorre que se pegarmos a média de criadores, não encontramos a atividade organizada, estando portanto, todos a mercê de sermos explorados no preço. Por isso, muitos optam pelo abate clandestino e a venda direta ao consumidor por um preço razoável. Por outro lado, as empresas frigoríficas irão praticar o preço do mercado, todavia o que percebemos é que isto não está ocorrendo, como também acontece no leite, por exemplo.

Podemos arriscar até um recado para aqueles frigoríficos que pensam que somente eles tem que ganhar: se o criador é explorado, parte para outra atividade e as plantas frigoríficas não terão carne de cordeiro para atender sua clientela. Vejam, temos uma situação onde todos pordem ganhar, criador, frigorífico, clientes e por consequência a atividade toda em si.

Mauricio Brazileiro

Salvador - Bahia - Gerência/Consultoria/extensão
postado em 09/08/2010

Prezados leitores,

Segundo noticiam aqui no Estado da Bahia, porém muito incipiente, em si tratando deste governo que gere o nosso Estado, contudo de grande valia, se assim for executada. Estou falando do projeto de governo que irá implantar 15 frigoríficos padrões para abate de bovinos, suinos, ovinos e caprinos (30 a 100 UA/dia). Esse projeto tem o objetivo de combater o abate clandestino. Com isso os criadores de ovinos e caprinos terão maiores possibilidades de negociação.

Saudações a todos.

Notícia sobre a abertura de frigoríficos na Bahia
http://www.farmpoint.com.br/bahia-ganha-15-novos-frigorificos_noticia_64587_1_10_.aspx

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