Fechar
Receba nossa newsletter

É só se cadastrar! Você recebe em primeira mão os links para todo o conteúdo publicado, além de outras novidades, diretamente em seu e-mail. E é de graça.

Você está em: Cadeia Produtiva > Espaço Aberto

"Se um produtor sozinho não puder custear um zootecnista, talvez 10 produtores possam"

postado em 10/01/2014

5 comentários
Aumentar tamanho do texto Diminuir tamanho do texto Imprimir conteúdo da página

 

O pesquisador científico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Geraldo Balieiro Neto, de Ribeirão Preto/SP, enviou um comentário para a notícia publicada no FarmPoint no dia 20/12/13 sobre a produção de blocos nutricionais para a alimentação ovinos e caprinos na época da seca no Estado da Paraíba. Geraldo dá dicas sobre nutrição dos animais e cita a importância do planejamento na atividade. Abaixo leia a carta na íntegra e participe deixando o seu comentário!

“Prezados colegas,

Os subprodutos da extração de óleo, tais como farelos de soja e algodão, ou ainda ureia, melaço e milho, não degradam de um mês para outro, tem longo prazo de duração e podem ser adquiridos nas safras com melhores preços e armazenados sobre estrados para utilização na seca, sem maiores problemas. Sendo assim, não percebi qual a vantagem dos blocos anunciados na matéria. A peletização e extrusão são caros e aumentam a digestibilidade por gelatinizar o amido e romper a cadeia primária da proteína. Qual a vantagem nutricional da prensa?

Além disso, não existe uma receita que atenda a todos os produtores. As necessidades dos animais variam de acordo com peso, raça, produção, fase fisiológica, ambiente etc. e a composição e quantidade dos alimentos volumosos variam entre as propriedades.

A ração concentrada (farelos e milho) deverá suplementar o volumoso, portanto, aqueles produtores que investirem no volumoso (quantidade e qualidade) poderão economizar com o fornecimento de concentrado, que é mais caro.

Por outro lado, se utilizarem uma fórmula de ração concentrada padronizada, podem desperdiçar o investimento no volumoso. Assim sendo, no que diz respeito ao custo com a alimentação dos animais na seca, podemos recomendar e investir na produção de volumoso e formular uma dieta especificamente para cada categoria utilizando programas que minimizem o custo.

As propriedades rurais apresentam diferentes possibilidades. Algumas técnicas tais como sal proteinado (aumenta o consumo e digestão de alimentos fibrosos), aplicação de amônia em palhas (melhora a conservação e valor nutritivo), cultivo racional da palma, etc, podem ser indicadas de acordo com a situação, mas jamais conseguiremos corrigir por completo a estacionalidade da produção das forrageiras. Contudo, dentre as técnicas validadas e recomendadas para manter os animais na seca, a principal ferramenta chama-se "planejamento".

O planejamento deverá incluir desde o armazenamento de volumosos produzidos durante as águas para utilização na seca, até a compra, venda e monta dos animais, manejos que podem ser planejados para que os animais tenham maiores necessidades nutricionais em épocas mais favoráveis à produção de alimentos.

Reconhecemos que o desafio é enorme e nossa contribuição muito pouca, mas o desejo por informações que possam trazer soluções não deve prevalecer ao embasamento técnico, pois há risco de direcionarmos os recursos de forma errada.

A primeira providência seria utilizar técnicas validadas e recomendadas, com reais possibilidades de adoção e que realmente tragam benefícios aos sistemas de produção. O recurso gasto com assistência técnica é um bom investimento e talvez seja o melhor conselho para que cada um seja atendido da melhor forma. Se um produtor sozinho não puder custear um zootecnista, talvez 10 produtores possam!

Abraços e Feliz Ano Novo a todos”


*créditos da foto de capa: Instituto Federal Norte de Minas Gerais (IFNMG). 

Equipe FarmPoint

Avalie esse conteúdo: (5 estrelas)

Comentários

Simon Galileu Ramos

São Joaquim São José - Santa Catarina - Produção de ovinos de corte
postado em 10/01/2014

Boa tarde sr. Geraldo.
Gostei muito de seu comentário(muito produtivo).
Aproveito para lhe fazer um questionamento.
Estou planejando implantar um pequeno plantio de alfafa(para prensar e enfardar) para suplementar os animais e aumentar a lotação por hectare. O sr. acredita que é mais vantajoso a compra de farelo?
Obrigado.

ROMÃO MIRANDA VIDAL

Palmas - Tocantins - MÉDICO VETERINÁRIO
postado em 13/01/2014

Assim como pode "custear" um Médico Veterinário.

Carlos Francisco Geesdorf

Campina Grande do Sul - Paraná - Produção de caprinos de corte
postado em 13/01/2014

Concordo com praticamernte todas as colocações do Sr. Geraldo Balieiro Neto, porem não devemos esquecer que o sertanejo não tem dois recursos basicos para alimentar seu plantel nestas situações, quais sejam: Agua e dinheiro, sem agua não planta e portanto não alimenta e não tem alimento nativo tambem, sem dinheiro não compra e portanto seus animais morrem de fome. O que é necessário é viabilizar projetos de aporte de recursos, tanto financeiros como de disponibilidade de alimentos para auxiliar e resolver de vez por todas com este problema, não adiantam projetos megalomanos e sim coisas simples, factiveis e que deem sustentabilidade ao produtor. Assistencia técnica eles tem, pode até ser que não esteja sendo repassados os conhecimentos ou então não sendo aplicados. O bloco sai caro, concordo, mas é uma das soluções quando não há outro horizonte. Valeu pela participação, contribuição e alertas. Obrigado.
  

josé Carlos Rodrigues da Luz

Serra Talhada - Pernambuco - Consultoria/extensão rural
postado em 19/01/2014

Boa tarde senhores! Agradeço especialmente ao Dr.Geraldo Balieiro Neto a quem dirijo-me neste diálogo pela quarta vez . Vou contar aqui um GRNDE SEGREDO à todos os leitores do FarmPoint  para que divulguem à todos quanto quiserem:  " Tanto nós (homens e mulheres) quanto os animais no geral fomos criados por DEUS . E como  um PAI cuidadoso e amoroso que é com suas criaturas  ELE , antes de nos criar, preparou o nosso alimento (ver  Bíblia Sagrada no livro de : Gênesis capítulos 1, versículos do 24 ao 31 e no livro de Provérbios  onde o Rei Salomão (homem mais sábio e mais rico que Deus permitiu existir na terra) reafirma tal preocupação   e nos ensina como cuidar e alimentar os nosso animais -cabras e ovelhas- bem como define a finalidade dos tais para nós humanos (ver o livro de provérbios capítulo 27, versículos 23 ao 27 e também o cap. 2, versículos 1,2 e 3. " E houve tarde e manhã do sexto dia e, no sétimo dia ELE descansou  ao terminar tão grande obra, que somos nós  os homens e animais".  Como podemos ver, a solução para o nosso semiárido encontra-se no bom e fiel manejo  do Bioma Caatinga e, complementando-se com a produção de pastagens irrigadas, se possível, nas áreas baixas e próximas aos rios ou com o auxilio de armazenamentos de águas de chuva e poços profundos de uso comunitário (mais baratos que as construções de cisternas calçadão de 25mil litros  ao custo unitário de aproximadamente R$ 8.000,00 e serve apenas uma família , isto, se não rachar por falta d'àgua tornando-se inútil o seu propósito)  Para isto, requer muito trabalho dos homens de boa fé, mediante a aplicação de técnicas em recursos de armazenamento de águas de chuva  mediante a recomposição das matas nativas (desmatadas) e utilizando-se do sistema AGROSSILVOPASTORIL ou AGROPASTORIL com o rebaixamento e ou raleamento da caatinga e inserção de capins, leguminosas e árvores frutíferas. Ao prezado  Carlos Francisco -produtor de caprinos de corte no Paraná- digo :  Nós , os sertanejos do  Semiárido Brasileiro, temos sim , todos os recursos necessários para criar pequenos ruminantes. Temos água de chuvas, em quantidade menor que as demais regiões do País é claro, o dinheiro os bancos do Brasil e do Nordeste também  nos emprestam, liberados pelo Governo Federal, para projetos produtivos  . O que  realmente acontece é que alguns projetos são mau direcionados por falta de acompanhamento técnico de: agrônomos,  veterinários e zootecnistas e o que é pior, pela falta de vontade de alguns dos  gestores Estaduais e Municipais, de cuja a vontade é de  gerar esta imagem, que o senhor assimilou,pela calamidade de perdas de produção de alimentos e animais, para receberem grandes verbas de aplicações invisíveis e ou duvidosas impossibilitando-nos a auto-sustentabilidade econômica e social . Isto ocorre apenas em áreas isoladas. O SEMIÁRIDO  É RICO E VIÁVEL SIM !  Alguns homens é que são pobres de honestidade  e boa vontade de prosperar pelo trabalho. Abraço à todos.

agilson santos de oliveira

Capim Grosso - Bahia - Produção de ovinos
postado em 24/01/2014

Otimos comentários gostei gostaria de parabénisar a todos do AgriPoint

Quer receber os próximos comentários desse artigo em seu e-mail?

Receber os próximos comentários em meu e-mail

Envie seu comentário:

3000 caracteres restantes


Enviar comentário
Todos os comentários são moderados pela equipe FarmPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

Copyright © 2000 - 2019 AgriPoint - Serviços de Informação para o Agronegócio. - Todos os direitos reservados

O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido ou transmitido sem o consentimento expresso da AgriPoint.

Consulte nossa Política de privacidade