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Idade de desmame. Confira a opinião dos produtores

postado em 01/10/2010

11 comentários
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O desmame é uma prática de manejo importante que está relacionada com a eficiência de produção do rebanho, com o desempenho dos cordeiros/cabritos pós desmame e com o aparecimento do estro das fêmeas após o parto. O desmame deve ser feito sem que a separação prejudique o desempenho posterior das crias.

Quando os cordeiros nascem, são lactentes e se alimentam exclusivamente de leite. Entretanto, após em média 8 dias, já iniciam o consumo de alimentos sólidos, em pequenas quantidades. O pico de produção de leite da ovelha varia de 30 a 40 dias, dependendo da raça. Devido a essa situação fisiológica, a partir desse momento, o cordeiro aumenta o consumo de alimentos sólidos, pois o leite já não é mais suficiente para atender sua exigência nutricional. (Artigo "Sistemas de desmame dos cordeiros", publicado no FarmPoint em 2008).

O fornecimento de alimentos direcionado para os cordeiros/cabritos em espaços privativos (creep feeding), inacessíveis às matrizes, pode resultar em ganhos econômicos por direcionar determinados alimentos para os animais mais exigentes. O desmame de cordeiros pesados e adaptados à alimentação sólida é uma estratégia para promover abates precoces. Melhores desempenhos também são alcançados quando os animais já consomem alimento sólido ao desmame.

Na semana passada o FarmPoint realizou uma nova enquete com o intuito de conhecer a idade que cordeiros/cabritos são desmamados pelos produtores. A enquete teve a participação de 9 estados brasileiros (BA, MG, MS, PA, PE, PR, RJ, RS, SP).

A maioria dos produtores (44,4%) de ovinos e/ou caprinos que participaram da enquete desmamam os seus animais entre 60 e 70 dias. Em seguida, a idade de desmame mais citada foi entre 80-91 dias (22,2%). Na sequência, 16,7% dos produtores desmamam entre 71-80 dias, 5,6% desmamam entre 91-110 dias, 5,6% desmamam entre 45-59 dias e 5,6% desmamam entre 111-120 dias.

Gráfico 1 - Idade de desmame - resultado da enquete. Fonte: FarmPoint.



Destaques e comentários dos leitores

Silvio Iran da Costa Melo, produtor de ovinos de Nova Alvorada do Sul/MS, comentou que os cordeiros têm acesso a uma alimentação diferenciada desde os primeiros dias para aguçar sua curiosidade, objetivando o desenvolvimento do trato digestivo. "O desmame tem ocorrido até 45 dias de idade".

Ivan Saul, produtor de ovinos de São José dos Pinhas, citou que começa a desmamar os cordeiros em torno de 60 dias. "Excetuam-se os temporões e os fracos que são liberados após a alimentação para mamar durante a noite e vão sendo separados gradativamente. Dificilmente as ovelhas continuam amamentando depois dos 120 dias (outubro e novembro no nosso calendário), assim, o desmame definitivo se dá naturalmente até meados de dezembro, no máximo. Já tive oportunidade de afirmar anteriormente e reafirmo, como tudo na criação de ovinos, a desmama é mais uma questão de sensibilidade do que de técnica (pesos e idades)". Edgenalvo Azevedo Feitosa, produtor de ovinos e técnico agropecuário de Garanhus/PE, também desmama os seus animais com 60 dias. "De noite, os cordeiros ficam confinados e separados das mães e recebem uma ração balanceada".

De acordo com Wallace Newton Scott Junior, produtor de caprinos de corte de Piedade/SP, a lactação da raça Boer é em média de 2500 g/leite/dia, porém, a duração da lactação é curta, algo em torno de 60-90 dias. "Fazemos desmame natural, mas usamos creep feeding desde a primeira semana de vida".

Maurício Prestes Bragagnollo, produtor de ovinos de André da Rocha/RS, comentou que desmama os cordeiros com uma média de 80 dias de lactação. "Todos os cordeiros são suplementados com o auxílio do creep feeding, pastagens cultivadas e naturais tendo como exemplo cordeiros geração 2009 desmamados com uma média de 27kg de peso vivo".

Thiago Pinto, produtor de ovinos de Esmeraldas/MG, mostrou qual o esquema que utiliza para o desmame dos animais.

Creep: 21 dias (3 semanas) - contato direto com a mãe, recebendo ração e feno no creep;
Fase I: 28 dias (4 semanas) - os cordeiros são colocados em baias coletivas separados das mães - duas mamadas por dia. Ração balanceada e feno a vontade;
Fase II: 28 dias (4 semanas) - os cordeiros são mantidos em baias maiores - sistema de uma mamada por dia. Ração e feno a vontade + silagem de capim.

"A média de peso ao desmame é de 27 kg e no pós desmame, as fêmeas são retidas na fazenda e os machos vão para o abate quando completam 35 kg, ao em torno de 110 dias".

Marcelo Spinola Viana, produtor de ovinos de Araruama/RJ e diretor de operações da Green Lamb do Brasil, destacou que está desmamando os cordeiros com 90 dias. "Aos 20 dias liberamos as mães para o pasto na parte da manhã e na parte da tarde. Depois dos 50 dias, liberamos as mães durante todo o dia, retornando no final da tarde para o aprisco dos cordeiros. O resultado com este manejo está bem mais produtivo do que na época que desmamávamos aos 60 dias". Na mesma linha, de acordo com Carlos Vargas, produtor de ovinos de Santana do Livramento/RS, a desmama é feita com 90 dias aproximadamente. "Antes do desmame os cordeiros aprendem a comer uma ração balanceada própria para cordeiros num local onde só eles têm acesso. Assim fica mais fácil no dia de fazer o desmame, pois ele ficam encerrados no galpão com bastante água e alimento, ração nas horas certas e muito verde".

Cláudio Fontoura, produtor de ovinos de Dom Pedrito/RS, comentou que se os animais forem para o abate, a apartação ocorre no caminhão do frigoríficos. "A idade vai depender da terminação mas, geralmente ocorre entre 100 e 120 dias. Os outros animais são apartados após atingirem 25 kg, independente do tempo de vida".

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Equipe FarmPoint

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Comentários

Carlito Nóbrega

Presidente Prudente - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 02/10/2010

Parabéns pela enquete. Resultados mostram que 60 dias ainda é muito usado, apesar de novas teorias e experiencias. Abs

Marco Antonio Athayde de Britto Cunha

Salvador - Bahia - Ovinos/Caprinos
postado em 05/10/2010

Não vi comentário/depoimento algum de criadores de caprinos e muito menos alguém do nordeste desconsiderando o caso do nobre criador Edgenalvo Azevedo Feitosa por este está numa região atípica ao resto da região.

Ivan Saul

São José dos Pinhais - Paraná - Produção de ovinos
postado em 05/10/2010

Caros colegas.

Faltamos ao citar idades e pesos e não caracterizar nossos rebanhos e o tipo de manejo a que estarão submetidos os cordeiros no pós-desmama.

Afinal desmamar aos 27Kg para as raças leves, mistas ou cruzas é bem diferente de desmamar as raças pesadas de carne (que neste peso são imaturos - quando bem alimentados). Além disso, devemos considerar os objetivos da criação, em ano de repor matrizes, por exemplo, é melhor desmamar pelo peso médio das borreguinhas.

Por mais que as alternativas de manejo possam parecer de difícil implantação aos que fazem criação extensiva, acredito que devemos aqui nos dirigir aos novos e/ou pequenos produtores, que eventualmente careçam de experiência, para os quais as "receitas técnicas" de pesos e idades possam resultar em perdas.

Como citou o Fontoura de D. Pedrito (não é uma crítica), desmamar no caminhão é prático e os cordeiros vão berrar nos ouvidos de outro. Porém aqueles que possuem ovelhas muito leiteiras (às vezes por conta da sobrealimentação da criação intensiva) podem ter perdas de tetos por mastite que só vão aparecer claramente na próxima parição - quando as ovelhas com mastite subclínica vão refugar os cordeiros e a mortalidade perinatal será elevada.

Outro motivo para este comentário é para refletir: nós pecuaristas temos uma grande tendência a subestimar nossas matrizes. Ao mesmo tempo que lhes exigimos alta eficiência reprodutiva às relegamos as piores condições de manejo na propriedade. Nos preocupamos com os carneiros, que devem estar bem alimentados e com o exame andrológico em dia; com os cordeiros, afinal são nossa moeda; e não damos atenção às borregas que serão as nossas máquinas de fazer dinheiro.

Bueno, isso é assunto para uma outra conversa...

Saudações ovelheiras.
Ivan Saul D.V.M., M.Sc.Vet, - Granja Po´A Porã, 05/out/2010.

Glenda Lima de Barros

São Luís - Maranhão - Pesquisa/ensino
postado em 12/10/2010

Concordo com o colega acima, acho que seria bem interessante fazer um artigo abordando a mesma questão, porém no nordeste, onde como já sabemos, é uma região com grande efetivo de ovinos e caprinos e com condições de criação bem diferentes do restante do país. Então fica a dica. Mas quero parabenizar a iniciativa da enquete, e que outras tão importantes sejam realizadas!

eldar rodrigues alves

Curitiba - Paraná - governo
postado em 19/10/2010

Sr. Ivan Saul, não te conheço porém ja te adimiro, pela sensatez de tuas colocações, parabéns! As questões não devem serem tratadas genericamente e sim caso a caso, raça, manejo, etc.

Ivan Saul

São José dos Pinhais - Paraná - Produção de ovinos
postado em 21/10/2010

Caros colegas.

Tenho a convicção de que nossas postagens sobre os temas que o FarmPoint, afortunadamente, nos propõe abordar têm o dever de elucidar as dúvidas dos iniciantes na ovinocultura. Aqueles que são o alvo predileto das "receitas mágicas" para a solução dos problemas cotidianos e peculiares à atividade.

Quando nos animamos a expressar nossas opiniões é porque temos, ou pensamos ter, alguma experiência ou conhecimento sobre o assunto em pauta. Resta lembrarmos que a internet, por alcançar todos os públicos, é uma ferramenta poderosa e, como tal, deve ser manejada com cuidado. Aos leitores - "Recomenda-se discernimento!"

Ovinocultores muito experientes, via de regra, são (ou foram) proprietários de grandes rebanhos sob condições de manejo extensivas e sobre grandes áreas de pastejo. A ovelha é extremamente generosa mediante o pouco que recebe nessas condições. Não sei como é na Região Nordeste, no Sul, alguns produtores de ovinos de lã que sobreviveram na atividade podem comemorar ao atingir taxas de assinalação de 70%, ou seja, desmamam, descolam e marcam 350 cordeiros (machos e fêmeas) com 5 meses de idade de 500 ovelhas encarneiradas. De forma dolorosa se aprendeu que o rebanho recompensa com alta eficiência e rapidamente aos investimentos, porém, o mercado é extremamente ingrato ao remunerar estas iniciativas o que forçou a notável redução dos rebanhos com muitos produtores encerrando suas atividades. Assim foi com a lã, assim poderá ser com a carne.

(CONTINUA)

Ivan Saul

São José dos Pinhais - Paraná - Produção de ovinos
postado em 21/10/2010

Uma grande parcela dos ovinos de carne é produzida por gente nova na atividade que viu uma oportunidade de fazer dinheiro em cima de seus sítios de lazer ou granjas leiteiras, de aves ou suínos que não remuneram o capital investido. Boa parte se iludiu ao assistir pela televisão a imagem falsa de uma atividade altamente rentável, resultante da atuação de "marketeiros" mais comprometidos com a atividade comercial do que com a própria ovinocultura.

Para quem tenta sobreviver "criando ovelha", embora possa ter sido útil, o "boom da ovinocultura", é válido, legítimo e legal mas não é justo!

Acredito que é à esta gente nova que devemos nos dirigir, àqueles que já comprometeram tanto de suas vidas e finanças que agora não podem desistir, à eles devemos dedicar nossos esforços de transmissão de conhecimentos e experiências, e mais, deles pode sobrevir a redenção da atividade.

Assim sendo, penso que é muito importante que este, e todos os outros temas relacionados diretamente aos animais, sejam aprofundados, tendo em vista seus efeitos potenciais sobre os novos criadores.

Bueno, já chega, para variar falei demais, desculpem!!!

Glenda (se me permites tratar-te pelo primeiro nome) é isso aí: #ficaadica Farmpoint.

Eldar, meu vizinho, (da mesma forma permita-me tratar-te pelo primeiro nome) agradeço a manifestação de apreço e adianto que já te admiro pelo que fazes pela ovinocultura e pela avicultura do nosso país.

Saudações ovelheiras.
Ivan Saul D.V.M., M.Sc.Vet, - Granja Po´A Porã, 21/out/2010

KiLOViVO - Ovinocultura de precisão - (65)99784004

Tangará da Serra - Mato Grosso - Técnico
postado em 24/10/2010

Prezado Sr. Ivan Saul:

Como não poderia deixar de ser, as suas colocações são extremamente pertinentes e, justamente por isso, sinto que o senhor poderia e deveria falar muito mais junto a essa comunidade do FarmPoint.

Permita-me manifestar, também, um ponto de vista meu sobre os novos empreendedores e empreendimentos em ovinocultura, os quais, querendo ou não, são empresários e as suas respectivas empresas. Como a base da sobrevivência de uma empresa é o lucro, o objetivo de todo o empresário, obrigatoriamente, é zelar pela sustentabilidade de sua empresa. Entretanto, isso só será possível se houver uma gestão profissional do processo produtivo. Profissionalismo significa conhecimento específico, o qual não é casual e nem intuitivo. Nós, ovelheiros, sabemos que o produto do nosso processo produtivo é resultado, única e exclusivamente, da INTERAÇÃO EQUILIBRADA dos cinco pilares da zootecnia, quais sejam: nutrição, sanidade, genética, manejo do rebanho e mercado. Sem necessidade de especificar, sabemos que existem atividades pecuárias que, por serem oportunistas ou circunstanciais, conseguem sobreviver mesmo que falte algum ou alguns dos cinco pilares.

Então, indo agora ao assunto, manejos de desmame, manejos reprodutivos, manejos alimentares e todos os outros que integram a OVINOCULTURA devem ser combinados para que, depois, e somente depois, de estarem decididos os famosos "O QUE PRODUZIR?", "PARA QUEM PRODUZIR?", "QUANTO PRODUZIR?" e "QUANDO PRODUZIR?", seja possível DEFINIR os "COMO PRODUZIR?" e "POR QUANTO VENDER?".

Sendo assim, quero AFIRMAR que "ser novo na atividade" não pode justificar ações resultantes do empirismo, da simples intuição ou de oportunismos. Quem tem um processo empresarial em suas mãos precisa agir como empresário, ou seja: se não fizer o LUCRO acontecer, a EMPRESA deixará de existir.

O que vemos acontecer já há décadas é a sobra de dinheiro aliada à falta de conhecimento e à presunção gerarem exemplos negativos de "novos empreendimentos em ovinocultura", os quais, quando são abandonados, passam a imagem de uma atividade duvidosa e de alto risco. E é essa imagem que vêm desencorajando investimentos nos demais elos da cadeia produtiva, além de provocar um grau de insegurança entre os ovinocultoes profissionais estabelecidos e responsáveis pelo abastecimento do atual mercado.

Depois destas colocações, quero cumprimentar o nobre colega ovelheiro pelos oportunos e sábios comentários sobre a "gente nova na atividade", os quais foram gerados por quem, incontestavelmente, é um profissional em Ovinocultura.

Um grande abraço.

*** GiORGi ***

Ivan Saul

São José dos Pinhais - Paraná - Produção de ovinos
postado em 26/10/2010

Meu caro Dr. Giorgi.

Fiquei tremendamente lisonjeado pela sua postagem e tenho dúvidas de que muitos leitores concordem com o Sr. em relação à eu "falar muito mais junto à comunidade FarmPoint".

Me considero um chato quando se trata de defender os ovinos e a ovinocultura.

Vejo que estamos de acordo quanto aos aproveitadores que podem desestabilizar todo planejamento e construção da cadeia produtiva da ovinocultura. E devo, também, concordar que o sr. está extremamente correto ao cobrar profissionalismo de todos nós participantes deste processo.

Agradeço muito pelo seu apoio e lhe garanto que me sinto ainda mais responsável pelo conteúdo de minhas postagens, no sentido de contribuir com todo afinco para a promoção e o fomento desta atividade tão gratificante.

Tudo de bom... um abraço! Ivan

Saudações ovelheiras.
Ivan Saul D.V.M., M.Sc.Vet, - Granja Po´A Porã, 26/out/2010

hildegardo santos araujo

Teresina - Piauí - Produção de leite
postado em 01/11/2010

Meu caro Ivan, Gostei muito das orientações, das ponderações, dos conselhos e detudo mais constante em suas postagens.Entretanto, o que mais me interessa como ovelheiro novato é um levantamento do custo de produção de quilo de cordeiro alimentado desde o nascimento até o abate. Se não lhe for muito trabalhoso peço suas considerações sobre eare tema. Grato, Hildegardo.

Ivan Saul

São José dos Pinhais - Paraná - Produção de ovinos
postado em 08/11/2010

Caro Hildegardo Santos Araújo e demais colegas de FarmPoint.

O rebanho da Granja Po´A Porã, pelas condições relacionadas à terra (tais como, área, tipo de solo, pastagens) e pelas condições mercadológicas da ovinocultura (principalmente em região metropolitana, onde os preços acompanham humores de mercado diferenciados), ainda é muito limitado em tamanho. Ou seja, muito pequeno para permitir que trabalhemos em pesquisa científica que possa ser validada pela prática em outras criações, embora este seja um dos nossos principais objetivos - estudar a viabilidade da atividade dentro do nicho em que está inserida. Entenda-se "nicho" como localização geográfica, condição econômica e financeira, tamanho da propriedade e do rebanho, etc..

Então, necessito deixar claro que esta é somente uma "opinião pessoal", baseada em experiência própria, que não deve ser interpretada como "recomendação" proveniente de conclusões obtidas em pesquisa científica metodologicamente correta e independente. Metodologicamente correta ao não estar chamuscada pela fogueira das vaidades dos pesquisadores, nem contaminada pelas exigências governamentais de produtividade dos cientistas do serviço público (que resultam em quantidade às custas da qualidade, muitas das vezes). Independente por não representar os interesses de um criador ou associação de raça. Por exemplo: É sabido por todo criador, ou deveria ser, que entre os reprodutores de cada raça especializada (lã, carne ou leite) ocorrem discrepâncias maiores do que entre reprodutores de raças diferentes. Ou seja, boas progênies só são obtidas de bons pais e "carneiro ruim tem em qualquer raça".

Em relação, especificamente, às considerações solicitadas por ti, prezado colega Hildegardo, que de forma alguma me causariam incômodo. Acredito que não haja "resposta definitiva" para a questão, que é tua e de todos nós. Quanto custa produzir um cordeiro? Que resultado esperar da atividade?

Considerando que todas as regras mercadológicas (Produzir o que? Para quem? ... ) tenham sido estudadas e atendidas, vamos, em primeiro lugar, definir nosso "produto":

- Exatamente o que é cordeiro? Pois é um conceito que sofre a influência das "Regulamentações para Qualidade de Carne" de cada país ou região produtora. Existem cordeiros de 30 Kg com 90 dias e outros de 30 Kg com 1 ano (ainda é dente de leite, portanto cordeiro), que fornecem carcaças muito semelhantes com custos de produção completamente distintos. Note-se que é raro o interesse do "nosso mercado" em estabelecer essa definição tanto ao nível do produtor quanto do consumidor.
- Definido o cordeiro com um animal de determinada faixa de idade, peso e rendimento de carcaça, cobertura de gordura, etc., e o mercado ideal para este "cordeiro"; pode ser feito o planejamento dos custos de produção. "Tendo em conta a raça e seu potencial de ganho de peso, sob as condições que o empresário/empreendimento pode oferecer."
- Quanto à raças, é bom lembrar que é muito comum na Austrália e Nova Zelândia, a utilização de matrizes da raça Corriedale (sintética de duplo propósito) sob carneiros de raças pesadas (de cara branca e lanudos) para obtenção de "cordeiros de abate - criados à campo". Dois motivos fundamentais para tal procedimento: (1) não existe interesse do produtor em obter cordeiros grandes e pesados antes que tenham idade para serem tosquiados e (2) a lã é responsável por uns 30% do valor total alcançado pelo cordeiro, elevando o rendimento por hectare da propriedade sem aumentar o número de animais. Este é um procedimento tradicionalmente adotado por vários ovinocultores do RS, utilizando carneiros Texel ou Ile de France (raças com ancestrais amerinados) sobre ovelhas de descarte - para produzir o "borregão". E causa do, internacionalmente, reduzido número de criatórios especializados nos grandes e pesados caras negras, Suffolk e Hampshire Down, que poderiam introduzir fibras meduladas ou negras, desvalorizando os velos da progênie, e impedindo a utilização das fêmeas resultantes em uma possível retenção de matrizes.

Fica evidente, com estas tantas alternativas de produto e produção, que "propuseste um tema árduo" para a nossa conversa. O correto seria estabelecer um "centro de custos por produto". Ao vender somente cordeiros, estes são "o produto" que deve responder por todos os custos do empreendimento e gerar dividendos. Daí a necessidade de diversificação na propriedade, pois ao diluir alguns custos entre as diferentes atividades, se aumenta sua rentabilidade individual (pastagens compartilhadas com bovinos são um bom exemplo). A manutenção das matrizes deve ser debitada na conta dos seus filhos. Mesmo que toda alimentação seja produzida "em casa", deve ser contabilizada aos preços de mercado, e a mão de obra familiar, ainda que não remunerada, deve ser contabilizada igualmente. Tudo na conta do "cordeiro".

Como se pode observar, o pobre do cordeiro ter que pagar a conta sozinho é injusto, assim necessitamos de alternativas de mercado para que as "ovelhas de descarte" - "consumo" diziam alguns - paguem a própria conta (hoje, se o frigorífico não quer, só resta a clandestinidade à preços extorsivos). As "borregas de reposição" poderão ser rentáveis à partir da especialização, quando os produtores de "cordeiros de abate" preferirem comprar fêmeas (de raça ou F1) e puderem vender seus produtos para terminadores. Enquanto insistirmos em fazer "ciclo completo" com raças puras, necessitaremos dominar a execução de 3 ou 4 elos da cadeia produtiva e "capital de giro" para aguentar o ano inteiro sem vender nada.

Em agropecuária, se levarmos em consideração toda essa coisa econômica de remuneração do capital investido (incluindo o imóvel), periga dar vontade de vender tudo e investir numa franquia de "fast-food". (Antes saibam, pelo que me disseram tempos atrás, a estimativa de início do retorno do investimento anda em torno de 10 anos.)

Concluindo, meus nobres colegas, arrisco dizer que, na verdade, "nós não queremos saber o que vale um cordeiro" e que, se os cientistas o sabem, é melhor que não nos contem!

Saudações ovelheiras!
Ivan Saul D.V.M., M.Sc.Vet. - Granja Po´A Porã, 07/nov/2010.

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