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ARG: ruralistas bloqueiam estradas em protesto

postado em 24/03/2009

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Os produtores rurais argentinos voltaram às estradas em protesto contra os impostos sobre as exportações de soja. O movimento começou sábado (21), vai durar uma semana e pretende interromper a comercialização de grãos e carne. Só caminhões com leite, frutas e hortaliças estão autorizados a passar pelos piquetes armados pelos agricultores com tratores, máquinas agrícolas, pneus, cordas e animais.

Os produtores retomam o protesto exatamente um ano depois do primeiro locaute, em março de 2008, quando eles fecharam estradas em várias localidades pelo mesmo motivo: querem o fim da cobrança de 35% em direitos de exportação (retenções) sobre a venda de soja. Ontem (23) havia interrupção do trânsito nas estradas de quatro províncias (Santa Fé, Chaco, Entre Rios e Córdoba). A Rodovia do Mercosul, que fica na província de Entre Rios, por onde passa a maior parte dos caminhões carregados com mercadorias do Brasil e do Uruguai chegou a ser interrompida pela manhã e cerca de 60 caminhões uruguaios ficaram parados, mas à tarde foi liberada.

O movimento - que este ano ainda não está tão forte quanto em 2008 - conseguiu baixar drasticamente o volume de negócios nos principais centros de comercialização agrícola do país. No Mercado de Liniers, por onde passa praticamente todo o gado que vem do interior para venda na capital, a entrada de animais se limitava a 190 cabeças no domingo à noite, quando em situação normal entram pelo menos 4 mil cabeças, segundo informou o jornal "Clarín". Em Rosário, onde está situado um dos maiores portos de escoamento de grãos do mundo, na beira do Rio Paraná, o movimento de caminhões carregados de grãos baixou de uma média de quatro mil diários para apenas 764 ontem, de acordo com o Departamento de Estudos Econômicos da Bolsa de Rosário.

O governo da presidente Cristina Kirchner não admite baixar as retenções, sob o pretexto da necessidade de garantir o equilíbrio fiscal do Tesouro, diante da forte queda da arrecadação, devido à crise internacional e à desaceleração da economia interna. No entanto, na sexta-feira (20) a presidente anunciou que dividiria 30% das retenções com as províncias, o que colocou em xeque o argumento do equilíbrio fiscal e foi recebido pelos produtores quase como uma declaração de guerra.

O acirramento da crise tem efeitos concretos na frustração da produção agrícola argentina, alerta o economista Alejandro Ovando, diretor da IES Consultores. Em um informe divulgado ontem, em que analisa o desempenho econômico do setor agrícola em 2008, a IES estima uma queda de 24% da safra 2008/2009 comparada à colheita anterior, para um total de 72,7 milhões de toneladas. Ovando diz que o motivo da queda é a crise política campo-governo que levou a forte redução na área plantada. Ao ambiente de desestímulo ao investimento, se somou a seca que atingiu o país entre novembro e janeiro, a pior em 50 anos.

Ainda de acordo com o levantamento da IES, o setor agrícola está sendo prejudicado também pelo front externo, com a crise financeira internacional que derrubou os preços das commodities num primeiro momento e agora faz cair também os volumes de venda. Em 2008, as exportações agrícolas da Argentina totalizaram US$ 26,8 bilhões, com crescimento de 31,3% comparado a 2007. Esse desempenho se deveu basicamente à alta de preços registrada no primeiro semestre, já que em quantidade, o país vendeu 5% menos ao exterior.

A matéria é de Janes Rocha, publicada no jornal Valor Econômico, adaptada e resumida pela Equipe AgriPoint.

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