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Belluzzo: demanda e câmbio são grandes desafios

postado em 06/01/2011

2 comentários
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O governo Dilma Rousseff precisa encontrar um arranjo de política econômica que permita ao mesmo tempo ajustar o ritmo de crescimento da demanda - hoje "um pouco excitada" - e enfrentar a questão do câmbio valorizado, que desarticula cadeias produtivas inteiras, diz o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp e da Facamp. Para ele, é necessário, de fato, controlar as despesas correntes e elevar o superávit primário, para que se consiga executar uma política fiscal anticíclica, "exatamente para não exigir depois do Banco Central uma ação mais enérgica".

Belluzzo não descarta uma alta de juros, mas tampouco a considera inevitável. Uma elevação da Selic pode agravar ainda mais a valorização do câmbio, num mundo em que há farta liquidez internacional. Aumentar ou não a taxa vai depender do "mix monetário e fiscal", afirma Belluzzo, que elogia medidas de contenção ao crédito adotadas recentemente pelo BC, que lançou mão de outro instrumento que não os juros.

O professor mostra grande preocupação com o câmbio valorizado e seu impacto sobre a indústria, que já sofre com o desmonte de algumas cadeias produtivas, num cenário de forte aumento das importações. "O calcanhar-de-aquiles do governo Lula foi a questão cambial, que pode nos custar caro no futuro. Esse é o enigma que Dilma vai ter de decifrar", afirma Belluzzo, que vê, contudo, um saldo bastante positivo no governo Lula, citando a aceleração do crescimento, a redução da pobreza e a incorporação de milhões de pessoas ao mercado consumidor.

Um dos conselheiros econômicos mais importantes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Belluzzo também é interlocutor frequente do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

BC adota medida para combater especulação com o câmbio

As instituições financeiras terão que recolher ao Banco Central (BC) 60% sobre o valor da posição de câmbio vendida que exceder US$ 3 bilhões ou o montante equivalente ao patrimônio de referência do banco. A medida tem o objetivo de ajudar a conter a queda do dólar.

Segundo o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, com a mudança, a tendência é que a cotação do dólar aumente. "A princípio [a medida] vai gerar alguma demanda por dólar, o que tende a fazer com que a cotação suba", disse hoje (6) em entrevista coletiva. "Com a medida, o Banco Central visa a melhorar o funcionamento do mercado de câmbio à vista e reduzir as posições vendidas do sistema que em dezembro de 2010 alcançaram o valor de US$ 16,8 bilhões", diz nota divulgada pelo BC.

As informações são do jornal Valor Econômico e Agência Brasil, resumidas e adaptadas pela Equipe AgriPoint.

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Comentários

José Humberto Alves dos Santos

Areiópolis - São Paulo - Produção de leite
postado em 06/01/2011

O Belluzzo é bom, muito bom. Concordo com quase tudo o que ele fala e aconselha. A única coisa que não concordo é com sua opção no futebol.

Marcello de Moura Campos Filho

Campinas - São Paulo - Produção de leite
postado em 10/01/2011

O Belluzzo tem razão, vamos pagar muito caro no futuro a sobrevalorização do real com relação ao dolar americano se não tomarmos as medidas necessárias no presente.

Os 3 pontos críticos para o nosso desenvolvimento são a inflação, a taxa de juros e a taxa de câmbio. Esses 3 pontos não são estanques, tem relação entre si.

Embora os juros sejam livres, existe a SELIC, uma taxa de juros básica adiministrada pelo Conselho Monetário Nacional, visando um controle sobre a inflação. Não seria o caso de deixar a taxa de câmbio flutuante, mas o Conselho Monetário Nacional administrar também uma taxa de câmbio mínima visando um controle sobre a inflação, perda de renda e trabalho no País?

Se não estou enganado,em 2019 o Governo teria gasto US$ 45 bilhões para comprar dólares no mercado tentando, sem muito sucesso, evitar a sobrevalorização do real, práticamente o que tería gasto nas obras do PAC, que teria sido US$ 42 bilhões. Essa política não parece fazer sentido num País com a infraestrutura precária como o caso do Brasil! A posição de reter no Banco Central 60% da posição em dolares da Instituição Financeira que exceder a US$ 3 bilhões parece ser mais inteligente. Talvez uma taxa de câmbio mínima administrada pelo Conselho Monetário Nacional possa ser uma medida interressante e complementar à de recolhimento de dolares junto ao Banco Central para evitar que a especulação sobrevalorize o real.

Marcello de Moura Campos Filho

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