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Brasil: limite de venda de terras a estrangeiros barrou entrada de US$ 15 bi

postado em 19/04/2011

7 comentários
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Pelo menos US$ 15 bilhões teriam deixado de entrar no Brasil desde agosto do ano passado, quando a Advocacia Geral da União (AGU) emitiu parecer restringindo a venda de terras a empresas estrangeiras. A avaliação, ainda preliminar, foi divulgada nesta segunda-feira, 18, em um estudo encomendado pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócios (ABMR&A) às consultorias MBAgro e Agroconsult. Para os autores do estudo, a aquisição de terras por estrangeiros no País não afeta a soberania nacional e sua restrição vai prejudicar a velocidade do crescimento do agronegócio no ritmo exigido pela crescente demanda mundial por alimentos.

"O Brasil sempre dependeu de capital externo. Restringir a compra de terras agora implica reduzir a velocidade do crescimento do agronegócio nos próximos anos, já que a restrição imposta pela AGU traz dificuldades de captação de recursos", diz André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult. "A consequência de o Brasil ter esse crescimento mais lento é o aumento dos preços internacionais. Além disso, tira a oportunidade de desenvolvimento social de locais mais pobres que não têm outra alternativa." Na avaliação de Pessôa, a restrição brasileira passa um "recado muito ruim" para o mundo, já que em rodadas internacionais de negócios o País defende abertura dos mercados.

A participação do capital internacional, destaca o estudo, não se restringe apenas à aquisição direta das terras. Se estende ao financiamento da produção, seja por meio dos bancos estrangeiros que concedem créditos; das tradings que antecipam recursos para pagamento após a colheita; e das multinacionais fabricantes de fertilizantes e defensivos, que realizam operações de trocas de insumos por produtos.

Segundo Pessôa, o Brasil precisaria nos próximos 10 anos de R$ 93,5 bilhões em investimentos para atender a demanda mundial por grãos, considerando uma situação de estoques no mesmo nível de hoje, para evitar pressão adicional sobre os preços. Metade desse investimento seria de capital estrangeiro, diz o analista. Desse total, os setores de grãos e algodão precisariam de R$ 31,2 bilhões (R$ 13,6 bi para compra de terras e R$ 17,6 bi para formação de lavouras e infraestrutura). Já a área de cana tem uma demanda de R$ 43,8 bilhões (R$ 24,5 para aquisição de terras e R$ 19,2 bilhões para formação de lavouras e infraestrutura) e a de florestas outros R$ 18,5 bilhões (R$ 7,9 bilhões para terras e R$ 10,6 bilhões para infraestrutura).

Isso tudo para uma expansão na próxima década de 5,5 milhões de hectares em grãos e algodão, 3,1 milhões de hectares em cana e 2,6 milhões de hectares em reflorestamentos. A título de comparação, o analista lembra que na década de 80 o Brasil tinha 34 milhões de hectares plantados com grãos, área que cresceu pouco menos de 5 milhões de hectares em 30 anos, atingindo 38,9 milhões de hectares em 2010. "Para mim essa evolução nos últimos 30 anos é uma demonstração de que o capital nacional não resolveu o problema. Portanto, o Brasil não pode prescindir de receber esse capital externo", completou Pessôa.

Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), disse que o setor sucroalcooleiro foi bastante afetado pela crise econômica de 2008, e que parte da consolidação após esse momento se deu graças a capital estrangeiro, como a criação da joint venture entre Cosan e a Shell, a aquisição da Equipav e da Vale do Ivaí pela indiana Shree Renuka e a compra da Santa Elisa Vale pela Louis Dreyfus. "Isso foi muito saudável para o processo de reestruturação do setor. Mas agora esse parecer pode afetar a área de arrendamento de terras, que é tão importante para o setor de cana", disse o executivo.

Em relação à soberania brasileira, um dos pontos levantados pelo governo, Pessôa diz não ver nenhuma ameaça proveniente dos investimentos estrangeiros em terras no Brasil. "A terra, se bem explorada, é um ativo sustentável e renovável, e é imóvel. Não dá para levar embora. Então vai gerar desenvolvimento aqui. E a própria produção será brasileira, regida pelas leis daqui", completou Pessôa.

"Como consultores, nossa visão é que em nenhum momento o investimento do capital externo no ativo terra seria um problema nos aspectos trabalhistas, judiciais e da própria propriedade da terra. Eles serão obrigados a seguir a legislação. Só haveria problema se existisse uma regra para brasileiro e outra para estrangeiro."

A Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio colocará o estudo para avaliação das entidades afiliadas. Nos próximos encontros, definirá os passos seguintes, inclusive o que será levado para o governo.

As informações são da Agência Estado, adaptadas pela Equipe AgriPoint.

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Comentários

Jose Eduardo Ferreira da Silva

Belo Horizonte - Minas Gerais - Analista de Desenvolvimento
postado em 19/04/2011

Já comentei aqui antes a respeito desse assunto. E apanhei muito, e sei que vou continuar apanhando daqueles nacionalistas anacrônicos de plantão. Só que agora existem números para provar que a proibição na aquisição de terras por estrangeiros terá uma grave conseqüência para o agronegócio nacional, com reflexos no crédito para todos os agricultores (terras já não servirão de garantia para tradings multinacionas, grandes indústrias de insumos multinacionais, bancos estrangeiros, etc), nos investimentos diretos por estrangeiros, no nível de emprego, na interiorização de investimentos, reduzindo o custo social da migração campo-cidade, etc. Tá na hora de os governantes do PT e seus comparsas, que se nutrem na mais tosca ideologia de cunho nacionalista, pararem de se apoiar sobre as 4 patas para comer!!!!

José Ricardo Skowronek Rezende

São Paulo - São Paulo - Produção de gado de corte
postado em 19/04/2011

As restrições são uma tolice nacionalista, sem qq fundamento. Não se subtrai a terra de uma nação sem uma declaração de guerra. Investimentos privados não ameaçam nossa soberania. Compreendo as restrições em áreas de fronteira, o resto é pura ideololgia obsoleta. O que importa é que os investimentos externos geram empregos, ampliam a produção - ajudando no controle da inflação e na balança de pagamentos - e recolhem impostos. O Estado é soberano para taxar a produção e/ou exportação, independente de quem seja a propriedade dos imóveis rurais explorados, da forma que melhor contribuir com os interesse nacionais.

ALCANCE PECUÁRIA

Bauru - São Paulo - Técnico
postado em 19/04/2011

Meu caro companheiro,temos trocado comentários neste site eventualmente,e suas opiniões sempre são muito coerentes,mas neste tema sou radicalmente contra,não sou nacionalista,não sou religioso,não tenho fronteiras,mas  existem alguns principios que não podemos abdicar,um desles é a nossa integridade como nação.Este assunto é muito extenso,mas  ja disse neste mesmo  site  que ingleses não sairiam de suas fronteiras para guerrear nas ilhas Falkland (Malvinas) se não houvesse algo mais que  um amontoado de pinguins,focas e pedras.

Igor Vaz

Pelotas - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos
postado em 19/04/2011

Este comportamento nacionalista ridículo é típico de república bananeira. Não é a toa que nosso desgoverno socialista apoia ditadorezinhos caribenhos e suas narcoguerrilhas. Quando enchem a boca ao mundo para falar das reservas de dolares, deveriam é agradecer ao agricultor que está sol a sol produzindo commodities e exportando.

V P DeOLiveira

Olathe - kansas - Estados Unidos - Produção de gado de corte
postado em 20/04/2011

De grande interesse nacional e tirar da beira de rodovias esta multidao de gente que precisa de ajuda, e nada esta sendo feito para mudar esta vergonha  nacioanal. Serao gastos bilhoes na copa e olimpiadas enquanto estes brasileiros estarao a merce de sua propia sorte. Primeiro teremos que olhar para dentro de nossas fronteiras e os problemas que nosso cidadao comum enfrenta, para depois abrir as portas paras estas grandes corporacoes que querem abocanhar nosso solo e nossas riquezas. Gringo nenhum  vira investir em nossa patria para nosso bem comum, so querem tirar vantagem de nossas riquezas,  nos menospresam e nos consideram  atrasados e pessoas de classe inferior. Se apoderarem de nosso solo agora, no futuro nossos decendentos serao empregados destas  corporacoes, ai sera muito tarde para reclamar e chorar pelos eros que cometemos agora. Isto ja acontece com a maioria de nossos minerios, Pesquise sobre o que acontece com nosso Pais, "Niobio" Um bom exemplo para comecar.

luiz henrique

São José do Calçado - Espírito Santo - Consultoria/extensão rural
postado em 23/04/2011

O Brasil é muito barato para os estrangeiros e muito caro para os brasileiros, se permitíssemos a compra desenfreada de terras por estrangeiros ocorreria uma pressão na cotação da terra elevando e muito os preços das terras aráveis e isto só iria beneficiar os latifundiários, os estrangeiros e as industrias de insumos e maquinários agrícolas que inflacionariam os preços pra lucrar mais um pouquinho. No fim ajudaria bastante a aumentar a desigualdade deste país desigual dando força à aquela velha história do pobre cada vez mais pobre e o rico cada vez mais rico. E isto seria bom ao país no que eu pergunto??? Talvez o dolar uns 5 centavos mais barato..... é, ajudaria a comprar maquina digital, computador e viajar para o exterior. E o pobre que se fo** se quiser comer continue sendo peão.

luiz henrique

São José do Calçado - Espírito Santo - Consultoria/extensão rural
postado em 23/04/2011

O Brasil é muito barato para os estrangeiros e muito caro para os brasileiros, se permitíssemos a compra desenfreada de terras por estrangeiros ocorreria uma pressão na cotação da terra elevando e muito os preços das terras aráveis e isto só iria beneficiar os latifundiários, os estrangeiros e as industrias de insumos e maquinários agrícolas que inflacionariam os preços pra lucrar mais um pouquinho. No fim ajudaria bastante a aumentar a desigualdade deste país desigual dando força à aquela velha história do pobre cada vez mais pobre e o rico cada vez mais rico. E isto seria bom ao país no que eu pergunto??? Talvez o dolar uns 5 centavos mais barato..... é, ajudaria a comprar maquina digital, computador e viajar para o exterior. E o pobre que se quiser comer continue sendo peão.

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