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CNA é contra regulação do mercado de commodities

postado em 18/02/2011

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O fim dos subsídios que dificultam e impedem a comercialização internacional de produtos agrícolas é uma forma de estimular o aumento da produção agropecuária nacional. Sem os entraves comerciais que desestimulam as atividades no campo, o Brasil pode produzir mais e oferecer excedentes que atendam à crescente demanda mundial por alimentos. A avaliação é da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, que rebateu a proposta de regulação do mercado de commodities do presidente da França, Nicolas Sarkozy, como forma de evitar a alta dos preços dos alimentos em função do posicionamento de especuladores.

Além do fim dos subsídios, a presidente da CNA enumera outros fatores essenciais para garantir a ampliação da oferta de produtos agropecuários. "Além do fim dos subsídios, a produção de alimentos deve ser continuamente estimulada via aumento de produtividade e da garantia de preços para proporcionar renda e segurança alimentar", afirma.

O tema da oferta mundial de alimentos voltou a ser discutido nas últimas semanas em função da alta dos preços das commodities agrícolas. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que preside o G-8 e G-20, que reúnem os oito mais ricos e os outros 12 em desenvolvimento, defende ainda a formação de estoques mundiais de alimentos, produtos que poderiam ser vendidos para garantir o abastecimento em momentos de oferta reduzida. Os ministros das finanças do G-20 estarão reunidos a partir de hoje (18) em Paris para discutir, entre outros pontos, esse assunto.

Para a senadora Kátia Abreu, a preocupação do G-8 e do G-20 com a estabilidade dos mercados é "tardia e inoportuna". "Colocar a culpa nos especuladores internacionais, responsabilizando-os pelo risco da inflação mundial é mostrar despreparo e desconhecimento para lidar com o assunto", afirma.

Sobre a proposta de formação de estoques reguladores, a senadora explica que esses devem ser efetuados em época de abundância, quando se espera, para o momento seguinte, uma recuperação de preços. "Formar estoques em um momento de escassez irá impactar negativamente sobre a oferta, acentuando a alta dos preços", completa a presidente da CNA.

O aumento da demanda mundial por alimentos, em especial nas economias dos países emergentes, num ritmo superior aos estoques disponíveis tem elevado os preços das commodities agrícolas. Levantamento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) mostra que os preços de um grupo de cinco produtos (carnes, lácteos, cereais, óleos e açúcar) subiram 28,3% em doze meses, entre janeiro de 2010 e janeiro de 2011.

O aperto entre estoques e consumo deve continuar dando fôlego aos preços em 2011, avalia a senadora Kátia Abreu. Estudos da Superintendência Técnica da CNA mostram que, apesar de os estoques mundiais de grãos estarem mais altos do que há cinco anos, o volume vem caindo desde 2009, quando a demanda por grãos superou a oferta e os países foram obrigados a recorrer aos estoques para suprir as demandas locais.

Parte da redução da oferta mundial de alimentos é explicada pela queda na safra 2009/2010 de países produtores de grãos. Os analistas chamam a atenção para a queda de produção de trigo devido a razões climáticas, principalmente na Rússia, Ucrânia e Cazaquistão. No caso da soja, a relação entre estoque e consumo gira em torno de 24%. As projeções apontam, no entanto, que, em 2011, essa relação pode cair para 23%, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

As informações são da CNA, resumidas e adaptadas pela Equipe AgriPoint.

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