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Crise europeia deve atrasar recuperação da economia

postado em 08/02/2010

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No início de 2010, analistas chegaram a apostar que a recuperação estava ganhando corpo, mas a confiança foi diluída com sinais de crise no mercado de trabalho americano e agora pelo contágio da fragilidade fiscal no sul da Europa.

Analistas temem que a dificuldade na rolagem da dívida pública no sul da Europa abalem a confiança na estabilidade dos governos da zona do euro e atrase as perspectivas de retomada da economia global em 2010, agravando as incertezas hoje existentes nos mercados financeiro e de capitais.

Como resultado dessa fragilidade, o euro tem recuado com força em relação ao dólar americano, movimento conhecido como de aversão ao risco, que machuca as ações e derruba os preços das principais commodities.

"Os mercados não estão aprisionando ninguém. Os investidores não estão olhando as coisas como incidentes isolados, mas como um evento contagioso que se espalha", disse John Praveen, estrategista da Prudential International de Nova Jersey.

EUA e China

Incertezas políticas também cercam a agenda legislativa do governo Obama, especialmente em relação às reformas do sistema bancário e de saúde. Além das reformas precisarem de estímulos do governo, há uma preocupação de que eventuais medidas populistas possam trazer um mal-estar com os banqueiros, reduzindo os consensos obtidos para fomentar a recuperação da economia e a confiança do consumidor.

Há ainda sinais preocupantes de que a China tome medidas adicionais para reduzir o crédito e impedir um superaquecimento da economia. O aperto no crédito chinês achata ainda mais os preços de commodities e de insumos importados utilizados pelo país.

Se o pessimismo se dissipar, os investidores poderão procurar oportunidades de ganhos certeiros nos próximos dias. Isso porque o preço das ações teria ficado muito baixo em relação às projeções feitas no final do ano passado.

Brasil

Diante dessa situação, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na sexta-feira (05) que essa turbulência dos mercados não deve afetar significativamente o Brasil, porque "as commodities devem continuar em alta".

"Acho que a questão [da turbulência nos mercados] é passageira. Não irá afetar o quadro mundial de aumento das commodities", afirmou, ressaltando que Argentina e Brasil desfrutam de vantagem no cenário internacional por serem países exportadores de matérias-primas.

Mantega e o ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, que se reuniram para tratar de comércio bilateral, acordaram uma investida conjunta de críticas ao funcionamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). "Nossa avaliação conjunta é que o BID não tem tido uma atuação satisfatória para a região. Devemos levar a proposta de uma nova gestão para o BID."

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, avaliou que para ter impacto na inflação, a desvalorização do câmbio tem que ser persistente, e não temporária. Segundo ele, "uma ou duas semanas de volatilidade" não vão criar uma crise no Brasil.

"Até agora, o impacto mais forte foi no câmbio. Ele pode deixar de contribuir para reduzir a inflação, mas gera ganho fiscal com a redução da dívida pública." Como o Brasil é credor em dólares, a desvalorização aumenta os créditos do país quando convertidos para reais.

Já o presidente do BC, Henrique Meirelles, disse que a turbulência nos mercados, diante de preocupações com a situação fiscal de países europeus, é parte de "instabilidade natural" depois da crise global. "O importante é que no Brasil não temos esse tipo de dificuldade. O Brasil está saindo forte", disse ele.

A reportagem é da Reuters, resumida e adaptada pela equipe AgriPoint.

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