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Davos: recuperação da economia ainda está ameaçada

postado em 27/01/2011

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O mundo está indiscutivelmente melhor que há um ano, mas não faltam riscos ameaçando as perspectivas de recuperação da economia global. Os mais citados no primeiro dia do Fórum Econômico de Davos foram o desequilíbrio fiscal dos Estados Unidos, a crise dos países periféricos da Europa (que ameaça chegar aos centrais, como a Espanha), as turbulências políticas causadas pela alta dos alimentos, especialmente no Oriente Médio, e a capacidade de os principais emergentes, como China, Índia e Brasil, realizarem um "pouso suave" de suas economias superaquecidas.

Além disso, como causa mais profunda de quase todos esses problemas, há a persistência dos grandes desequilíbrios macroeconômicos globais, levando a guerras comerciais e cambiais, e à grande volatilidade nos mercados financeiros. E, como falha mais gritante da recuperação, a crise do emprego nos países ricos persiste. "Há uma recuperação dos lucros, dos negócios e da bolsa, mas não há uma recuperação do emprego", disse Philip Jennings, secretário-geral da UNI Global Union, que representa 900 sindicatos e 20 milhões de trabalhadores no mundo.

O célebre economista Nouriel Roubini, que previu a crise das hipotecas subprime, iniciou ontem sua apresentação em Davos usando a velha comparação com o copo meio cheio ou meio vazio. Em diversas apresentações, foi possível notar que o copo meio cheio diz respeito especialmente à exuberância das grandes economias emergentes e à surpreendente recuperação dos lucros das maiores empresas americanas, que têm hoje entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões, segundo as cifras mencionadas no Fórum Econômico Mundial.

A própria recuperação americana, que ganhou fôlego com os últimos indicadores, também é apontada como um dos principais pontos positivos do atual cenário. Mas há preocupações quanto à sua firmeza, mesmo no curto prazo, sem falar do problema estrutural do déficit público. Outro destaque é que a retomada americana vem com políticas fiscais e monetárias que já se aproximam dos seus limites.

Já o copo meio vazio está ligado à relutância dos Estados Unidos em traçarem um plano crível de médio prazo para lidar com seu explosivo déficit público e à dificuldade das autoridades econômicas europeias em enfrentar de forma coordenada e decisiva a crise dos países periféricos do continente, como Grécia, Portugal e Irlanda. A alta das commodities, por sua vez, está provocando inflação no mundo emergente, que pode atrapalhar a cambaleante recuperação do consumo nos países ricos, e está causando sérios problemas no Oriente Médio (as atenções de Davos voltaram-se ontem para a agitação popular e política no Egito).

Outra preocupação dos empresários e executivos em Davos é um clima de hostilidade da opinião pública em relação ao capitalismo e ao livre mercado. James Turley, chairman da Ernst & Young nos EUA, apontou "uma tensão crescente entre o setor público e o privado". Para ele, esse clima hostil, combinado com incertezas regulatórias ligadas às reformas do presidente Barack Obama, estaria refreando o investimento. Turley admitiu, porém, que a situação melhorou com o movimento de Obama numa direção mais centrista.

A presença da China e da Índia em Davos continuou a crescer, tanto como tema de debate quanto no elenco de participantes. Os dois países tornaram-se menção obrigatória quando se fala na ascensão dos emergentes, com o Brasil também frequentemente lembrado. Segundo Azim Premji, chairman da Wipro, empresa indiana de tecnologia da informação, "em dez anos as economias do mundo emergente terão tamanho superior a US$ 20 trilhões, igual ao da economia americana (no mesmo momento)".

Já o principal executivo do grupo WPP (marketing e comunicação), Martin Sorrell, classificou o mundo atual em "divisões", de acordo com a atratividade para os investidores: na primeira divisão estão os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) e mais 11 emergentes; na última, o Japão, com sua economia estagnada há décadas. E, nas intermediárias, países europeus e os Estados Unidos.

Para o chinês Zhu Min, ex-vice-presidente do Banco da China e assessor especial do Fundo Monetário Internacional (FMI), a China deve crescer 9,5% em 2011, ante 10,3% em 2010, e a Índia cerca de 8,5%, pouco menos do que os 8,9% do ano passado.

Os dois países, porém, estão com o uso da capacidade produtiva muito pressionado, com custos como trabalho e terra subindo. Um fator adicional de preocupação é que a alimentação, com alta explosiva dos preços, compõe 47% da inflação ao consumidor da Índia, e 34% da China.

A matéria é de Fernando Dantas, publicada no jornal O Estado de S.Paulo, resumida e adaptada pela Equipe AgriPoint.

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