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Doha é melhor arma contra recessão, diz Amorim

postado em 10/11/2008

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Por mais desejáveis que sejam todos os esforços dos ministros da Economia, reunidos para discutir a crise financeira no fim de semana em São Paulo, a medida de real impacto contra a ameaça de recessão está no campo comercial e depende dos presidentes e primeiros-ministros, afirma o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim. "A medida anticíclica na economia real, de maior impacto, é a conclusão da Rodada Doha, na Organização Mundial do Comércio", afirma Amorim. É a única maneira de enfrentar as pressões protecionistas que apontam no cenário mundial, garante.

"A única maneira de evitar o protecionismo é terminando essa etapa da negociação, neste ano", declarou o ministro. A Rodada Doha, de liberalização comercial entre os sócios da OMC, está na etapa da modalidades, na qual os países decidirão as fórmulas para reduzir tarifas, subsídios que distorcem o comércio e outras barreiras comerciais. Desde julho, houve um impasse na discussão, e Amorim diz ver ainda uma possibilidade de retomar as discussões para um acordo até o dia 12 de dezembro. Mas seria necessária uma instrução clara dos chefes de Estado

Se os negociadores fecharem um acordo sobre as modalidades de redução de barreiras comerciais e subsídios, será mais difícil o sucesso das pressões protecionistas nos países, porque a negociação da rodada estará a pleno vapor no ano que vem, argumentou o ministro, que desdenhou das declarações em favor da Rodada Doha, presentes nas declarações finais de encontros comerciais. "É muito bonito colocar num comunicado: 'Evitaremos medidas protecionistas', não vejo mal que esteja lá", comentou. "Mas só terá eficácia se for acompanhado de uma instrução clara para que os negociadores terminem as negociações de modalidades, e é possível plenamente", insiste. "Não basta ser um apelo dos presidentes, um 'lip service' (da boca para fora) como dizem lá fora."

Amorim diz que, apesar da fama protecionista do Partido Democrata americano, não há muita diferença na maneira como os partidos dos EUA tratam a agricultura, maior alvo do Brasil na OMC. Para o recém-eleito presidente Barack Obama, um acordo de modalidades na OMC seria benéfico, argumenta. "É a última chance de concluir agora. Evita que o novo presidente dos EUA seja confrontado com a necessidade de decidir cada item da discussão", diz Amorim. "Ele teria de tomar uma só grande decisão: levo adiante esse acordo que já foi firmado por 150 países ou não levo?".

O ministro diz acreditar que a resposta de Obama seria sim. Ele comenta ser normal o pessimismo hoje reinante entre os embaixadores na OMC em Genebra, porque eles não têm poder para chegar a um acordo, o que depende de um compromisso dos chefes de Estado, avalia.

As informações são do jornal Valor Econômico, resumidas e adaptadas pela equipe AgriPoint.

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