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Economia do Brasil recuará apesar de esforços oficiais

postado em 03/03/2009

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Com as condições econômicas globais se deteriorando mais e sinais de que a economia doméstica do Brasil está estagnada, o Economist Intelligence Unit agora espera que o Produto Interno Bruto (PIB) do país se contraia, ainda que modestamente, em 2009. Isso ocorrerá apesar das medidas de estímulo do Governo e afrouxamento monetário. Apesar das previsões de recuperação do crescimento em 2010, a severa retração econômica neste ano e o aumento do desemprego que acompanha isso complicarão as políticas presidenciais, reduzindo as chances de reeleição do partido político atual.

O estado da economia mundial está piorando em uma taxa alarmante, com os dados de contabilidade nacional mostrando uma severa retração em importantes economias no último trimestre de 2008. Como resultado, o Economist Intelligence Unit baixou sua previsão para crescimento mundial. A expectativa agora é que o PIB global contraia em 1,9% em termos reais em 2009; isso se compara à previsão de 0,9% feita no meio de janeiro.

Essa retração nas condições externas prejudicará a atividade econômica do Brasil. Os mais recentes indicadores industriais, de empregos e outros já mostram um declínio repentino e rápido na atividade no Brasil, ressaltando como a queda nos preços das commodities e a contração da demanda global estão rapidamente impactando até mesmo as economias mais resilientes dos mercados emergentes. Apesar de o Brasil ainda estar se sustentando melhor do que o México - a segunda maior economia da América Latina -, as projeções anteriores de crescimento moderado neste ano foram ajustadas para baixo.

Após os dados de produção industrial muito fracos de novembro e dezembro - somente no último mês, a produção industrial caiu em 14,5% com relação ao ano anterior -, o Economist Intelligence Unit espera um período de prolongado ajuste de estoques, redução nos investimentos e nos empregos. Como resultado disso, a previsão de crescimento do PIB brasileiro foi revisada neste ano para -0,5% (versus uma previsão anterior de crescimento de 1,6%). Os investimentos fixos brutos vão se contrair de forma mais acentuada, em 8%, enquanto o crescimento do consumo privado deverá declinar em 0,8%. Mesmo assumindo que o crescimento no consumo do Governo permanecerá robusto graças às medidas de estímulo fiscal, a demanda doméstica total deverá se contrair em 1,5%, pondo um fim em cinco anos consecutivos de expansão.

O crescimento do crédito, que foi um importante direcionador da expansão econômica nos últimos anos, será racionado nos próximos dois anos. Com os spreads da taxa de juros devendo permanecer muito altos, apesar do afrouxamento monetário, as dívidas existentes de serviços serão um importante peso nos orçamentos familiares. Isso forçará um retrocesso em parte dos consumidores e levará a um adiamento de muitas decisões de investimentos.

A demanda externa significantemente mais fraca resultará em uma grande contração nos volumes de exportação em 2009 pela primeira vez desde 1996. Entretanto, menores projeções sobre a demanda doméstica feita pelo Economist Intelligence Unit sugerem que essa redução nas exportações será compensada por uma marcada contração nas importações reais. Isso resultará em uma contribuição positiva do balanço externo para o crescimento geral em 2009.

Do lado da oferta, o Economist Intelligence Unit projetou uma notável desaceleração no crescimento agrícola em 2009 e estabilização em 2010 após dois anos particularmente fortes de investimentos e demanda externa. O crescimento da produção industrial se restringirá em meio às pressões nas condições de créditos e ao enfraquecimento das exportações. Apesar dos investimentos em infra-estrutura e os incentivos do Governo para a construção de casas, a construção deverá desacelerar severamente como resultado de investimentos privados mais fracos.

As indústrias extrativas deverão contrair bastante em meio à completa desaceleração no crescimento real do PIB da China. As indústrias de bens de capital terão um ano muito mais fraco em 2009, mas supondo uma recuperação da demanda doméstica e externa no final deste ano, essas indústrias se fortalecerão modestamente em 2010. A atividade no setor financeiro, que tem sido uma das áreas de mais forte crescimento nos últimos anos, desacelerará bastante em 2009, mas isso resultará de uma medida de precaução por parte dos concessores de empréstimos, que reforçarão seus balanços patrimoniais para apoiar uma expansão sustentável em médio prazo.

O Governo está aplicando uma série de políticas fiscais e monetárias para sustentar a demanda doméstica e prevenir uma piora na economia. Para impulsionar oferta e demanda de crédito, em 21 de janeiro o Banco Central reduziu a taxa Selic em 1%, para 12,75%, que ficou em seu mais baixo nível desde março de 2007. Mais cortes em taxas deverão ser feitos nos próximos meses.

Nos meses anteriores, as autoridades injetaram cerca de US$ 100 bilhões no sistema bancário e mercados monetários, reduziram taxas e ofereceram novas linhas de crédito de bancos estatais para setores de agricultura e indústria, juntamente com outras medidas para apoiar a atividade econômica. Entretanto, esses esforços não evitarão a recessão neste ano.

O Economist Intelligence Unit espera que a recuperação na demanda externa em 2010 seja reforçada por um atrasado impulso aos gastos familiares pelo afrouxamento monetário e menor inflação. Entretanto, considerando o aumento esperado no desemprego em todos os setores este ano e as fracas previsões para os mercados de exportação, a confiança não se recuperará rapidamente. A projeção continua sendo de apenas uma recuperação modesta no crescimento, de só 3,2% em 2010.

Ainda, a deterioração econômica deste ano e o maior desemprego influenciarão nas campanhas eleitorais de outubro de 2010, dificultando a situação para que o Partido dos Trabalhadores (PT) se mantenha no poder em um terceiro mandato presidencial seguido. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é carismático o suficiente para superar uma severa baixa econômica, mas ele é constitucionalmente inelegível para se manter no cargo por um terceiro mandato consecutivo. A sucessora preferencial de Lula é Dilma Rousseff, Ministra-Chefe da Casa Civil. Considerando que será a candidata do PT, ela terá uma grande oportunidade de capitalizar sobre a popularidade de Lula, mas sua capacidade de fazer isso ainda é incerta neste estágio inicial.

Isso dependerá em grande parte da extensão pela qual o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), coordenado por ela, e as políticas de redução da pobreza, conseguirão ser bem sucedidos em moderar o impacto doméstico da recessão global. As dificuldades econômicas podem favorecer a provável candidatura de José Serra, atual Governador de São Paulo, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que vem liderando nas pesquisas com eleitores. O Economist Intelligence Unit antecipa a grande possibilidade de uma competição entre Serra e Rousseff em 2010.

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