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Estudo mostra que ovinos têm alta diversidade genética

postado em 10/02/2012

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Os ovinos da raça Merino não são somente notáveis por sua lã de fina e de alta qualidade, mas também por serem animais geneticamente diversos domesticados por humanos. O mapeamento genético feito por uma equipe internacional de pesquisadores revelou como os humanos modelaram os ovinos durante milhares de anos para aumentar a produção de carne, lã e leite. O trabalho, que foi publicado no PLoS Biology, mostrou que existe uma alta diversidade genética no rebanho ovino moderno.

"Cruzamentos frequentes e forte fluxo gênico entre os animais de diferentes raças garantiram que as raças mais modernas de ovinos tenham mantido altos níveis de diversidade genética, em contraste com algumas raças de cachorros ou bois, que geralmente têm níveis mais altos de endocruzamento", disse o autor do estudo, James Kijas, da Divisão de Indústrias Pecuárias da Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO), da Austrália.

Isso é uma boa notícia para os criadores de ovinos, disse Kijas. "Nós não temos preocupação com o endocruzamento nessas populações, ou que a base genética se torne tão estreita que os genes de doenças aumentem em frequência", disse ele.

Os pesquisadores coletaram DNA de 2.819 ovinos, pertencentes a 74 raças amostradas em todo o mundo e avaliaram o genótipo de cada animal em quase 50.000 locais no genoma. A partir desses dados, eles examinaram a diversidade genética de diferentes raças e sua relação umas com as outras. De todas as raças avaliadas pelos pesquisadores, a Merino era uma das mais geneticamente diversas. "Se você olhar a história (dos Merinos australianos), pode ver evidências de genes vindo de animais indianos e espanhóis. Então, é uma verdadeira mistura de diversidade genética".

As descobertas não somente informaram sobre a história dos ovinos, mas também, os movimentos humanos durante as gerações. "A relação entre raças é bastante alta e a diversidade nessas raças é bastante alta, de forma que isso parece ter tido uma origem comum e única de domesticação".

Acredita-se que a domesticação de ovinos e caprinos começou há cerca de 11.000 anos na Crescente Fértil - uma área que agora engloba Turquia e Irã. "O maior nível de diversidade que encontramos foi em raças do Mediterrâneo e do sudoeste da Europa. Achamos que isso pode refletir o movimento de pessoas que levaram esses animais recentemente domesticados com eles, do Oriente Médio e das partes sul da Europa no Neolítico".

À medida que eles se distanciavam de seu local de origem de domesticação, a variação genética decrescia, mas isso é menos pronunciado do que com outros animais. Os pesquisadores sugerem que isso pode ser explicado por um amplo uso de machos reprodutores Merino na Europa, que ocorreu depois da Idade Média. "Houve algumas raças que foram usadas muito amplamente durante a história e foram transportadas pelo planeta".

A pesquisa também mostrou como os humanos manipularam as características dos ovinos através de melhoramento de raças. O grupo identificou várias áreas do genoma que se desenvolveram rapidamente em resposta à reprodução visando características como pigmentação, tamanho corporal e reprodução.

"A pigmentação é uma característica que tem sido usada para definir raças e é frequentemente usada para seleção por produtores. Existem pelo menos três genes que sabemos de outros estudos que têm uma influência direta no tipo de pigmentação e podemos ver muito claramente que eles estão sendo selecionados nos ovinos".

Porém, a principal meta da criação de ovinos durante o tempo parece ter sido a remoção dos chifres. "Quando observamos os dados, podemos ver que havia um único gene que causava a ausência ou presença de chifres. A ausência de chifres é uma característica altamente desejável que os criadores de ovinos vêm criando em seus animais por centenas de anos e isso deixou uma assinatura detectável que pudemos encontrar nesses dados".

Os criadores australianos de ovinos podem usar práticas seletivas de criação para eventualmente não precisar usar a técnica cirúrgica australiana denominada "mulesing", que visa prevenir a ocorrência de miíases. O procedimento consiste em caudectomia e envolve a remoção da pele com rugas da região perianal e da cauda a fim de tensionar e ampliar a área sem lã. Esse procedimento é considerado por alguns como um procedimento desnecessariamente doloroso.

"Como (os Merinos) possuem essa grande diversidade, eu acho que existe uma chance muito boa de que, com o tempo, possamos criá-los como eram há 100 anos. Se os produtores colocarem pressão seletiva na baixa ocorrência de rugas, isso certamente acontecerá, mas levará algumas gerações".

A reportagem é do www.abc.net.au, traduzida e adaptada pela Equipe FarmPoint.

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