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EUA: estudo realizado por universidade "inocenta" dieta da carne

postado em 03/06/2011

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Por permitir o consumo de carnes e gorduras à vontade, a dieta de baixa ingestão de carboidratos é vista com restrição pelos cardiologistas, mas um estudo científico da Johns Hopkins University - que será apresentado hoje em um congresso da Associação Americana de Medicina do Esporte - concluiu que esse tipo de dieta não oferece um risco maior para a saúde cardiovascular, pelo menos quando praticada por até três meses. Além disso, a estratégia acelera a perda de peso.

O estudo analisou 46 obesos que não tinham problemas cardiovasculares, com peso médio de 99 kg. Eles se submeteram a uma dieta acompanhada de exercícios físicos aeróbicos regulares e musculação. Metade aderiu à dieta de baixa ingestão de carboidratos e a outra parte fez uma dieta balanceada.

Depois de perder 4,5kg, o primeiro grupo não apresentou qualquer alteração cardiovascular em relação ao segundo grupo. Além disso, os que restringiram o consumo de carboidrato conseguiram perder peso em 45 dias, enquanto o outro grupo levou 70 dias. "Nosso estudo deve ajudar a dissipar as dúvidas que muitas pessoas que precisam perder peso têm na hora de escolher uma dieta baixa em carboidrato em vez de uma baixa em gordura", diz o pesquisador Kerry Stewart, acrescentando que mais pessoas deveriam considerar esse tipo de dieta como uma boa opção, já que não impõe risco imediato à saúde cardiovascular.

A restrição aos carboidratos tornou-se conhecida nos anos 1960, com a ajuda do médico americano Robert Atkins - daí surgiu a famosa dieta de Atkins. Para os especialistas em perda de peso, contudo, a melhor maneira de emagrecer ainda é a dieta balanceada, com ingestão de 55% de carboidrato, 30% de gordura e 15% de proteína. "É a dieta mais segura, mais fácil de seguir em longo prazo e cujo resultado tende a se manter por mais tempo", diz a nutricionista Mariana Del Bosco, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

O endocrinologista Durval Ribas Filho, da Associação Brasileira de Nutrologia, concorda: "Nada supera a dieta equilibrada, balanceada e hipocalórica, com consumo de 1, 2 mil a 1,5 mil calorias por dia". O endocrinologista Ribas Filho explica que o consumo excessivo de proteína favorece a sobrecarga renal e a formação de cálculos, além de interferir no processo da aterosclerose. Outro aspecto observado é que nem toda gordura é vilã e que os danos ao coração dependem do tipo de gordura ingerida. Uma das explicações para a perda de peso mais rápida com a dieta das proteínas é que, apesar de poder comer gordura à vontade, a pessoa tende a enjoar desse tipo de alimento após um tempo, reduzindo o número de calorias ingeridas.

O cardiologista Daniel Branco de Araújo, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, faz uma ressalva em relação ao estudo: o grupo analisado era de indivíduos saudáveis. "Pessoas que já tenham problemas cardiovasculares não devem fazer essa dieta de jeito nenhum", alerta.

O economista americano Arthur De Vany, autor do livro A nova dieta da evolução, lançado recentemente no Brasil pela Editora Larousse e que virou febre nos EUA, propõe que as pessoas se alimentem como na era paleolítica: além de ênfase na carne, propõe a ingestão de frutas, verduras e legumes.

A dieta das cavernas se assemelha àquelas que restringem os carboidratos (como a dieta de Atkins ou de South Beach), mas vai além: proíbe produtos industrializados e cereais. Além disso, contrariando recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda poucas refeições por dia e que, em cada uma delas, seja ingerida uma grande quantidade de calorias. Para o autor, a genética humana está preparada para digerir alimentos consumidos há 40 mil anos e a ingestão de grãos e de industrializados seria o motivo de as pessoas adoecerem com tanta frequência.

A reportagem é do jornal o Estado de São Paulo, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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