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Falta de capacidade portuária compromete o crescimento do agronegócio no Brasil
Segundo Fayet, na última safra, alguns Estados das Regiões Norte e Nordeste deixaram de produzir três milhões de toneladas de soja e milho por não haver portos marítimos próximos com capacidade para escoar a produção. Em razão disso, acrescentou Fayet, cerca de 50 mil empregos permanentes não foram gerados. "Com este apagão portuário que está aí, nós estamos condenados a não crescer", afirmou o consultor da CNA.
Fayet explicou que 52% da produção de soja e milho do Brasil está concentrada a partir do paralelo 15, linha imaginária que corta o Brasil um pouco acima da Capital Federal, em Estados como Mato Grosso, Amazonas, Tocantins, Maranhão e Piauí. No entanto, apenas 16% dessa produção são escoados pelos portos da Região Norte ou Nordeste. O restante, segundo Fayet, é transportado para os portos localizados no Sul e Sudeste brasileiro e exportado a um custo bem mais alto.
Na visão do consultor da CNA, a estatização dos portos brasileiros é uma das principais causas que emperram o crescimento do agronegócio brasileiro. Fayet defendeu a abertura para investimentos privados como forma de alavancar a infraestrutura portuária no Brasil, uma vez que o Governo, sozinho, não dispõe de recursos suficientes para aplicar no setor. "Esse é o caminho lógico e foi isso que o Governo fez para tentar resolver os problemas dos aeroportos do País", explicou.
Segundo Fayet, são necessários investimentos da ordem de UU$ 30 bilhões até 2020 para superar o gargalo dos portos marítimos no Brasil. "O Governo não tem esse dinheiro, até porque teve de cortar R$ 50 bilhões do orçamento deste ano", disse durante audiência pública na Câmara dos Deputados.
O consultor da CNA também criticou a legislação que regula o setor portuário no País. De acordo com Fayet, o Decreto 6.620, de 2008, impede que grupos privados invistam em portos no Brasil, ao mesmo tempo em que, permite que os concessionários dos serviços portuários atuem como um cartel, o que eleva o custo de operacionalização dos portos. "A CNA ingressou com uma ação na justiça contra esse decreto por considerá-lo ilegal", contou Fayet. A posição da CNA, explicou, não é contra os portos públicos, "mas a existência do decreto que impede o investimento privado na construção de novos terminais portuários que desafogariam o escoamento da produção agropecuária".
Para o ex-ministro da Agricultura Reinhold Stephanes, que participou da audiência, a produtividade do agronegócio brasileiro é desperdiçada com a falta de logística para o escoamento da produção. "Nos últimos anos, o Brasil foi um dos países onde a eficiência da produção agropecuária mais cresceu, mas essa eficiência se perde na falta de infraestrutura logística", afirmou Stephanes, que hoje é deputado federal pelo PMDB do Paraná.
Também participaram do debate o coordenador-geral de Programas da Secretaria de Gestão dos Programas de Transportes (Seges) do Ministério dos Transportes, Edison de Oliveira Vianna Júnior; o diretor de Revitalização Portuária da Secretaria Especial de Portos (SEP), Antônio Maurício Neto; o coordenador de Avaliação de Desempenho da SEP, Jorge Ernesto Sanches Ruiz; o secretário executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegários (ABTRA); e o diretor-executivo da Associação Brasileira de Terminais Retroportuários e das Empresas de Transportes de Contêineres (ABTTC), Martin Aron. O requerimento para a realização da audiência foi apresentado pelo deputado Alberto Mourão (PSDB/SP).
As informações são da Assessoria de Comunicação da CNA, adaptadas pela Equipe AgriPoint.
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JULIANA VIEIRA SALLES VARALLO LEITE
Joanópolis - São Paulo - Médica Veterinária/ Produtora Rural- leite
postado em 26/12/2011
O planejamento da produção e a logística são fatores fundamentais para o desenvolvimento do agronegócio, a globalização gera maior competitividade entre empresas, já que a concorrência aumenta sendo necessário aumentar também o nível de eficiência da mesma para sobreviver no mercado, a sobrevivência e o sucesso de uma empresa está na diferenciação competitiva em função da sua capacidade de desenvolver sistemas de logística para seus produtos, mais competitivos do que os de seus concorrentes, mesmo que para isso tenha que se antecipar ao futuro.
Um dos fatores que mais afetam a competitividade é a logística, a qual é a ciência que trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos e os fluxos de informações que colocam os produtos em movimento, a fim de promover níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável, uma abordagem sistêmica da origem até o destino final dos produtos, interna e externamente e está inserida na cadeia de suprimentos supply chain, matéria prima, insumo, produção, transporte, distribuição, fluxo de informação e a eficiência gerencial;
Porém em nível nacional o planejamento da produção agrícola e a logística de seu escoamento possui sentidos invertidos, pois, enquanto a produção agrícola brasileira aumenta a cada safra, a segunda decresce, com déficit na área de armazenamento e na infra-estrutura de transporte e serviços, o que resulta em elevado custo de logística. Tal custo afeta a competitividade e o barateamento da produção brasileira.