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Foco na produção de carne ovina?

postado em 07/10/2011

11 comentários
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Neste ano, foi perceptível o aumento da participação da indústria na produção de carne ovina brasileira e no lançamento de programas de incentivo ao produtor. É válido lembrar que em países com a ovinocultura desenvolvida, a indústria teve importante papel. Na Nova Zelândia por exemplo, desde 1922 existe um conselho regulador chamado New Zealand Meat Board, que coordena a indústria, desenvolve mercados e negocia preços e fretes. Uma das primeiras medidas do conselho foi a criação de uma marca que até hoje identifica o cordeiro neozelandês.

A demanda por carne ovina no Brasil continua alta, porém, o Brasil ainda não consegue supri-la, o que o torna dependente de importações. A cadeia apresenta alguns entraves que dificultam o desenvolvimento da atividade e um dos problemas (quando fala-se em produção de carne) é a ausência de foco na produção, o que consequentemente interfere na padronização e na qualidade dos animais que são abatidos.

Alguns produtores estão investindo na ovinocultura de corte, e esta, quando bem gerenciada (assim como qualquer atividade), pode ser lucrativa para o criador visto que o mercado está aquecido.

Embasado neste contexto, o FarmPoint pergunta:

Você acha que os ovinocultores brasileiros estão mais focados na produção de carne ou acredita que ainda estão crus neste quesito?

Participe deixando o seu comentário no box abaixo:

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Comentários

Rafael Baggio - Médico Veterinário

Curitiba - Paraná - Produção de ovinos de corte
postado em 07/10/2011

Acredito que essa mentalidade está mudando, os produtores estão percebendo que a demanda pela carne seja ela de cordeiro ou cabrito é grande e que a necessidade principal no momento é produzir carne em quantidade (com padrão e qualidade exigidos pelo mercado, obviamente). Caso contrário, essa demanda vai retrair ou outros países vão dar um jeito de suprir, que já está acontecendo.
Mas dentro desse raciocínio, infelizmente muitos produtores ainda ficam apenas focados em genética, animais de elite, e esquecendo que formar volume para Corte. Esse mercado é importante sim, e muito, o melhoramento genético é fundamental, a base do progresso, mas no momento não é o principal, logo, minha pergunta é:

- Será que não estamos dando atenção demais para a Genética (animais de elite) e esquecendo de abastecer os restaurantes, os açougues e mercados? Tem muito consumidor querendo comprar, nós não estamos querendo vender?

Esse conselho regulador na NZ, New Zealand Meat Board é sensacional, é justamente o que nós precisamos para crescer de forma organizada e não produzir cada um do jeito que quer, formar volume, para depois ver o que o mercado quer e está disposto a pagar....

Fica esse debate

Abraço a todos

Walter Celani Junior

Uberaba - Minas Gerais - Consultoria/extensão rural
postado em 07/10/2011

Na verdade, a mentalidade não está mudando porque ela ainda não existe como consciência do que realmente é o negócio da ovinocultura de carne.

Nós sequer possuímos rebanho efetivo de fêmeas para tornar o mercado interno sustentável, portanto, isso leva à não padronização de carcaças para um consumo em massa. Muito ao contrário isso leva exatamente ao caminho que está sendo trilhado, que é o de vender o que existe no mercado.

As indústrias tem um papel importante, ou poderão tê-lo, quando exigirem o padrão e derem condições para o ovinocultor produzir com padrão. Posso dizer por experiência própria, que em âmbito geográfico mais amplo, a única indústria que se preocupa com isso hoje é a VPJ.

Aqueles produtores que tiverem cruzamento industrial que envolve as raças dorper e white dorper são melhores remunerados por seus produtos, uma vez que, dai pode-se obter uma carne padronizada para o mercado.

A genética tem papel fundamental nesse panorama, uma vez que precisamos saber que animal irá agregar valor aos cordeiros abatidos, como precocidade, conversão alimentar, acabamento de carcaça, etc. Não saberia dizer se temos que mirar outras culturas como objetivo a ser atingido, mas sim como referências em alguns aspectos.

O Brasil não era o maior produtor de carne bovina do mundo e hoje desfruta desse posto, porque fez por merecer e teve muito trabalho em todos os aspectos, principalmente visando a produção de animais a pasto, e hoje, ja partindo para cruzamentos industriais como por exemplo usando angus ou red angus para dar maior qualidade à carne.

Na ovinocultura isso está sendo feito por muito poucos, já que as grandes indústrias, detentoras de produtos em várias áreas, preocupam-se com os SEUS lucros e não estão realmente preocupadas em remunerar adequadamente o produtor de qualidade.

Ainda temos poucos produtores de carne ovina no Brasil, preocupados com qualidade, por falta de orientação e por falta de compromisso da maior parte da indústria. Mas como disse antes, existem indústria preocupada com padrão e que remunera mais por isso.

Fiquem atentos, organizem-se o mercado não tem mais retração. Abraços e parabéns Raquel, esses debates são sempre bem vindos.

Jairo Baptista

Vitória - Espírito Santo - OUTRA
postado em 07/10/2011

Estou plenamente de acordo com os comentários do Sr. Rafael B. Baggio.

Sds.

Daniel Legnaro Faria

Ribeirão Preto - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 07/10/2011

Walter,
Você está corretíssimo em sua explicação e acredito muito coerente! Aliado a tudos os problemas já relatados aqui há também o problema do habito de consumo da carne ovina e caprina.
Há procura? Sim ...claro que há, mas é ainda irrelevante aos padrões brasileiros de consumo de carnes. Como a de outras carnes também..exemplo peixes.
Mas está correto Walter.
Forte abraço!

José Volni Costa

Ituporanga - Santa Catarina - Consultoria/extensão rural
postado em 07/10/2011

O enfoque correto é a profissionalização do criador.  A profissionalização deverá ocorrer com produtores que tenham a ovinocultura como atividade principal , como fonte de renda principal e não como uma atividade complementar, como robi ou terapia. Outro fator que tem prejudicado a evolução da atividade é que por falta de produtores de rebanho geral, as instuituições associativas são gerenciadas há muitos anos por criadores de planteis de eleite. A visão dos ovinocultores terá que ser focada como um outro agronegócio qualquer,  onde a escala de produção é indispensável à viabilidade das industrias . Sem uma industria sustentável não como se formar uma cadeia sustentável.

João Alberto Haag Luiz

Santa Maria - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos de lã
postado em 08/10/2011

Eu concordo que falta foco,mas no RS o problema maior é a escala de produção. Para tu participar do mercado tem que ter cordeiros nascendo em épocas diferentes e esse é um programa difícil de montar pelas diferenças de clima,pelo alto investimento inicial e pela falta de incentivo governamental ou pelo alto risco do negócio.
Para alavancar o negócio é preciso que alguma empresa frigorífica abrace a causa e faça integrações como fazem com os criadores de porcos e de galinhas. O frigorífico organiza produtores de cordeiros,criadores de cordeiros,dá assistência técnica e garante o abate.O produtor  será o responsável de fazer nascer os cordeiros,o criador recebe os cordeiros com 60 dias e dá o acabamento para o abate.
Abraço,
João Alberto Haag Luiz
Zootecnista,Pecuarista em Caçapava do Sul

Izildinha A. C. Dantas

Aracaju - Sergipe - Consultoria/extensão rural
postado em 08/10/2011

Izildinha Dantas - SE - Med. Veterinária e criadora do Sta. Inês

Primeiro não acredito neste boom de demanda que é divulgado.  Se observar uma série histórica de crescimento de qualquer carne no Brasil sabe-se que este crescimento é lento.No caso da carne ovina, então, que por falta de uma cadeia organizada e abate de animais sem um padrão de qualidade, que gerou uma certa aversão ao produto, nosso trabalho vai ser mais árduo. Acredito sim no potencial enorme que esta carne tem, mas temos que considerar alguns pontos: qual o meu foco de mercado para definir que tipo de carneiro devo criar? Ha uma parte do Brasil, por exemplo, que não gosta do sabor do carneiro lanado; para avançarmos mais rapidamente precisamos contar com os frigoríficos ja existentes com capacidade ociosa, mesmo de outras espécies, lógico que com um bom contrato. Isto tem vantagens, reduz custo de logística e facilita o acesso aos supermercados ( sem dúvida o maior canal de venda) que quer ter o menor número de fornecedores possível; organizar-se para se ter escala  e definir sistemas de produção de cordeiro de qualidade com foco no mercado escolhido. No início teremos carne com preço alto para nichos de mercado mas, a medida que a cadeia se desenvolva, temos que reduzir custos de produção para popularizar o produto carne ovina. É só olhar para a o histórico da carne de frango. Vocês se lembram que só comíamos frango aos domingos e olha lá!

KiLOViVO - Ovinocultura de precisão - (65)99784004

Tangará da Serra - Mato Grosso - Técnico
postado em 08/10/2011

Prezada Raquel e Equipe do FarmPoint:

Cumprimento as manifestações já publicadas neste espaço e, sem discordar de nenhuma, aproveito a oportunidade para contribuir com mais algumas formas e cores na pintura desse retrato atualizado da ovinocultura nacional. A circunstancialidade desse tema, "foco da atividade", é simples e pontual.

Conforme venho insistindo há muito tempo, enquanto a evolução da nossa ovinocultura não seguir na direção do profissionalismo para a produção de "CARNE de CORDEIRO", a estagnação da mentalidade dos pretensos produtores continuará a gerar a nossa realidade nacional, ou seja: falta de padrão de qualidade, escala de produção inadequada à demanda da indústria frigorífica e/ou do consumidor e, o que é mais comprometedor, falta de regularidade de fornecimento de um determinado produto e da quantidade necessárias ao abastecimento de centros de consumo específicos. Ser profissional é ter todo o conhecimento adequado e necessário para produzir bens ou serviços específicos. Enquanto o empirismo (falta de conhecimento; amadorismo), a intuição (presunção do produtor) e o casualismo (oportunismos unilaterais) caracterizarem mais da metade da carne de cordeiro produzida anualmente no Brasil, a solução dos problemas relacionados à sustentabilidade empresarial dos processos produtivos e à confiabilidade dos consumidores nos produtos da atividade estará, de fato, muito distante.

Visto isso, permitam-me uma crítica ao FarmPoint: enquanto a mídia, as instituição de pesquisa e fomento, as indústrias e os pretensos ovinocultores insistirem em utilizar a expressão "CARNE OVINA", o  New Zealand Meat Board agradecerá, pois NÃO terá o Brasil como concorrente no abastecimento do mercado mundial com a commodity "CARNE DE CORDEIRO". O processo de produção de carne de cordeiro, especificamente, requer um nível de profissionalismo capaz de atender as especificidades das modalidades de manejo reprodutivo, nutricional e sanitário do rebanho dentro de instalações extremamente apropriadas (pastagens, abrigos, cercas, currais de manejo, etc.). Para que não haja mal entendido, vou ser ainda mais pontual: Os ovinocultores brasileiros jamais deixarão de serem crus enquanto não abandonarem o foco genérico na produção de "carne ovina", simplesmente. O foco da Ovinocultura Brasileira deve ser, invariavelmente, a "carne de CORDEIRO".

Já existem empreendimentos no Brasil com processos produtivos corretamente focados e que validam a interação entre as respostas às sete perguntas básicas de um planejamento administrativo, quais sejam: "O que?" >>> "Para quem?" >>> "Quanto?" >>> "Quando?" >>> "Quem?" >>> "Onde?" >>> "Como?".

Assim como a Nova Zelândia, nós precisamos de um gestor em nível nacional para promover e organizar a produção do produto chamado "CARNE DE CORDEIRO". Lá esse gestor já existe há quase um século. Aqui, pelo andar da carreta, as abóboras ainda vão demorar algum tempo para se acomodar.

Um grande abraço a todos.

José Oton Prata de Castro

Divino das Laranjeiras - Minas Gerais - Produção de ovinos de corte
postado em 08/10/2011

De vagar, aos trancos e barrancos vamos chegar lá. A final somos um país privilegiado: terras ferteis, calor, luz e muita agua. Somos capazes e temos excelentes instituições de pesquisas. Falta apenas os poderes constituídos, se não querem arregaçar as mangas juntos aos produtores, não os atrapalhe. José Oton Prata de Castro - Presidente da ACCOLM Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos do Leste Mineiro.

Bruno Fernandes Sales Santos

Dunedin - Otago - Nova Zelândia - Produção de ovinos
postado em 08/10/2011

Olá a todos,

Parabenizo os comentários bem colocados e com visões distintas do mesmo problema.
Continuamos em situação de retração do crescimento do rebanho e estagnação produtiva, ao mesmo tempo em que os preços internacionais sobem e a demanda, por carne ovina, cresce em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil. Os preços internos estão altos e não deverão recuar pois não existe produto. Se o bom preço pode incrementar a receita, a falta de cordeiros pode reduzir o resultado econômico e a oferta ao consumidor, que por consequência reduz o consumo.... daí a importância das atuais importações em nater o consumo, por menor que seja.

Amigos, devemos estar atentos aos nossos reais problemas que envolvem a desorganização da cadeia produtiva, a baixa produtividade e a falta de foco na produção de ovinos. A criação de uma organização dos produtores e demais elos, como Beef and Lamb New Zealand, Meat and Livestock Australia e Eblex (Inglaterra) tem como bases de funcionamento o profissionalismo, a idoneidade, a administração empresarial e estratégica das instituições e, sobretudo, o financiamento de todas as ações através dos produtores que destinam uma porcentagem pequena de cada animal abatido para um fundo que rege as organizações. Então pergunto: como arrecadar no Brasil se temos aproximadamente 90% do abate de ovinos ocorrendo de forma ilegal (abate clandestino)?
Outro ponto muito sério é o fato de estarem dizimando o nosso rebanho de fêmeas através dos abates. O descarte orientado deve acontecer sim, ovelhas improdutivas, animais selecionados para descarte e etc. É a ferramenta para o progresso genético, seleção! Porém, estamos presenciando boa parte dos frigoríficos realizando o abate de fêmeas jovens, borregas, marrãs, fêmeas produtivas, fêmeas prenhes, fêmeas com cria ao pé e etc. Tudo em função da necessidade de manter as linhas em funcionamento a qualquer custo. Mesmo frigoríficos que não dependam do abate exclusivo de ovinos. Assim, empresas que anunciam suporte à cadeia produtiva, incentivo ao rebanho comercial e etc., seguem recolhendo fêmeas com grande potencial produtivo para aumentar o rebanho, mas seguem abatendo as mesmas. Obviamente o criador tem grande responsabilidade neste aspecto, porém, em diversos casos presenciamos criadores sem condições de pagar suas contas caso não vendam as fêmeas, e a oportunidade de vender, ainda que por baixos preços, é a única solução. Criadores próxios já nos relataram fêmeas sendo entregues a atravessadores a R$ 1,70 o kg vivo (borregas de 8 a 12 meses) para serem abatidas!
Acredito que as empresas frigoríficas que realmente estiverem comprometidas com a atividade deveriam criar soluções de potencial para a atividade e vendê-las vivas ou mesmo entregá-las, fornecer a assistência técnica e orientação se receber o pagamento em cordeiros, ou algo do tipo. Sendo que a maior finalidade é promover o crescimento da atividade.....
Espero que as discussões surtam efeito!

Abraço a todos!

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria e ensino
postado em 11/10/2011

Olá a todos,

Bem, não sei se será possível acrescentar mais alguma coisa a essa discussão, mas de início e respondendo a pergunta da enquete, a atual ovinocultura de corte no Brasil é um cordeiro recém-nascido ainda em busca do teto da mãe. Embora possa soar negativo, há uma bela notícia por trás disso: o cordeiro já nasceu!!

Se pensarmos em ovinocultura comercial para produção de carne a nível de Brasil, o que eramos a 5-6 anos atrás? Considerando as condições, estamos caminhando passo a passo e não há como ser diferente. É preocupante como alguns entusiastas do setor pensam em dar e sugerem passadas maiores do que as próprias pernas. Já houve experiências frustrantes (mega-projetos a curto prazo, importação de raças "maravilhosas", tecnologias top do top, etc.) relacionadas a isso e as pessoas não aprendem e não entendem que o sistema agroindustrial da carne ovina se desenvolverá no seu próprio ritmo e sempre em função do mercado, das transações entre os elos da cadeia e das oportunidades de negócio que vão surgindo. Ou seja, não adianta nada tentar impor um ritmo de crescimento e desenvolvimento à cadeia. Isso é apenas a receita base da frustração.

É certo que o mercado está aquecido, que é bastante atrativo economicamente e que nesse momento é mais do que necessário produzir (para sobreviver). No entanto, a nossa velocidade é vagarosa e assim será, porque simplesmente ainda não temos rebanho para garantir uma escala de produção satisfatória, não temos uma referência de qualidade de produto e não temos experiência nesse segmento.

De fato, há algumas boas experiências consolidadas espalhadas pelo país (rio grande do sul, bahia e são paulo, por exemplo) que nos sinalizam como um "É realmente possível!!", mas a ovinocultura comercial no Brasil ainda é muito nova e há um imenso trabalho pela frente.

Felizmente ou infelizmente, somos um bebê engatinhando e com pressa de crescer!!  

Abraços e sigamos trabalhando!!!!

Daniel

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