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Ibope: pesquisa não se compara a estudos do Incra

postado em 16/10/2009

6 comentários
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O Instituto Ibope afirmou nessa quinta-feira (15), por meio de nota à imprensa, que "não há sentido" em fazer uma comparação entre a pesquisa sobre os assentamentos brasileiros que foi solicitada pela CNA - Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - e os demais estudos do Incra - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Segundo o Ibope, trata-se de "universos distintos", já que a pesquisa divulgada esta semana pela CNA refere-se apenas aos "assentamentos consolidados em nove Estados brasileiros".

"A pesquisa trata de condições gerais de vida dos assentados e não somente do tipo de atividade econômica praticada pelas famílias. O Ibope espera, com este estudo, contribuir para um debate mais amplo do que este que tem ocorrido até este momento, centrado exclusivamente na questão da produção ou não nas propriedades pesquisadas, já que o escopo do estudo é muito mais amplo", diz o Ibope, na nota.

A pesquisa da CNA, elaborada pelo Ibope, afirmava, entre outras coisas, que 72% dos assentamentos do país não produzem o suficiente para gerar renda e que 37% dos assentados brasileiros vivem mensalmente com, no máximo, um salário mínimo. Na quarta-feira (14), o MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - criticou a pesquisa, afirmando que ela não tem relevância porque analisou apenas nove assentamentos.

O Ibope negou ter qualquer posicionamento sobre a reforma agrária no país e disse que "todas as informações da pesquisa foram levantadas diretamente com os responsáveis pelas famílias, dentro das propriedades".

As informações são da Revista Globo Rural, adaptadas pela Equipe AgriPoint.

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Comentários

Leonardo Siqueira Hudson

Belo Horizonte - Minas Gerais - Consultoria/extensão rural
postado em 16/10/2009

Seria bastante interessante que o nosso presidente que gosta tanto de andar de avião fosse pessoalmente à campo acompanhado da imprensa, ministro da reforma agrária, CNA, bancada ruralista para avaliar a real situação dos assentamentos.
Isto seria bom tanto para os assentamentos como para o setor produtivo do pais.

Breno Augusto de Oliveira

Alto Araguaia - Mato Grosso - Consultoria/extensão rural
postado em 17/10/2009

Parabéns a iniciativa da pesquisa da CNA e IBOPE, espero que os resultados sejam ferramentas para estudos utilizados para colaborar com a evolução, em ambas expectativas quantidade, qualidade e sustentabilidade de alimentos nacional.

Aprender com o passado, entender o presente e planejar o futuro pode ser um caminho vitorioso a seguir, caçar bruxas hoje em dia requer tempo e recursos!

Vitor Diniz Machado

Coromandel - Minas Gerais - Estudante
postado em 17/10/2009

A pesquisa reflete a incoerência do projeto de lei que define índice produtivos como parâmetro para a reforma agrária, uma vez que a grande maioria desses assentamentos não atingirão tais índices produtivos.

Eugenio Mario Possamai

Água Boa - Mato Grosso - Produção de gado de corte
postado em 18/10/2009

A pesquisa realizada pela CNA através do IBOPE, é uma realidade dos assentamentos de nosso País, quando o governo fala em produção agrícola, ele não menciona assentamentos separados, ele inteligentemente engloba os pequenos produtores de nosso País, dos quais eu também faço parte e produzo dentro das minhas possibilidades muito bem obrigado, com isto ele o governo mascara a realidade dos assentamentos que em sua totalidade ou na maioria absoluta não produz para sua substência mesmo, pois em nosso município temos diversos assentamentos, aqueles que produzem alguma coisa, não são os que pegaram a terra do governo, mas sim os que compraram deles e agora estão produzindo algo, os sem terra, somente pegam as terras para usufruirem dos benefícios iniciais do governo e depois sem ter o que fazer as vendem a outros, isto é de praxe, e estão novamente sem terra denovo, partindo para outra invasão novamente, isto é um circulo que não para, e nosso governo não dispõem de medidas para frear essa onda ou não deseja na verdade, agora dizer que assentados são auto suficientes é uma balela.

Pedro Ivan Christoffoli

Laranjeiras do Sul - Paraná - Consultoria/extensão rural
postado em 20/10/2009

srs.,

já existe norma do Incra que nenhum assentado que vendeu a terra possa se beneficiar novamente da reforma agrária. Essa crítica feita de que há uma indústria de ocupações é completamente equivocada. mas é uma desinformação útil, que em todo debate aparece.

Já outro aspecto que precisa de análise mais profunda é o abandono do meio rural. Não só dos assentamentos. As comunidades rurais estão se esvaziando por todo o país (resultando em envelhecimento e masculinização no meio rural). Isso é reflexo das políticas públicas voltadas aos grandes latifundiários e dos mecanismos de destruição sistemática das unidades produtivas pequenas sob o sistema capitalista de produção.

Na verdade os dados nacionais de abandono de lotes nos assentamentos se dá em índices muito menores do que as comunidades rurais. Hoje cerca de 20% dos pequenos produtores no brasil são assentados, portanto é irreal a fala do companheiro pequeno agricultor.

a contraposição real não é entre assentados e pequenos agricultores, como a carta anterior alude. É sim entre os sem-terra mais pequenos (assentados e familiares) contra os grandes latifúndios (grande parte em terras ilegalmente apropriadas) que se apoderam dos recursos públicos (mais de 70 bilhões de Reais/ano apenas em crédito rural oficial) e que a cada 3-5 anos impõem ao país a rolagem das dívidas.

a pesquisa do Ibope é ridícula e não serve para comparação, como admite o próprio órgão. foi feita em 9 (isso mesmo, nove assentamentos) com a finalidade de fazer propaganda contra a reforma agrária. Ela não pode ser extrapolada para o país, que tem milhares de assentamentos. para se ter uma idéia há assentamentos em mais de 1 mil municípios brasileiros. Há pesquisas científicas feitas pela FAO e pelas universidades brasileiras que tem maior legitimidade técnica e que apontam dados diferentes.

bom, a questão é complexa. mas acho que com o nível dos debates, o MilkPoint precisaria abordar esse tema com mais profundidade, se for o caso. Em tempo, a grande maioria dos assentados no país são produtores de leite (de vaca, no centro-sul, ou de caprinos, em alguns estados nordestinos)

walter Luiz Birk

Espumoso - Rio Grande do Sul - Revenda de produtos agropecuários
postado em 21/10/2009

Faço de minhas palavras a realidade citada pelo Sr. Eugenio.
Já andei muito pelo Brasil, e essa realidade é encontrada em todos os lugares que vou: Desde o RS onde meus pais moram, até no Pará onde tive a oportunidade de passar em várias fazendas invadidas.

Com relação ao que o Sr. Pedro citou, dizendo que existe norma no INCRA onde quem vendeu terra não tem direito a novo assentamento pode até existir. Mas na prática o que pode ser visto que essas mesmas pessoas cadastram sua esposa, filhos ou outros parentes. Até sogra já vi um cara cadastrando no Pará!!!

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