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Indústria vê menor poder de barganha com possível fusão entre Carrefour e Pão de Açúcar

postado em 29/06/2011

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O temor da indústria de alimentos e bebidas - e também de varejistas concorrentes - em relação à possível fusão entre Carrefour e grupo Pão de Açúcar se resume a uma palavra: concentração. "Quanto mais concentração, pior é para os fabricantes", disse o presidente de uma indústria de bebidas, que prefere não ser identificado. "Se nosso poder de barganha diminui, o varejista acaba impondo seus preços", acrescentou.

"Com certeza, essa fusão nos prejudica", disse um representante da indústria de carnes. "Havia três varejistas, agora, com esse negócio, serão só dois", lamentou outra executivo do setor. Segundo ele, a maior parte do volume de vendas das indústrias de carne se dirige ao grande varejo, ou seja: Walmart, Carrefour e grupo Pão de Açúcar.

No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), existem hoje 7.565 supermercados que no ano passado somaram um faturamento de R$ 201,6 bilhões. O grupo Pão de Açúcar (sem incluir lojas de eletrodomésticos, como Casas Bahia e Ponto Frio) entra nessa conta com 615 lojas e vendas de R$ 36,1 bilhões em 2010. O Carrefour tem 236 lojas (sem incluir a rede Dia, que está sendo separada do grupo) e faturamento de R$ 29 bilhões. Nacionalmente, caso a fusão se concretize, as empresas teriam 851 lojas - 11,2% do total - e vendas de R$ 65,1 - o equivalente a 32,2% do faturamento do setor.

"Olhando para o mercado nacional, a possível fusão não resultaria em aumento da concentração", disse João Galassi, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas). "Mas se considerarmos só São Paulo, o cenário seria diferente", acrescentou.

Em São Paulo - Estado que concentra 36% do faturamento do varejo de bens não duráveis do país - existem 2.473 supermercados. Desse total, 426 são do grupo Pão de Açúcar (17,2%) e 109, do Carrefour (4,4%). Juntas, as duas empresas teriam 588 lojas ou 23,7% do total paulista. Nenhuma das duas companhias divulga quanto faturam só no Estado, mas a Apas calcula que as duas companhias teriam juntas 30% dessa receita.

"Com certeza, a indústria vai fazer uma pressão velada ao Cade para que essa fusão não saia", disse um fabricante de alimentos, se referindo ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica. "Nenhum representante irá se posicionar publicamente contra, ou fará essa pressão explicitamente porque a não é do feitio da indústria tomar partido. Mas com certeza o setor vai procurar se defender", afirmou o empresário.

Entre os varejistas concorrentes, há interpretações diferentes. "Todo movimento de fusão ou de compra nesses últimos 12 anos se concentrou entre as maiores empresas do setor, que detém cerca de 40% das vendas", afirmou Galassi, que também é dono de uma rede de quatro supermercados em Campinas (SP). "Mesmo com tudo que aconteceu nesse período, os pequenos continuaram crescendo e conquistaram seu espaço", disse ele. Outro varejista, que preferiu não se identificar, prevê que a tradicional "pesquisa de preços" possa estar com os dias contados. "No Brasil, a concentração é ainda pequena, o que faz com que cada loja tenha seu preço. No México, por outro lado, o varejo é muito concentrado e os preços não variam."

A matéria é de Lílian Cunha e Alda do Amaral Rocha, publicada no jornal Valor Econômico, adaptada pela Equipe AgriPoint.

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