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Kepler Euclides Filho, pesquisador da Embrapa: "Precisamos massificar o consumo da carne ovina"

postado em 05/12/2012

1 comentário
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O FarmPoint está participando da 8ª edição da Semana da Caprinocultura e Ovinocultura Brasileiras (Secob) que está sendo realizada pela Embrapa Caprinos e Ovinos no período de 4 a 6 de dezembro, em Sobral (CE), com discussões sobre o tema "Prospectando Soluções de Pesquisa, Desenvolvimento e Transferência de Tecnologias para a Inovação nas Cadeias Produtivas".

O evento - tradicionalmente de caráter técnico-científico com palestras, minicursos e apresentação de trabalhos de pesquisadores e estudantes - nesta edição terá um formato diferente. "A VIII Secob foi concebida para identificar e sistematizar diretrizes de pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologias visando o desenvolvimento da caprinocultura e da ovinocultura brasileiras", explica o chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos, Evandro Holanda.

A programação foi dividida em três seções: Carne Ovina, Leite Caprino e Sistemas Pecuários. Cada um dos temas será abordado em palestra e discutido em mesa redonda com participação de palestrantes externos de várias regiões do país, funcionários da Unidade e representantes de diversos setores (industriais, produtores, pesquisadores de outras unidades da Embrapa e de instituições parcerias, agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural, formuladores de políticas públicas etc). Ao final, será gerado um documento que servirá para orientar o processo de produção da Embrapa Caprinos e Ovinos, mas poderá subsidiar também outras instituições de ciência e tecnologia e agências de fomento.

Ontem (04), quem abriu o evento e o painel "Carne Ovina", foi o pesquisador Kepler Euclides Filho, pesquisador da Embrapa. O tema da palestra foi: "Desafios da produção de proteína animal no mundo: papel dos ovinos". Ele iniciou a discussão comentando que há uma tendência de aumento do consumo de carnes pela população humana. "A medida que a renda das pessoas aumenta, há uma maior demanda por produtos de origem animal, porém, a sociedade está cada vez mais exigente e com demandas amplas, determinando cuidados na produção. Essas características devem nortear a nossa produção".

Ele mostrou dados reais que comprovam a queda de 11% do rebanho ovino mundial desde 1990 e o crescimento de 24% na produção devido o aumento da eficiência (maiores produtores não detêm maiores rebanhos). Kepler também frisou que a demanda global por carne de ovinos e caprinos aumenta devido ao crescimento populacional, crescimento da preferência por esses tipos de produto e aspectos religiosos. "Atualmente há uma queda nas exportações da Nova Zelândia e Austrália e um aumento de importação pelos Estados Unidos, o que implica em grande influência nos países asiáticos". Ele comentou que a participação dos países em desenvolvimento no período entre 2012 e 2021 crescerá 78% e que a entrada da Rússia na OMC favorecerá a carne ovina. A previsão é que o preço dos grãos permaneça elevado, o consumo de carnes continue em crescimento e as importações de carnes por países em desenvolvimento aumente.

O pesquisador ainda citou algumas razões que explicam o baixo consumo e o baixo crescimento da atividade no Brasil. Como por exemplo: sistemas de produção com manejo inadequado (gestão, qualificação/capacitação, deficiência de integração inadequada e falta de organização do setor), inconstância de oferta, baixa qualidade do produto ofertado, preço (elitização do consumo), oferta de animais padronizados, aspectos culturais, importação e valor competitivo do produto importado, inexistência de abatedouros e abates clandestinos, monitoramento da cadeia produtiva (manejo sanitário, genético, produtos com valor agregado, diversidade de produtos ofertados e qualidade assegurada). "Precisamos massificar o consumo principalmente quando temos aspectos culturais que afetam o mesmo".

Sobre a nova agricultura e seu papel, o palestrante lembrou que a sociedade está vivendo a onda da informação e consequentemente os consumidores estão em transformação e buscam produtos com qualidade assegurada. Além disso, destacou as características gerais e as tendências da agricultura entre 2030 e 2050: intensiva em conhecimento e tecnologia, integrada com cadeias de produção sustentáveis, alinhada com as demandas dos líderes das cadeias de valor, integrada às redes sociais de agricultura, que assegure soberania alimentar (alimentos seguros e funcionais), contribua para o bem-estar das populações rural e urbana, faça uso eficiente dos recursos naturais, estruturada em tecnologias que assegurem mitigação e adaptação, estruturada com base em características locais e regionais e provedora de serviços ambientais de qualidade.

A palestra de Kepler foi seguida de mesa redonda sobre problemas e necessidades do setor produtivo da carne ovina. A experiência de parceria público-privada que impulsionou a ovinocultura no Mato Grosso foi mostrada por Paulo de Tarso Martins, gestor da cadeia produtiva de ovinocaprinocultura da Secretaria do Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar daquele Estado. Ele destacou que o trabalho realizado, envolvendo governo estadual, prefeituras, sindicatos e associações teve foco na criação de condições para melhor comercialização dos animais.

Segundo ele, no período de 2007 a 2010, o comércio de caprinos e ovinos para outros estados gerou R$ 28 mil de ICMS contra somente R$ 6,2 mil do imposto em um período que vai de 1999 até 2007. Ele destacou ainda que, somente em 2011, este comércio de animais gerou R$ 86 mil de ICMS, crescimento de aproximadamente 300% em relação ao período anterior. "Isso mostra o quanto a atividade está em ascensão", ressaltou ele.

O empresário Ordomar Furtado, proprietário do restaurante Ordones (especializado em carnes) em Fortaleza (CE) relatou as dificuldades em abastecer seu estabelecimento com carne adquirida no Ceará. "Sai mais barato comprar carne do Sul do Brasil do que a daqui: 95% do que compramos vem de fora do estado. Falta abatedouros, é difícil encontrar carcaças padronizadas", afirmou ele.

Já o produtor rural José Roberto Alves citou que problemas como a diminuição dos rebanhos, a falta de organização dos produtores e a dificuldade com captação de água e custos de energia são alguns dos principais entraves para a ovinocultura no Nordeste. A mesa contou também com as participações da professora Alda Monteiro (UFPR), do gerente de produtos caprinos e ovinos da empresa Alta Genetics, Edson Siqueira; do coordenador de programas do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) da Bahia, Washington Serafim.

As informações são de Raquel Maria Cury Rodrigues (Equipe FarmPoint) e Adilson Nóbrega, jornalista da Embrapa Caprinos e Ovinos.

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Comentários

Carlos Alberto da Silva

Videira - Santa Catarina - Pesquisa/ensino
postado em 10/12/2012

Estamos organizando o III SEMINARIO REGIONAL DE OVINOCULTURA E CAPRINOCULTURA nos dias 23 e 24 de Fevereiro de 2013 em Iomere-SC
O Seminario enfoca a produçao, exposiçao, julgamento de animais e gastronomia.
Um dos temas mais solicitados é justamente o que o pesquisador da Embrapa  Kleber Euclides Filho, cita em sua palestra "... inconstância de oferta "
Gostara de sujestoes de palestrantes para o tema INCONSTÂNCIA DE OFERTA, adequado para regiao sul.
Obrigado.

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