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Kuyumtzief opina sobre preços entre indústriaxprodutor

postado em 10/02/2011

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O engenheiro agrônomo, produtor e instrutor do SENAR/MT Giorgi Kuyumtzief, de Tangará da Serra, Mato Grosso, enviou um comentário ao artigo "Como equilibrar preços entre indústria x produtor?". Abaixo leia a carta na íntegra.

"Muito bem, Equipe do FarmPoint!

Novamente vocês estão instigando os pretensos ovinocultores e os ovinocultores de fato a raciocinar na direção mais correta, efetiva e oportuna para buscar a evolução da nossa ovinocultura.

Não há como equilibrar preços entre a indústria e o produtor de ovinos antes de haver o amadurecimento necessário para que aconteça o equilíbrio entre as atitudes e posicionamentos entre eles. Enquanto as indústrias insistirem em enxergar o produtor como, apenas, uma oportunidade de abastecerem-se com matéria-prima de baixo custo, os produtores continuarão entrando e saindo da atividade com produtos de baixa qualidade e geradores de prejuízo (aos produtores, é claro). Do outro lado, enquanto os pretensos produtores de carne ovina teimarem em ficar no conforto de escoar o seu produto somente quando lhes convier e com a casualidade comandando a qualidade e a quantidade, não teremos uma mercadoria com a padronização necessária para gerar um hábito de consumo de carne ovina capaz de oferecer viabilidade e sustentabilidade a médios e grandes investimentos em qualquer um dos setores que poderiam formar uma cadeia produtiva. Estou me referindo, certamente, ao cenário geral, pois já estão acontecendo empreendimentos que, embora envolvam, ainda, pequenos rebanhos, estão mostrando que é possível fazer a ovinocultura de corte brasileira evoluir como uma atividade geradora de produtos nobres e não, como muitos demagogos insistem, de produtos "de preços acessíveis" para disputar mercado com as carnes populares. A demanda pela carne de cordeiro sempre estará ligada as suas características degustativas e não à necessidade de abastecer o cotidiano da mesa doméstica.

Só há necessidade de equilíbrios entre produtor e indústria quando o primeiro não tiver condições de, na forma individual ou coletiva, contratar os serviços de transformação da segunda para, ele mesmo (o produtor), abastecer o mercado consumidor e, aí sim, buscar equilíbrios em diversos aspectos. Para isso, o próprio produtor precisa ser o gestor de todo o processo. Como essa condição é, ainda, muito rara, vejo a necessidade de equilibrar os preços através de ações originadas pela harmonização entre as seguintes atitudes:

1ª - Predisposição, antes de tudo, de uma comunidade de produtores rurais em buscar renda através da produção de carne ovina.

2ª- Reconhecer a necessidade da existência de uma organização operacional e um mecanismo de produção coletiva de carcaças ovinas assumidos, gerenciados, assistidos e monitorados pela indústria interessada em transformá-las (as carcaças) em produtos que satisfaçam as circunstâncias qualitativas, quantitativas, sazonais e de regularidade ditadas pelo mercado consumidor. Todos os aspectos zootécnicos necessários ao sucesso de empreendimentos desse nível podem ser discutidos, predefinidos e executados, pois já existem e são simples.

3ª- Interesse do produtor em participar, discutir adequações e promover a evolução de um programa de produção que, embora gerenciado e monitorado por uma indústria específica, garanta a sustentabilidade e a viabilidade econômica e ambiental dos rebanhos envolvidos.

4ª- Vontade de ELIMINAR os paradigmas que cabresteiam a opinião dos ovinocultores quanto a considerar uma utopia a EQUALIZAÇÃO entre os interesses dos Produtores fornecedores de matéria-prima e da Indústria que absorve essa produção no sentido de utilizarem um mecanismo de produção que NÃO permita resultados casuais e nem ocasionais, tanto com relação à produção e remuneração dos primeiros quanto à eficiência na obtenção de resultados da segunda.

Daí em diante, o equilíbrio de preços entre a indústria e o produtor de ovinos será inevitável, além de positivo para os dois lados. Como prêmio, veremos a evolução do hábito de consumo interno de carne ovina, com ênfase à carne de cordeiro, e a disposição dos consumidores de pagar o preço necessário para garantir a produção (que é o que acontece, genericamente, com os PRODUTOS ORGÂNICOS, por exemplo).

Bem, para continuar é necessário enfatizar que essas atitudes (que poderiam gerar ações decisivas) são abstratizadas pela condição evolutiva da cultura nacional. No Chile, por exemplo, elas são bem mais concretas.

Enquanto a nossa ovinocultura vai amadurecendo, devemos continuar convivendo e enfrentando esses desequilíbrios generalizados entre as indústrias e os produtores de carne ovina. Embora publicações e manifestos tentem "dourar a pílula", a produção de carne ovina não consegue evoluir, pois, mesmo existindo um potencial imenso para sermos expressivos na atividade como produtores, a rapinagem de empresas que se vestem de "cordeiro" para facilitar as suas intenções de "lobo" tem provocado um grande prejuízo à atividade em nosso país, tanto de recursos financeiros como de tempo desperdiçado. E o mais grave é que existem situações onde o setor público apóia e facilita a ação dos que, como indústria ou seus prepostos, propagandeiam-se como grandes fomentadores da atividade, mas estão sugando o fôlego dos que conseguem, ainda, permanecer nela. O resultado é uma desmotivação cada vez maior em possuir ovelhas. Eu já disse em outras oportunidades e repito: enquanto a hipocrisia, a demagogia, o individualismo e a ganância estiverem dominando, o Brasil não deixará de ser um mero "criador de carneiros" para passar a ser um "fornecedor internacional de carne ovina".

Um abraço a todos".

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