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Leitor comenta produção de cordeiros no sul do país

postado em 19/03/2008

1 comentário
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O leitor do FarmPoint Cristiano Haetinger Hubner, participa no Fórum Técnico "Gerenciamento", tópico"Iniciar criação de ovinos". O leitor contribui no fórum comentando sobre a criação de ovinos no sul do país. Confira:

"Sou gaúcho, residente em Santa Maria e professor de Zootecnia no CEFET-SVS (São Vicente do Sul- RS). Talvez eu possa lhe "clarear" alguns aspectos sobre pecuária ovina. No RS são diversas raças de ovinos criadas e adaptadas à região, sendo as principais: tipo lã (Merino e Ideal), carne e lã (Romney Marsh e Corriedale, sendo que a segunda predomina) e raças de corte (Texel, Ille de France, Suffolk e Hampshire Down). As raças de lã e as de duplo propósito são mais rústicas e menos exigentes nutricionalmente, porém produzem carcaças mais leves e com maior percentual de gordura, sendo que as carcaças de animais adultos não tem boa aceitação por parte dos consumidores, mas sem maiores problemas em se tratando de cordeiros.

A lã desses animais tem um bom valor comercial, variando de R$ 4,00 a 7,00 o kg de velo sujo, conforme o diâmetro.

As raças de corte são exigentes em alimentação, que deve ser ofertada em quantidade e qualidade. Produzem carcaças pesadas e com pouca deposição de gordura, muito apreciadas pelos consumidores. Os cordeiros atingem peso de abate ao redor de 100 dias de vida em condições nutricionais e sanitárias adequadas. Em estudos realizados na UFSM, onde as ovelhas foram mantidas com cria ao pé em pastagem de azevém + aveia, o peso de abate de 30 kg (recomendado por quase todos os estudiosos do assunto) foi atingido por volta dos 70 dias de idade. Também o índice de partos gemelares é significativo nas raças carniceiras, e pode ser melhorado com o uso de algumas técnicas de manejo, como o flushing.

Bem, o solo da sua propriedade parece ser bem drenado (arenoso), então é favorável à ovinocultura (solos úmidos podem causar problemas podais, como o foot-rot). A lotação depende da raça, categoria e condições da pastagem, mas varia de 2 a 5 animais em campo nativo, sem suplementação. Em pastagens cultivadas esse número pode ser de 10 `a 20 animais, dependendo da espécie cultivada e fatores que determinam o crescimento da pastagem (que são muitos).

Bem, podemos simular o investimento inicial a seguir: em 80 ha de campo nativo, você pode criar 300 ventres de raças de corte com folga, necessitando uns 10 carneiros, que são mais do que suficientes. Contudo, há necessidade de suplementação no outono-inverno, período de baixo crescimento do campo nativo e que coincide com o período de maior exigência das ovelhas (época de gestação, parição e lactação); para isso você pode lançar mão de forragem conservada ou pastagens cultivadas, o que pode ser produzido nos 12 ha restantes.

Os carneiros preferencialmente devem ser de raça pura e se possível puros de origem ou puros por cruza (RGB); as ovelhas podem ser de cruzas como 1/2 Texel x 1/2 Ille de France, o que até é interessante quando se considera o vigor híbrido das mesmas.

Considerando um custo de R$ 125,00 por fêmea (rebanho geral) temos um investimento de R$ 37.500,00; para 10 carneiros PO ou RGB um gasto próximo a R$ 10.000,00.Pastagem, silagem, medicamentos, esquila , sal mineral, cercas, mão de obra, luz, combustível e outros, em torno de R$ 20.000,00.

Considerando 90% de fertilidade = 270 ovelhas prenhes
150% de natalidade = 405 cordeiros
5% mortalidade = 20 cordeiros e 15 ovelhas
Animais para reposição: 75
Descarte: 71
Vendas: 75 ovelhas descarte x R$ 125,00 = 8.906,25
Cordeiros 30 kg Peso vivo: 310 x R$ 70,00 = 21.700,00
Lã (só das matrizes e reprodutores): 950 Kg x R$ 1,50 = 1.425,00

No primeiro ano, em função da aquisição das matrizes e reprodutores, o saldo é negativo (aproximadamente R$ 35.000,00). Já no segundo ano, prejuízo de mais ou menos R$ 3.000,00.

Mas isso em se tratando de um sistema tradicional de produção (um parto / ovelha / ano).
Empregando um sistema acelerado de parição, com técnicas de indução e sincronização de cio, pode-se obter facilmente 3 partos em dois anos, ou seja, um parto a cada 8 meses, e então já teria lucros próximos de R$ 7.000,00 no segundo ano.

Contudo, o preço dos insumos e dos produtos (carne, lã, peles, esta última nem foi considerada nos cálculos) varia muito, podendo estes valores aumentarem ou diminuírem.

Outra alternativa seria produzir animais de plantel, que são comercializados por valores bem maiores, conforme a pureza racial.

Bem, espero ter ajudado um pouco, mas o assunto é bem mais amplo e estou à disposição para tratar melhor do assunto."


Mariana Paganoti de Oliveira, Equipe FarmPoint.

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Comentários

Eduardo Gonçalves Dias Neto

Bagé - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão rural
postado em 27/03/2008

Atualmente na propriedade,ovelha só para consumo.

Bem já trabalhamos com 12000 ovelhas.A lã na época valia bem, mas a china começou a produzir a sintética e a criaçáo foi abandonada,em função do custo beneficio.

Eu particularmente sempre gostei da criação de ovelha,pois a ovelha além de limpar os campos,ela aduba naturalmente a terra. Hoje a criação por aqui pegou força de novo em função dos preços,e as exportaçoes. Inclusive a china está com uma boa parcela deste mercado.

Aqui no sul inclusive, o nosso comentarista esportivo, Galvão Bueno investiu na ovinicultura. Numa região proxima ao municipio de Bagé, a 40km, que tem uma legenda de solo mais apropriada,campos mais altos.

Conforme o sistema de manejo,é variavel, região clima,topografia de solo.Bem organizado o mapa financeiro do artigo.

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