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ONU: será preciso o dobro de alimentos até 2050

postado em 10/09/2008

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O mundo terá de aumentar a produção de alimentos em 50% até 2030 e dobrar até 2050 se não quiser sofrer com a escassez nas próximas décadas. O alerta é do relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à alimentação, Olivier de Schutter.

Ele comenta que o recente aumento nos preços de alimentos já afetou 100 milhões de pessoas. Uma alta de 20% até 2025 colocaria outros 440 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza. "Um obstáculo para o já lento progresso em lidar com a má nutrição será inevitável."

Ele apelará aos países para que uma nova estratégia mundial seja criada para evitar uma crise. Mesmo antes da crise, 852 milhões de pessoas sofriam com a falta de alimentos. Aponta ainda que apenas incrementar a produção não resolverá a crise. Hoje, dois bilhões de pessoas vivem com deficiências de micronutrientes e uma nova estrutura de distribuição e acesso aos alimentos precisará ser criada. "Produzir alimentos não vai aliviar a fome dos mais pobres. Precisamos também aumentar a renda daqueles que a produzem", afirma o documento.

A ONU admite que o setor agrícola precisa de investimentos privados. Mas um sistema precisa garantir a inclusão dos pequenos agricultores no comércio. O relator cita um estudo do Banco Mundial que aponta para o fato de que o Brasil, Colômbia e Vietnã reduziram seus ganhos com a venda de café entre os anos 1990 e 2002, enquanto o valor das vendas duplicaram nesse período.

A especulação no setor de commodities, segundo a ONU, seria um dos pontos que precisariam ser atacados com urgência. Entre as soluções, a entidade sugere a criação de uma reserva internacional para ajudar países afetados pela especulação nos alimentos. Outra opção seria a criação de um seguro que compense pela alta nos preços de alimentos.

Um acordo na Rodada Doha também seria uma solução. Mas a ONU alerta que não será qualquer acordo que ajudará a combater a fome. Um dos temores é de uma liberalização apenas abra mercado aos grandes produtores, afetando os pequenos agricultores em países emergentes.

As informações são de Jamil Chade para o jornal Estado de SP, resumidas e adaptadas pela equipe AgriPoint.

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