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Pedro Nacib opina sobre o modelo produtivo de ovinos

postado em 29/01/2010

8 comentários
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"Parabenizo a Marfrig pelo investimento na linha de abates de ovinos. Isso, de modo geral, é muito bom ao setor e alavanca a estruturação da ovinocultura industrial.

Ao mesmo tempo, alguns fatos me deixam receosos, por exemplo, de como a Marfrig pretende estruturar a cadeia indo contra diversos modelos de sucesso onde a ovinocultura é estruturada como Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, França, Espanha, Irlanda, Uruguai. Parece que quer-se criar um novo modelo, com itens que aparentemente podem levar ao insucesso da atividade e trazer grande desanimo no setor.

Primeiramente, pela ideia de confinamento de cordeiros. Sabe-se que trabalhando com animais de genética melhorada, consegue-se em rebanhos comerciais, cordeiros que atinjam o peso de 30 a 40 kg com 90 a 120 dias, alimentados basicamente com o leite materno. A utilização destes animais melhora a lucratividade do produtor de carne, que gastará menos com alimentação concentrada.

Não podemos esquecer o fato da ovelha ser ruminante e temos de explorar a maravilhosa capacidade de transformar mato (fibra) em algo nobre como a carne (proteína). A utilização de alimentos como milho e soja encarecem a produção, podendo inviabilizá-la.

Materiais técnicos publicados inclusive neste site mostram a desvantagem econômica para o produtor de confinar, além do fato de vender animais antes do peso de abate não ser economicamente interessante ao produtor e o stress causado pelo deslocamento do cordeiro para o confinamento traz quebra de ganho de peso e retardo para atingir o peso final, encarecendo o produto final.

O confinamento em barracão traz um grande custo de mão de obra e uma alta concentração pode trazer diversos problemas sanitários, principalmente pela grande umidade acumulada no confinamento, trazendo problemas respiratórios e frieiras de casco.

Referente a utilização do Highlander e Primera, com certeza é uma estratégia operacional da empresa que não cabe a ninguém julgar, porém lembro de alguns detalhes que, novamente, fogem dos modelos de criação industrial de ovinos viáveis e rentáveis pelo mundo.

O programa da Rissington tem um ideal muito nobre e interessante, porém a quantidade de animais testados é inúmeras vezes menores quando comparado, por exemplo, ao programa Lambplan, que avalia, só da raça Poll Dorset, mais de 300 mil animais por ano, trazendo um resultado para produção de carne muito maior.

Outro fator é a existência de raças muito mais adaptadas ao cenário nacional e devido a extensão do Brasil aos cenários regionais. Será que a adoção e valorização das outras raças como Texel, Ile de France, Poll Dorset, em cima de raças maternas como Dorper, White Dorper, Morada Nova, Santa Inês não seria interessante a nível de ovinocultura nacional e não só empresarial?

Peço desculpas pelos comentários, mas pelo fato de acreditar no projeto de ovinos da Marfrig para a ovinocultura brasileira, coloco aqui algumas considerações que talvez sejam interessantes a nível da ovinocultura brasileira e mais uma vez parabenizo a Marfrig pela empreitada de verticalização da ovinocultura brasileira.

A ovinocultura brasileira é uma realidade e hoje, como diz Dr. Gabriel Jorge Neto, um grande nome da avicultura brasileira, tem todo o potencial que a avicultura brasileira apresentava a 30 anos atrás e atualmente o Brasil é o maior exportador de carne de frangos do mundo com um valor de mercado acima da média mundial. São projetos como este que alavancarão a atividade e farão da ovinocultura brasileira daqui a 30 anos o que hoje é a avicultura brasileira."

Clique aqui para ler mais opiniões sobre este assunto.

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Comentários

Diogo J. Watanabe

São Paulo - São Paulo - Zootecnista
postado em 29/01/2010

Olá Pedro.
Você escreveu um ótimo artigo e também concordo que a verticalização da cadeia é a melhor opção para o crescimento da ovinocultura. Porém, a minha visão é outra.
O custo de implantação de um sistema extensivo é alto, porque a área utilizada é bem maior quando comparada a de um sistema semi-intensivo, havendo a necessidade de um gasto superior com a aquisição do terreno, sem falar no custo para formar essas pastagens.

-Qual seria o tamanho de uma propriedade com 1000 matrizes?
-Qual seria a taxa de lotação?
-Seria um sistema de pastejo rotacionado?
-Esses animais receberiam suplementação durante a seca?
-O custo de manutenção da pastagem não seria maior?

No sistema semi-intensivo, a utilização do creep-feeding propicia um desenvolvimento mais rápido das papilas ruminais e maior peso à desmama, além de antecipar o desmame e possibilitar o retorno da ovelha à reprodução (menor intervalo entre partos).
Quando os cordeiros são destinados ao confinamento, eles já estão acostumados a ingerir a ração, diminuindo o período de adaptação. Sem contar que o índice de conversão alimentar será menor utilizando uma ração balanceada.
No confinamento, podemos manipular as dietas para atingir os objetivos, e até mesmo contornar problemas com maior facilidade e agilidade.
Os dejetos provenientes do confinamento podem ser utilizados como fertilizantes, ajudando a diminuir o custo de manutenção da pastagem.
O objetivo deste comentário não é provocar discórdia, apenas acho interessante colocar os dois pontos de vista.

Jaime de Oliveira Filho

Itapetininga - São Paulo - Consultoria/extensão rural
postado em 31/01/2010

Realmente podemos dizer que existe uma sisma entre dois pontos fundamentais para estruturação da cadeia produtiva, que é o setor de produção e a agroindústria, onde na minha opinião deviam ser mais cooperadoras entre si.
Sabemos que o setor produtivo (dentro da porteira) sempre tem pago o maior preço, enquanto o setor industrial (fora da porteira), sempre tem ficado com a fatia maior conseguindo agregar maior valor aos produtos, pois se trata do setor com mais recursos e profissionais capacitados e aí que eu acho que as coisas começam a falhar, pois se o setor industrial depende do produtivo e vice versa porque não existe uma parceria de ambos os lados , já que um depende do outro, com o setor industrial fazendo extensão rural para que o setor produtivo aumente sua capacidade e possa suprir a demanda da agroindústria e o setor industrial respeitando o ganho do produtor, pois entendo que se este não estiver ganhando, ele para com a atividade e o setor industrial consequentemente também será prejudicado, "para se conseguir uma boa melodia precisa combinar as notas músicais" senão sabemos que não dá para escutar.
Falo como produtor rural e como técnico no setor e volto a dizer que a ovinocaprinocultura será a maior fonte de produção de proteína animal para o mundo e essas duas partes que são fundamentais para a cadeia produtiva deve se ajustar o quanto antes para que o setor cresça e o setor do agronegócios confie na atividade e possa se espandir e a grande fronteira agricola do mundo é a do Brasil.

Pedro Alberto Carneiro Mendes

Fortaleza - Ceará - Consultoria/extensão rural
postado em 31/01/2010

Caros Pedro e Diogo

Li com interesse as matérias divulgadas por voces e sobre elas me permito escrever esse comentário. Para tanto parti da primeira indagação do Diogo:
Qual o tamanho da propriedade com 1.000 matrizes?.

Considerados os índices técnicos da EMBRAPA - Caprinos, teremos um rebanho permanente de 2.438 animais, sem considerar a mortalidade, assim distribuídos:
25 reprodutores
1.000 matrizes
1.413 crias anuais,
Estas crias considerada a mortalidade de 7% seriam reduzidas a 1.238 cabeças, permitindo um abate de:
3,4 cabeças dia
103 cabeças mês
1.238 cabeças ano
Deixo de calcular o rendimento bruto pois não sei os preços vigentes nas regiões de vocês, entretanto acredito que não sejam exageradamente animadores.

No Ceará, também por orientação da EMBRAPA - Caprinos, consideramos a UA de caprinos e ovinos igual a 270 kg e não 450 kg como no bovino, cálculo considerado de acordo com o peso metabólico. Se for interesse de vocês poderemos comversar sobre isso, estes valores são fundamentais para cálculo da capacidade de suporte.
E finalmente a comparação com a avicultura considera muito otimista ou até mesmo irreal.
Um abraço
Pedro Alberto

LAUDELINO DE SOUSA FILHO

Salvador - Bahia - Produção de ovinos
postado em 03/02/2010

Qual o tamanho da propriedade para 1000 matrizes? Se houver possibilidade de irrigação com pastoreio rotacionado, qual a densidade?

Pedro Nacib Jorge Neto

Campinas - São Paulo - Nutrição de Ruminantes / Reprodução de Ovinos
postado em 22/02/2010

Prezado Diogo,

primeiramente agradeço os comentários, com certeza permitem um melhor aproveitamento do assunto.

Uma criação extensiva normalmente é realizada em áreas com terras mais baratas. São Paulo por exemplo, possui terras com valores muito alto, portanto, no meu ponto de vista, não viáveis para a ovinocultura.
Não acha mais barato formar pastagens de qualidade e mante-las do que comprar grãos e ter além do custo dos grãos, de fazer a ração, a mão de obra para tratar?

Respondendo aos ítens:
-Qual seria o tamanho de uma propriedade com 1000 matrizes?
250 hectares de pastagens, considerando a lotação baixa de apenas 4 cabeças por hectare
-Qual seria a taxa de lotação?
acima
-Seria um sistema de pastejo rotacionado?
pastos grandes, rotacionados. Não é o fato de ser extensiva que há baixa tecnologia.
-Esses animais receberiam suplementação durante a seca?
com essa lotação de 4 cab/hec, não vejo necessidade em boa parte das regiões
-O custo de manutenção da pastagem não seria maior?
com certeza é inumeras vezes mais barato que produzir ração e ter que tratar com ração. Nas minhas contas, o kg de pastagem (em matéria seca) é de R$0,06. Para o kg de ração (matéria seca, com subprodutos) é de R$0,45, ou seja, mais de 5 vezes mais caro. Isso sem considerar a quantidade a mais de horas de mão de obra necessárias por dia para tratar no cocho.

Com genética, conseguimos resultados. Não adianta algo ser lindo na teoria e não se aplicar à prática. Tudo o que disse referente ao confinamento concordo, mas na hora que coloca na ponta do lápis, verá que a realidade é diferente.

É muito mais barato a longo prazo investir em genética e pastagens de qualidade do que em confinamento. O cordeiro de genética consegue chegar em pastagens boas ao peso de abate aos 90-100 dias. Para que usar então confinamento, gastar mais e ter um resultado similar?

Att.
Pedro Nacib Jorge Neto

Pedro Nacib Jorge Neto

Campinas - São Paulo - Nutrição de Ruminantes / Reprodução de Ovinos
postado em 22/02/2010

Prezado Jaime de Oliveira Filho,

excelentes colocações, mostrando principalmente o ponto de vista do produtor.

Att.
Pedro Nacib Jorge Neto

Pedro Nacib Jorge Neto

Campinas - São Paulo - Nutrição de Ruminantes / Reprodução de Ovinos
postado em 22/02/2010

Prezado Pedro Alberto Carneiro Mendes,

agradeço os números que passou.

Referente ao crescimento da ovinocultura, uma vez estruturado o sistema, não vejo o porquê ser irreal.

Att.
Pedro Nacib Jorge Neto

Yohan Mattenbach

Manaus - Amazonas - Pesquisa/ensino
postado em 13/06/2011

Realmente interessante a argumentação acima. Estou  direcionando um estudo para aplicação intensiva com a utilização de  fungos na alimentação para quebrar melhor a cadeia de açucares e conseguir um melhor aproveitamento real das fibras. Vou comparar os meus resultados esperados com a argumentação do Dr Nacib. Talvez venhamos a conseguir resultados ainda melhores.
Atenciosamente,
Yohan Mattenbach, pesquisador

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