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Restrição de oferta, demanda aquecida e financeirização sustentam preços de milho e soja

Por Rodolfo Tramontina de Oliveira e Castro (FarmPoint)
postado em 01/06/2011

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Diferente do ano anterior, em 2011, os gastos com alimentação têm sofrido variações bem maiores que os preços ao produtor, estreitando a margem de lucro na atividade. Soja e milho, os dois principais componentes da ração, têm tido importante participação nesse incremento e pelo cenário apresentado no "Seminário Perspectivas para o Agrobusiness 2011 e 2012", organizado pela BM&FBovespa, essa tendência não deve se inverter.

Segundo os especialistas Carsten Wegener, da ADM do Brasil, e Fernando Muraro, da AgRural Commodities Agrícolas, que apresentaram as perspectivas para o mercado de milho e soja, respectivamente, são três as principais razões para essa escalada de preços: restrição da oferta, choque da demanda e a financeirização das commodities.

Restrição da oferta

A restrição de oferta para as duas commodities (e outros grãos) é um fenômeno mundial e que tem respondido por boa parte da alta dos preços. Os estoques, explicados pela relação de estoque/consumo, encontram-se sob níveis historicamente baixos, enquanto alguns importantes produtores desses grãos reportaram problemas advindos de adversidades climáticas.

Em termos de produção de milho, no momento, os olhares estão voltados para o plantio da safrinha brasileira e da safra norte-americana, que enfrentam problemas climáticos contrários. No Brasil, a região Sul, amarga um clima seco que pode prejudicar a evolução do plantio; contudo, uma frente fria é esperada para essa semana. A produção total estimada é de 55,6 milhões de toneladas (Conab), 0,7% abaixo da safra anterior de 56 milhões de t, devido a diminuição da área de milho de 1ª safra. Para o milho de 2ª safra houve incremento de 4,5% na área plantada.

Já nos EUA, o excesso de chuvas é que tem atrasado o plantio, com área plantada até a semana passada 8% inferior as médias dos últimos 5 anos. A evolução do plantio no país será um fator determinante de preços. A estimativa para a safra norte-americana, no início de maio, foi de 342,9 milhões de toneladas (Usda), mas esse valor deve sofrer alguma alteração devido às condições anteriormente citadas.

Para a soja, o cenário é mais favorável em termos de produção, com o Brasil produzindo cerca de 73,2 milhões de toneladas (AgRural) - valor pouco acima da projeção de 72,2 milhões da Conab - e alcançando médias de produção excepcionais, aliado ao crescimento de área de plantio, de cerca de 2,3% sobre a última safra (AgRural). Esse último fator é o mesmo comportamento observado em produtores de soja na América do Sul, onde se observou um incremento de 2,5 milhões de hectares sobre a última safra.

Nos EUA, houve redução da área plantada de soja em detrimento do milho, cultura mais rentável. Contudo, se o atraso no plantio de milho nos EUA persistir alguma área começa a migrar para o plantio de soja, o que seria um amenizador dos estoques "zerados" de leguminosa no país. A estimativa da safra norte-americana é de 89,4 milhões de toneladas (Usda), 1,3% inferior à safra anterior.

Na Argentina, dados oficiais do governo estimam uma produção de 50,4 milhões de toneladas, contra 49,2 milhões de t projetadas pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires devido a adversidades na colheita.

Choque da Demanda

O crescimento da demanda por alimentos de origem animal é um fenômeno fácil de entender. São três os principais fatores: crescimento da renda, urbanização e mudança de hábitos alimentares, que tem na China seu maior exemplo.

Esses três fatores atuam concomitantemente e é difícil distinguir onde começa um e termina outro. O fato é que a demanda por alimentos é crescente e deve permanecer em ritmo acelerado à medida que mais pessoas migram de áreas rurais para as cidades, aumentam sua renda e com isso compram mais alimento, normalmente tendo acesso a dietas mais ocidentalizadas, à base de alimentos de origem animal, levando à mudança de seus hábitos alimentares. Desta forma, alimentos como carne de frango, suína, bovina e lácteos, que demandam grande quantidade dessas duas commodities para serem produzidos, ganham espaço.

"Ainda, nos EUA, há um crescimento da demanda de milho para etanol para abastecer o mercado doméstico, que conta com taxação e subsídios favoráveis para produção. A participação da exportação na safra de milho dos EUA só diminui", incrementa Carsten Wegener.

Financeirização das commodities

Esse foi um dos assuntos mais abordados por Fernando Muraro durante sua apresentação, quando lembrava dos "bons tempos em que oferta e demanda ditavam os preços". De fato, as commodities têm sofrido cada vez mais influências externas à oferta e demanda.

A Financeirização seria basicamente a influência de variáveis macroeconômicas e financeiras mundiais na precificação das commodities. A especulação financeira, ocasionada pela falta de oportunidades rentáveis em outros investimentos, tem fluído e deve continuar fluindo dinheiro para a especulação com preços de commodities. Prova disso, para Muraro, é o "crescimento de fundos de hedge e investimentos em commodities. E até o surgimento de políticas que visam a regulação dos mesmos, o que não existe para outros tipos de investimento".

Muraro também apresentou outros dados como a alta correlação entre o índice de preços de commodities (CBR) e inverso do dólar, e como a política monetária dos EUA de desvalorização da moeda deve sustentar o preço das commodities em elevados patamares.

Conclusão

Em suma, pelo que foi apresentado e debatido no seminário, os preços dessas duas commodities devem permanecer sob elevados patamares pelo menos nos próximos três meses, mantendo a alta dos custos de produção e estreitamento das margens.

Uma mensagem que ficou foi de que cada vez mais fatores externos exercem influência nesses preços e que previsões para períodos maiores são mais difíceis de serem acertadas. Contudo, em termos de oferta e demanda, coeteris paribus, os preços de milho e soja devem subir ainda mais.

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