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Uruguai: queda de 40,5% na exportação para o Brasil

postado em 09/07/2010

10 comentários
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Recentemente os Estados Unidos, alguns países da Europa e o Canadá, abriram seus mercados para a entrada de carne ovina uruguaia. O Uruguai nunca exportou carne ovina desossada e maturada ao Canadá, mas agora, após seis anos de negociação, esse destino se abriu. O México, grande consumidor de carne ovina, em breve também poderá se tornar importador de carne ovina uruguaia, sendo que atualmente importa da Nova Zelândia e Austrália, porém, nessa semana, as autoridades sanitárias mexicanas enviaram ao Uruguai um documento para regulamentar a exportação de carne ovina.

A consequencia da abertura desses novos mercado resultou no decréscimo de carne ovina exportada para o Brasil durante este ano e em 2009. No primeiro semestre de 2007, o Brasil importou do Uruguai 2,8 mil toneladas de carne ovina; em 2008, importou 3,5 mil toneladas (crescimento de 23,15%), e em 2009, 2,9 mil toneladas - queda de 16% comparado ao ano anterior. Essa queda nas importações se acentuou ainda mais no primeiro semestre desse ano, apresentando redução de 40,57%, totalizando 1,7 mil toneladas (dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDCI). (Gráfico 1).

Apesar de ter aberto novos mercados, neste primeiro semestre de 2010 as exportações de carne ovina com osso do Uruguai apresentaram queda de 30,1% comparado ao mesmo período do ano passado, passando de 14.407 toneladas para 10.057 toneladas (INAC, 2010). Provavelmente, a queda nas exportações é decorrente da diminuição do rebanho. Já o valor das exportações de carne ovina do Uruguai cresceram neste primeiro semestre. Comparando o período de 1º de janeiro a 24 de abril de 2009 em relação a 2010, houve um aumento 23,86% no valor da exportações, passando de US$ 19,275 milhões em 2009, para US$ 23,875 milhões em 2010.

Gráfico 1 - Importação de carne ovina uruguaia pelo Brasil no 1º semestre de 2007, 2008, 2009 e 2010.

Clique na imagem para ampliá-la.

Hoje, o grande gargalo que o setor ovino uruguaio apresenta é queda constante de seu rebanho. O Uruguai tinha um rebanho estimado de 22 milhões de cabeças há mais de uma década e, agora, esse rebanho não chega a 10 milhões de cabeças. A cada ano, o rebanho diminui em média 1 milhão de cabeças.

Como a produção brasileira ainda não é capaz de atender a demanda, e as importações do Uruguai estão comprometidas, isso pode causar um efeito positivo ou negativo no Brasil. Será positivo se a cadeia se estruturar para aumentar a produção, mas negativo se a baixa oferta comprometer o consumo brasileiro.

Considerando a crescente demanda pelo produto, você acredita que essa situação possa favorecer o desenvolvimento da ovinocultura brasileira?

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Equipe FarmPoint

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Comentários

Guilherme A. Tessaro

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - OUTRA
postado em 10/07/2010

Boa tarde,

Como produtor e pesquisador no setor de ovinocultura, acredito que a demanda pela carne irá elevar ainda mais os preços pagos ao produtor, o que deverá servir como um estimulo a produção. Porém, essa resposta da produção deveria ser rápida, de forma a evitar elevados preços ao consumidor, que além de encontrar pouca informação sobre o produto (carne de cordeiro, ovelha ou carneiro) ainda terá que pagar altos preços, resultando em uma substituição por outras carnes. A importação de carne do Uruguai serve com um estímulo ao consumo interno, pois em muitas épocas do ano o consumidor somente encontra carne importada (congelada) e não encontra carne local.
Novamente, a organização da cadeia de produção ovina, tanto produtor produzindo mais e melhor (o mesmo padrão de produto - peso, gordura...), e a indústria divulgando este produto (degustação no varejo), são fundamentais nesta fase oportuna. Obrigado.

francisco de assis de carvalho pires

Mirandiba - Pernambuco - Ovinos/Caprinos
postado em 10/07/2010

Acredito que será positivo, principalmente para o mercado nordestino, contanto que esse se adapte as exigências do mercado; para isto ser possivel é necessário que as autoridades facilitem e criem mecanismos para podermos colocar os nossos produtos, com a instação de abatedouros e meios que facilitem a venda dos mesmos, que estão ja tendo uma melhora consideravel nas suas carcaças e com o estímulo melhorarão mais ainda.

Julio Erasmo Reich

Querência - Mato Grosso - Produtor de ovinos
postado em 10/07/2010

Ótima análise. Estavamos carentes de informações sobre essa situação e vocês trouxeram de forma simples as informações necessárias para que a gente veja em números a situação das importações de carne ovina. Parabéns. Eu acredito que até o final desse ano caia mais ainda esse número ou permaneça igual. É a hora da produção dar um "up", porém, deve ser rápido para que os preços não subam muito para os consumidores e ocorra substituição, já que a carne ovina não é a preferência da população brasileira.

Carlito Nóbrega

Presidente Prudente - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 10/07/2010

É bom que os produtores saibam dessa situação. Logo no começo do ano assisti a entrevista que vocês fizeram com o Robson Leite da Savana Agropecuária e lá ele dizia para se possível, o produtor vender tudo o que tinha para investir na ovinocultura, porque a demanda é grande e esse ano as importações iriam cair mesmo. Então, com organização e planejamento, vamos fazer um trabalho legal. Abs,

Lucia Mabel Saavedra Bousses

Campo Alegre - Santa Catarina - Produção de ovinos
postado em 12/07/2010

A abertura de novos mercados para a carne ovina uruguaia, servirá para pressionar a cadeia da ovinocultura brasileira a se organizar mais rápido e aproveitar a oportunidade para planejar a oferta de produto. Se os sprodutores nao se organizarem e agirem prontamente, não teremos oferta suficiente para atender da demanda do mercado interno que buscará em outros mercados produto para suprir o consumo.

Norberto Paiva Pereira

Treinta y Tres - Treinta y Tres - Uruguai - Produção de ovinos
postado em 12/07/2010

Te escribo desde Uruguay, somos productores de ovinos de carne, raza Texel,
El gran aumento de precio de la carne ovina en nuestro país se debe fundamentalmente la venta a medio oriente. Lo peor es que nuestro país (Uruguay) no premia al productor por calidad de carcaza. Además el stock ovino sigue decayendo. A su respuesta evidentemente en su país como en el mundo el desarrollo de la ovinocultura carnicera se fortalecerá.
Por otra parte el comercio monopólico de carne a San Pablo provoco la baja del precio en el mercado interno Brasilero, desinteligencia que llevo a que toda la producción ovina en la región disminuyera.
La cuestión es que se pague por calidad como lo hace los países de ovinocultura desarrollada.

Igor Vaz

Pelotas - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos
postado em 12/07/2010

Como produto rural em Bage - RS, proprietário de um rebanho de 6.000 ovinos e caprinos e estudante de MBA em Agronegocio, acredito ter certo conhecimento para afirmar que:
- Sem união de produtores para produzirmos em escala nao haverá condições.
- Há necessidade de mudar (falando de RS) a cultura para produção de carne e não mais para laneira.
- Introdução de genética eficiente (somos a unica cabanha no Brasil que possui genetica booroola) pois a competitividade depende nao so da nutrição e manejo, mas de genetica.
- Preço coerente com o custo de produção ao produtor mesmo em tratando-se de uma commoditie, para incentivar a produção.

Em resumo, como não temos escoamento da producao, temos planos de diminuir a produção de ovinos e focarmos apenas na produção de gado Angus, só nao iremos acabar com a ovinocultura pois a cabanha produz ovinos desde 1859.

A proposito, os colegas do Agripoint sabem o que significa "booroola" ?

Lutero de Andrade Oliveira

Piripiri - Piauí - Produção de ovinos
postado em 12/07/2010

Como produtor de caprinos e ovinos, técnico inspetor da ARCO e pesquisador no setor de ovinocaprinocultura, acredito que a demanda pelos produtos animais de alta linhagem e de animais comerciais aumentará elevando a demanda de carne e produtos derivados e irá elevar ainda mais os preços pagos ao produtor, o que servirá como um estimulo a produção de animais de alta linhagem e de animais comerciais. Porém, essa resposta da produção se for lenta vai encarecer o produto final de forma a elevar os preços ao consumidor, que além de encontrar pouca informação sobre o produto (carne de cordeiro, cabrito, bode, ovelha ou carneiro) ainda terá que pagar altos preços, resultando em uma substituição por outras carnes. A importação de carne do Uruguai serve com um estímulo ao consumo interno, pois em muitas épocas do ano o consumidor somente encontra carne importada (congelada) e não encontra carne local. Precisamos aumentar o nosso plantel de forma a atender a demanda existente e sair dessa dependência externa que é a importação desses produtos uma vergonha a ser enfrentada. Novamente, gostaria de frizar que o maior gargalo é falta de organização da cadeia produtiva da ovinocaprinocultura, tanto por parte do produtor em produzir mais e melhor (o mesmo padrão de produto - peso, gordura...), e a garantia de abatedouros ou salas de abate com inspeção dos orgãos municipais, estaduais e federal e todos juntos, a indústria divulgando este produto, que é um potencial, junto aos consumidores (degustação no varejo, etc.), são fundamentais dentro deste agronegócio mais promissor em nosso país devemos aproveitar esta fase oportuna. Obrigado e saudações a todos ovinocaprinocultores.


André Oliveira

São Paulo - São Paulo - Mídia especializada/imprensa
postado em 12/07/2010

Minha avaliação é que a medida se situa no meio termo.

É bom porque aumenta a necessidade do produtor brasileiro apresentar cordeiros ao mercado e é ruim porque na maioria dos casos eles não tem cordeiro para entregar.

É fundamental que a Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos aja imediatamente para que as instituições públicas de fomento e financiamento criem um plano de emergência para os próximos 12 meses visando oferecer condições para que os produtores consigam, pelo menos, fechar lotes para encaminhar aos frigoríficos, com terminação de cordeiros a custos mais baixos em sistema cooperativado.

Não sei se ocorreria via associações ou por apoio direto aos frigoríficos, mas é necessário aumentar rapidamente a disponibilidade de cordeiros.

Ou há apoio imediato ou as autoridades terão de que desfazer as medidas de proteção ao produtor brasileiro visando preservar a credibilidade da carne de cordeiro junto ao atacado e ao varejo.

No médio e longo prazo o sistema de produção atual encaminha-se para suprir a demanda nacional, mas é necessário um plano de ação mais forte, que agregue produtores e pecuaristas de outras espécies e culturas. Com cruzamento industrial e integração produtiva a ovinocultura tem mais possibilidades de crescimento sustentável.

sobre o Gene Booroola segue o link - http://www.embrapa.br/imprensa/noticias/2008/setembro/4a-semana/gene-booroola-no-ciencia-para-vida/

Izildinha A. C. Dantas

Aracaju - Sergipe - Consultoria/extensão rural
postado em 12/07/2010

Dispor de parte do mercado antes do Uruguai para abastecer o Brasil, a princípio é muito bom. Será que estamos preparados para fornecer carne com a padronização e qualidade que o mercado exige? Estamos engatinhando na articulação dos elos da cadeia produtivam para se ter produtos competitivos e com qualidade. Temos que a passos largos fazer o melhoramento genético para produção de animais tipo frigorífico, analisar os melhores cruzamentos de raças exóticas com as nativas (inclusive fazendo avaliações do uso de F1 como matrizes) e ainda dispor de abatedouros com inspeção ( com matéria prima à disposição num determinado raio) para alcançarmos o mercado disponível.

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