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A revolução da agricultura familiar

postado em 28/01/2014

7 comentários
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*Por José Graziano da Silva

Hoje estamos em uma encruzilhada: aproximadamente 842 milhões de pessoas sofrem de fome crônica porque não conseguem comer adequadamente, apesar de não haver escassez de alimentos no mundo.

A busca atual é por sistemas agrícolas verdadeiramente sustentáveis, que possam satisfazer as necessidades de alimentos no planeta. E nada se aproxima mais do atual paradigma do que a produção sustentável de alimentos que a Agricultura familiar.

As Nações Unidas estabeleceram 2014 como Ano Internacional da Agricultura Familiar. É uma oportunidade perfeita para destacar o papel dos agricultores familiares na erradicação da fome e na conservação dos recursos naturais, elementos centrais do futuro sustentável que queremos.

O apoio à Agricultura familiar não faz oposição à Agricultura especializada de grande escala, que também tem um papel importante para garantir a produção mundial de alimentos e enfrenta seus próprios desafios, incluindo a adoção de enfoques sustentáveis.

Temos muito que aprender sobre as práticas sustentáveis dos agricultores familiares, já que a maior parte da experiência mundial em sistemas de Agricultura sustentável foi adquirida pela Agricultura familiar.

De geração em geração, os agricultores familiares transmitem conhecimentos e habilidades, preservando e melhorando muitas das práticas e tecnologias que podem apoiar a sustentabilidade Agrícola.

Com o uso de técnicas inovadoras, como a construção de terraças e a adoção de práticas de Lavoura zero, os agricultores familiares conseguiram manter a produção em terras muitas vezes marginais.

A conservação e o uso sustentável dos recursos naturais têm suas raízes na lógica produtiva da Agricultura familiar e essa é a diferença da Agricultura especializada de grande escala. A natureza altamente diversificada das atividades agrícolas coloca a Agricultura familiar em função central de promoção da sustentabilidade ambiental e na proteção da biodiversidade, e contribui para uma dieta mais saudável e mais equilibrada.

Os agricultores familiares também têm um papel fundamental nos circuitos locais de produção, comercialização e consumo, que são importantes não só na luta contra a fome, mas também na criação de emprego, geração de renda e no fomento e na diversificação das economias locais.

Estima-se que existam 500 milhões de tipos de Agricultura familiar no mundo, que representam, em média, mais de 80% das explorações agrícolas. Tanto nos países desenvolvidos, como nos em desenvolvimento, são os principais produtores de alimentos de consumo local e os "administradores" principais da segurança alimentar.

No passado, com bastante frequência, os agricultores familiares eram considerados um problema que tinha que ser solucionado e objeto de políticas sociais com potencial limitado. Essa é a mentalidade que temos que mudar. Os agricultores familiares não são parte do problema. Ao contrário, fazem parte da solução para a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável.

O que os agricultores familiares precisam é similiar em todo o mundo: assistência técnica e políticas baseadas em seus conhecimentos que reforcem o aumento da sustentabilidade da produtividade; tecnologias apropriadas; insumos de qualidade que respondam a suas necessidades e respeitem sua cultura e tradições; especial atenção às mulheres e aos jovens agricultores; fortalecimento das organizações e cooperativas de produtores; melhor acesso à terra, à água, ao crédito e aos mercados, e esforços para melhorar a participação na cadeia de valores.

O Ano Internacional da Agricultura familiar 2014 nos brindará com a oportunidade única de revitalizar esse setor crítico, para o bem da alimentação de toda a humanidade.


*José Graziano da Silva é Agrônomo e diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) 

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Comentários

Fernando Melgaço

Goiânia - Goiás - Mídia especializada/imprensa
postado em 28/01/2014

Ilmo. senhor Dr. José Graziano,
DD. Diretor Geral da FAO


Prezado senhor,
Quero inicialmente parabenizá-lo pelo excelente artigo, sobre a Agricultura Familiar.
Acredito também que este modelo de agricultura seja um dos pilares de sustentação para se reduzir a enorme fome ainda existente no mundo, em especial nos países da África Subsaariana.
Sou uma pessoa muito preocupada com a fome, em especial de crianças, que morrem a  cada ano em consequência da mesma. No mundo atual, onde alimentos sobram em vários países desenvolvidos e em desenvolvimento,e faltam em tantos outros, ceifando vidas de milhões de seres humanos, que morrem de fome a cada ano.
Fico contente ao ler um artigo como este, escrito por um Engenheiro Agrônomo, que exerce tão relevante cargo na ONU.
Acredito, senhor Diretor Geral, que o leite e seus derivados, sejam umas das melhores fontes de alimento, em especial para crianças acima de um ano de idade e suas mães, por ser um dos alimentos mais completos existentes na face da Terra.
Sabemos que a OMS recomenda amamentação no seio das mães no mínimo até os seis meses de idade. Deixo aqui, no entanto, uma pergunta: como pode uma mãe subnutrida amamentar seu filho? Com certeza não terá leite suficiente para tão nobre missão, tanto em quantidade como em qualidade.
Quem sabe, essas mães também necessitem do leite em suas dietas, tanto na gestação quanto na lactação.
Atenciosamente,
Fernando Melgaço.

Nei Antonio Kukla

União da Vitória - Paraná - Consultoria/extensão rural
postado em 28/01/2014

Muito oportuna a abordagem.
Interessante ainda o trecho "O apoio à Agricultura familiar não faz oposição à Agricultura especializada de grande escala, que também tem um papel importante para garantir a produção mundial de alimentos e enfrenta seus próprios desafios, incluindo a adoção de enfoques sustentáveis. "
Sempre defendi que tanto a agricultura familiar quanto a agricultura empresarial não são confrontantes uma com a outra, mas sim se integram, pois como o mesmo texto diz, é da agricultura familiar que saiu diversas tecnologias para a agricultura empresarial.
Atividades como bovinocultura de leite, hortifruticultura, ovinocultura, enfim, são atividades que a agricultura familiar tem mão-de-obra para explorar.

Gessé Antônio de Souza

Manhuaçu - Minas Gerais - Instituições governamentais
postado em 29/01/2014

A Agricultura Familiar tem alguns problemas que destaco dois, a saber: insustentabilidade decorrente da falta de escolas de viés rural, que tenha a qualidade das escolas urbanas. Um jovem que trabalha durante o dia e estuda à noite (curso noturno inferior e discriminado pelas políticas educacionais) não tem condições de competir em igualdade de condições com os jovens urbanos. o segundo problema que destaco é agravado pelo primeiro, isto é, a propriedade sendo pequena e a família sendo grande (tendência da agricultura familiar) ocorre a glebalização da propriedade inviabilizando-a ou apenas um descendente fica com a terra e os demais terão que enfrentar o êxodo rural em condições precárias de competição com os jovens urbanos. Tal vulnerabilidade do camponês aliado a outros fatores instabilizantes o coloca sob estresse motivacional, favorecendo  baixa autoestima, baixa autoimagem e consequente desmotivação, acompanhada de pessimismo e aumento da tendência à drogadicção no campo. Falar em Agricultura Familiar sustentável, a meu ver, é ainda uma utopia ou um sonho ingênuo.

sergio saretto

Sobradinho - Distrito Federal - Produção de caprinos de corte
postado em 30/01/2014

Acredito que as politicas agricolas Brasileiras deviam deixar um pouco a hipocrisia de segregar em "coitadinhos" e "capitalistas". Temos que pensar na industria do campo como uma cadeia produtiva que é estratégica para nós, ainda mais num pais com os recursos que possuímos em termos de terra e clima. Não importa o tamanho da terra, mas sim o incentivo ao empreendedorismo, que mesmo quem esta na cidade deve ter incentivo de investir no campo e com isso melhorar as condições de quem esta por la. Sem dinheiro não se produz isso é fato, mesmo o agricultor familiar. O Brasil tem que aproveitar o crescimento da classe média para incentivar as pequenas industrias na propriedades. Não precisamos de financiamento, precisamos de incentivo fiscal e trabalhista pois os custos são absurdos. E que parem de discriminar quem esta investindo em uma pequena propriedade para ganhar dinheiro, pois este não tema acesso a nenhum incentivo fiscal. Mais do que a agricultura familiar, o importante é a produção viável da pequena propriedade, não importa quem seja o proprietário. Adorar um modelo mais europeu e menos americano na agricultura e pecuária. Ai não precisaremos de esmola para o pobrezinho produzir.

Gessé Antônio de Souza

Manhuaçu - Minas Gerais - Instituições governamentais
postado em 30/01/2014

Prezado Sérgio.

Gosto da figura de Gilbeto Freire - Casa Grande e Senzala, que explica bem o complexo da mediocridade brasileira. A casa grande falida, a senzala destruída. A casa grande detentora do poder e do mando e a senzala: faminta, analfabeta, doente e caquética de corpo d`alma e  enroscada em sua própria história. Hoje, o estado brasileiro (Casa Grande) revela - se  arrogante, burramente interventor, que vigia e detém os empreendedores, matando as boas iniciativas. As dificuldades que temos no Brasil é produção do arranjo político ideológico, no qual estamos submetidos, por força de nos mesmos. Precisamos desatar o nó do estado grande e falido, derrubar o muro que separa o povo (nação) do estado (casa grande) e sair das amaras ideológicas que povoam as mentes da falsa intelectualidade brasileira. Continuamos umbilicalmente dependentes de uma Casa Grande esbanjadora, escandalosa e que alega ter direito de determinar os rumos de seus filhos.

josé Carlos Rodrigues da Luz

Serra Talhada - Pernambuco - Consultoria/extensão rural
postado em 11/02/2014

Olá Senhores!   
Antes, quero lembrar-lhes de que o Brasil é dividido em quatro partes (Norte, Nordeste, Sul e Sudeste) pois bem, as leis, regras, e determinações que funcionam em uma, deixam a desejar em outras; e isto, pelo fato de termos clima, solo e povos de diferentes formações cultural , econômica e social.
É preciso que  cada governante e seus gestores municipais sejam patriotas o suficiente para encontrarem suas próprias capacidades de produção e assim desenvolvê-las de maneira auto-sustentável  o suficiente para tornar seus cidadãos e agricultores familiar com o mesmo respeito, ou mais, que o recebem àquela meia dúzia de empresas classificadas por:  AGRONEGÓCIO, cuja a produção destes não chegam à nossa mesa  e  utilizam grandes quantidade de agrotóxicos (movimentam grandes indústrias produtoras de veneno) porém, o seu propósito de exportadores geram divisas de dólar para o Brasil.  Ao contrário da AGRICULTURA FAMILIAR  que por falta de vontade política Estaduais e Municipais  vem sendo sucumbida pelas verbas milionárias e mal aplicadas em seu próprio benefício de sustentabilidade  como a Transposição do São Francisco, a construção de milhares de cisternas no Nordeste  e o tão famoso programa  do Bolsa- Familia Brasil, que mal administrados servirá apenas de  amparo ao Agronegócio  . O sucesso da Agricultura Familiar  dará mais trabalho aos gestores do que  o recebimento de verbas pelo fracasso registrado e repassado ao Governo Federal . Muda Brasil! Muda Povão!  Qual resultado social, cultural e econômico ao Agricultor Familiar e demais cidadãos nos trará esta Copa Mundial  que está para acontecer  e demais eventos em 2014. Imaginem se estes bilhões gastos em estruturas que serão abandonadas ou mal utilizadas no futuro? Imaginem tudo isto aplicado em nosso benefício? o resultado seria  realmente auto-sustentabilidade social e econômico para a nação familiar e não da FIFA e demais grandes Empresários da Construção Civil.?????!!!!!!! Abraços!!!!José Carlos - Técnico em Zootecnia  e Agricultor Familiar  !!!!

Nei Antonio Kukla

União da Vitória - Paraná - Consultoria/extensão rural
postado em 11/02/2014

José Carlos Rodrigues da Luz, muito feliz o seu comentário.

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