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Características da criação de ovinos no Estado de São Paulo

Por Simone Cristina Méo Niciura , Cecília José Veríssimo e Marcelo Beltrão Molento
postado em 09/08/2010

3 comentários
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Muito do que sabemos sobre a ovinocultura vem das informações obtidas de várias regiões e Estados brasileiros. Assim, este trabalho tem o objetivo de comentar sobre o manejo adotado nas criações de ovinos especificamente no Estado de São Paulo.

Em um estudo da Embrapa Pecuária Sudeste, do Instituto de Zootecnia, dos Centros da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e da Universidade Federal do Paraná, foi feito um levantamento, por questionário, do manejo empregado em 33 rebanhos paulistas. As informações obtidas foram publicadas em um Comunicado Técnico e estão resumidas a seguir.

Segundo dados do IBGE, de 1970 a 2008 o rebanho ovino paulista teve aumento de 361,9% no número de animais, mais ainda representa 2,7% do rebanho nacional. Pelo questionário, observamos que em São Paulo a ovinocultura é uma atividade recente, com aproximadamente 10 anos.

As principais características observadas nos rebanhos ovinos paulistas foram:

- Tamanho médio das propriedades de 240 ha;
- Rebanhos com média de 580 animais: 360 fêmeas, 14 machos e 110 cordeiros;
- Predomínio da raça Santa Inês e de cruzados com Texel e Suffolk;
- Sistema de criação semi-intensivo: alimentação exclusiva de pastagem no verão e fornecimento de suplementação no inverno;
- Realização de rodízio de pastagens;
- Predomínio de forrageiras: Brachiaria, Panicum e Cynodon;
- Criação visando à produção de carne;
- Ovinocultura como fonte secundária de renda para a propriedade;
- Criação de outras espécies animais de importância econômica (bovinos, equinos, aves e peixes);
Disponibilidade de galpão de chão batido ou cimentado para alojamento dos animais.

Quanto ao manejo sanitário, observamos que:

- A entrada de novos animais nos rebanhos não é frequente;
- Os animais recém adquiridos geralmente são submetidos à quarentena;
- A maioria das propriedades realiza escrituração zootécnica;
- 57,6% das propriedades possuem assistência técnica;
- O índice de mortalidade de animais jovens e adultos é baixo;
- O problema da verminose e da resistência parasitária é conhecido por praticamente todos os produtores;
- O tratamento seletivo contra verminose, que consiste na aplicação do vermífugo em somente alguns animais ou lotes do rebanho, tem sido adotado;
- O peso dos animais para tratamento geralmente é estimado visualmente;
- A frequência de vermifugação é estabelecida de acordo com o grau Famacha ou com a sintomatologia de verminose;
- O exame de contagem de ovos por grama de fezes (OPG) tem sido usado para a tomada de decisão de tratamento com anti-helmínticos;
- Alguns rebanhos adotam a vermifugação estratégica: tratamento de ovelhas no periparto, cordeiros no desmame, borregas em crescimento e fêmeas em estação de cobertura;
- Poucas propriedades adotam o esquema fixo de vermifugação, quer seja mensal, bimensal, trimestral ou semestral;
- Grande parte das propriedades muda os animais de pasto após a vermifugação;
- A rotação dos vermífugos tem sido feita, principalmente, quando os produtos deixam de fazer efeito, a cada aplicação ou sem critério. Poucos criadores escolhem ou trocam os vermífugos de acordo com os resultados do teste de eficácia dos produtos;
- Dos produtos antiparasitários, as lactonas macrocíclicas (ivermectina e moxidectina) foram as mais utilizadas nas últimas vermifugações;
- A maioria das propriedades não utiliza combinações de drogas ou de grupos químicos de anti-helmínticos para tratamento;
- Os vermífugos são escolhidos, na maioria das vezes, por indicação do técnico, por experiência própria do produtor ou por recomendação de balconistas e vendedores;
- Os ovinocultores costumam adquirir novas informações em cursos e palestras, revistas, internet e programas de rádio ou TV.

Todas essas observações comprovam que a ovinocultura em São Paulo tem optado por novas estratégias de controle parasitário. A baixa utilização de esquema fixo de vermifugação, aplicada a todos os animais do rebanho ao mesmo tempo, é um dado muito interessante, pois indica que os produtores estão buscando novas informações sobre o manejo sanitário mais adequado para retardar o aparecimento da resistência parasitária.

Espera-se que o tratamento com intervalos fixos seja reduzido ainda mais nos próximos anos, de maneira a diminuir os gastos desnecessários com medicação e minimizar o problema da resistência. Além disso, um ponto a ser melhorado nas propriedades é evitar a mudança de pasto dos animais após o tratamento. O ideal é que eles sejam mantidos no mesmo pasto, mas se houver a necessidade de mudança de pasto, então os tratamentos só deverão ser feitos 10 dias após a mudança. Esse procedimento retarda o surgimento da resistência parasitária.

Espera-se que os criadores possam atentar para a importância de realizar exames de OPG e testes de eficácia de vermífugos antes de trocar o produto, bem como implantar rotinas de descarte de animais sensíveis às parasitoses e de seleção e utilização de reprodutores mais resistentes.

Este estudo foi financiado pela Embrapa - Macroprograma 3, no projeto "Diagnóstico da resistência genética ao benzimidazol em nematódeos de ovinos no Estado de São Paulo".

Colaboraram neste trabalho os seguintes pesquisadores: Ana Carolina de Souza Chagas (Embrapa Pecuária Sudeste), Ana Lúcia Luz Alberti (APTA-Polo Regional Sorocabana), Carlos Frederico de Carvalho Rodrigues (APTA-UPD de Itapetininga), Cristina Maria Pacheco Barbosa (APTA-UPD de Itapetininga), Daniela Pontes Chiebao (APTA-UPD de Sorocaba), Daniel Cardoso (APTA-UPD de Araçatuba), Giane Serafim da Silva (APTA-Polo Regional Noroeste Paulista), José Roberto Pereira (APTA-Polo Regional Vale do Paraíba), Luiz Florencio Franco Margatho (APTA-UPD de Bauru), Marcia Marcia Marise de Freitas Cação Rodrigues (APTA-Polo Médio Paranapanema), Ricardo Lopes Dias da Costa (APTA-Polo Regional Extremo Oeste), Romeu Fernandes Nardon (APTA-Polo Médio Paranapanema), Tatiana Evelyn Hayama Ueno (APTA-UPD de Mirassol) e Vera Cláudia Lorenzetti Magalhães Curci (APTA-UPD de Araçatuba).

Saiba mais sobre os autores desse conteúdo

Simone Cristina Méo Niciura    São Carlos - São Paulo

Pesquisa/ensino

Cecília José Veríssimo    Nova Odessa - São Paulo

Pesquisa/ensino

Marcelo Beltrão Molento    Curitiba - Paraná

Pesquisa/ensino

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Comentários

Cecília José Veríssimo

Nova Odessa - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 11/08/2010

Só para atualizar, o médico veterinário e pesquisador Ricardo Lopes Dias da Costa não se encontra mais no Polo Regional Extremo Oeste. Ele agora faz parte do quadro de pesquisadores na área de ovinocultura do Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa, que também faz parte da Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo).

Marcelo Beltrão Molento

Curitiba - Paraná - Pesquisa/ensino
postado em 15/08/2010

Olá queridas amigas Cecília e Simone,
Gostaria de lhes agradecer o convite para participar de tão importante estudo. Gostaria de que tivessemos este tipo de informação para todas as características de produção e para todos os Estados. Vocês estão realizando um grande trabalho em São Paulo e que serve de exemplo para todos.
Um abraço.
Marcelo

Ricardo Lopes Dias da Costa

Nova Odessa - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 21/08/2011

Dra Cecília e Dra Simone, assim como o Dr Marcelo, também me sinto muito feliz e honrado por ter sido convidado para participar desse projeto. Não só pela importância do trabalho mas pela excelente equipe que encontrei.
Os resultados do trabalho estão se disseminando aos poucos por SP e outros estados, conscientizando os produtores e técnicos da responsabilidade que todos temos e da importância no assunto.
Um abraço a todos.

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