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AC: produtores apostam na ovinocultura

postado em 16/04/2012

9 comentários
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Menos calorias e mais proteínas a cada cem gramas de carne. Na comparação com a carne bovina, a carne de cordeiro apresenta vantagens. Valorizada, saborosa e suave, o produto tem mercado garantido, demanda sobrando e lucro certo. Um animal que não exige grandes cuidados e que diversifica a produção familiar tem ganhado espaço nas pastagens acreanas. A ovinocultura é uma das apostas do Governo Tião Viana para o setor produtivo e o incentivo à atividade significa um investimento de R$ 2,5 milhões, beneficiando 660 famílias.

Na última sexta-feira, 13, o Governo do Estado, através da Secretaria de Agricultura e Pecuária (Seap), entregou o primeiro lote de carneiros para os produtores do município de Brasileia. Trinta famílias foram beneficiadas com 12 fêmeas da raça Santa Inês e um macho da raça Dorper.

O secretário da Seap, Mauro Ribeiro, explica que a mistura entre as raças é necessária para garantir um animal bem adaptado ao clima e às pastagens do Acre (Santa Inês), mas, com robustez, precocidade e carne abundante (Dorper).

Em contrapartida ao investimento do governo, cada produtor, escolhido, em geral, através das associações de produtores, se compromete a construir um aprisco adequado para os animais, fazer um curso de orientações sobre o cuidado do rebanho e devolver, dentro de dois anos, a mesma quantidade de animais que recebeu.

"O governador tem uma visão aguçada para o setor produtivo. Quem diz que o Acre não produz está enganado. Estamos vivendo hoje ações que foram gestadas lá atrás. São várias cadeias produtivas que estão sendo desenvolvidas e aqui em Brasileia temos o frango, o peixe, e agora os carneiros", disse a prefeita Leila Galvão.

Carneiro verde

"Basicamente o produtor tem que aprender a dar bom dia e boa tarde para os animais", diz o veterinário da Seap, Alan Palu. "O carneiro exige cuidados mínimos: remédios se adoecer, vermífugos para prevenir doenças e pasto para se alimentar. No Acre nós temos praticamente um carneiro verde, criado livre, se alimentando exclusivamente de pastagem", explica.

Em cada hectare de pasto de boa qualidade são criados de 15 a 20 animais. A gestação é rápida, de cinco meses, e com oito meses de vida o carneiro está pronto para o abate. Hoje o preço pago pelo quilo é R$ 6 a fêmea e R$ 7 o macho, que tem a carne mais valorizada.

Alcirley Barros era um dos produtores mais empolgados com o recebimento do lote de ovelhas. Ele já cria carneiros da raça Santa Inês há três anos. "Agora vai melhorar geneticamente o rebanho e produzir animais melhores, com mais carne. Eu acredito muito nessa criação. Tendo animais o frigorífico compra a produção e garante o nosso mercado", comentou.

Alguns produtores já vendem carneiros para a Bolívia e o Peru, embora não seja de forma contínua. "Sempre tem quem compre e o preço não é ruim. Agora a nossa melhor solução é reunir os produtores, formar um lote grande e vender diretamente pro frigorífico de Rio Branco [o Anassara], que ele vem buscar aqui nesse caso", disse Alcirley.

Seu Orlando, pai de Alcirley, chegou ao Acre há quase 40 anos. Ele participou da entrega do primeiro lote de carneiros em Brasileia. "Quem diria que o Acre ficaria assim. Meus pais plantavam roças de feijão, milho, macaxeira. A primeira safra que fomos vender em Brasileia tivemos que jogar toda dentro do rio, pra não trazer de volta e deixar estragar no quintal. Não tinha quem comprasse naquela época. Íamos vender pra quem? Hoje os tempos são outros. Nem se compara" relembrou.

"Quero ser um grande produtor"

Samuel de Souza criava poucas cabeças de gado no pequeno pasto do ramal Cajazeira, em Capixaba. Nos roçados, cultivava macaxeira, milho, feijão e ia tocando a propriedade com a ajuda da família. Apostou na criação de ovelhas mesmo sem nunca ter lidado com os animais e já faz planos de ser um grande produtor. "Vou comprar mais dez animais pra acelerar o crescimento do rebanho", conta o produtor.

No dia 29 de abril completa um ano que Samuel recebeu seu lote de ovelhas. As 12 fêmeas pariram 16 filhotes. "Vendi quatro animais pra poder construir o aprisco. As ovelhas pagaram a própria casa. É um investimento. Agora a produção pode aumentar que tem espaço. Depois a gente aumenta de novo", disse o produtor.

Em um ano lidando com os animais, o produtor já aprendeu algumas características do bicho. Lições que o dia a dia ensinou ao pastor das ovelhas: "Elas pelaram muito", disse. "Pelar muito", é o termo que os produtores utilizam para uma doença chamada fotossenssibilização à braquiara. Pra resolver o problema ele mudou as espécies de capim do pasto. "Plantei grama estrela, puerária e braquiara humidícula". Outra lição foi a vantagem da ovinocultura sobre o gado em pequenas pastagens.

"Pra mim não compensava criar gado num pastinho pequeno que nem o meu. É melhor criar ovelha, que na mesma quantidade de área eu crio muito mais animais e vejo mais resultado", observou.

O secretário de Agropecuária ficou feliz com o zelo pelo rebanho. "São exemplos como o dele que nos faz acreditar que estamos no caminho certo: oferecer ao produtor um mix de produtos que tragam a ele diferentes possibilidades de renda. O carneiro é um animal fácil de tratar e que tem mercado garantido. O que precisa é a vontade de fazer dar certo", comentou Mauro Ribeiro.

Carneiro na merenda escolar

Quatro mil quilos por mês, R$ 119,6 mil investidos mensalmente, 170 escolas beneficiadas: o carneiro já faz parte do cardápio da merenda escolar na rede pública de ensino. Duas vezes por mês a carne é servida para diversificar a alimentação e oferecer proteína para as crianças. A compra é feita através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A carne de suíno também entrou na merenda escolar e em breve o peixe fará parte da alimentação dos estudantes.

Números

R$ 2,5 milhões investidos em 8 mil ovinos, na primeira etapa, com 660 produtores beneficiados. Já foram atendidos 276 produtores e 4330 animais entregues. Governo vai comprar mais 12 mil ovinos, totalizando 20 mil carneiros.

As informações são da Agência de Notícias do Acre, adaptadas pela Equipe FarmPoint.

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Comentários

Paulo de Tarso dos Santos Martins

Várzea Grande - Mato Grosso - Consultoria/extensão rural
postado em 16/04/2012

Bom saber que o Acre está fomentando a ovinocultura junto aos produtores.
Cabe apenas observar que o termo "Carneiro" está mal utilizado nesta matéria, visto que zootecnicamente carneiro é o reprodutor, o animal para fornecimento de carne é o jovem CORDEIRO.

João Alberto Haag Luiz

Santa Maria - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos de lã
postado em 16/04/2012

Muito bom! O Estado do Acre está de parabéns pela iniciativa. Eu só discordo da matéria quanto aos cuidados: "Um animal que não exige grandes cuidados". É um engano, a ovelha adquire vermes e exige bastante cuidado,principalmente com o Haemonchus contortus.

julio Cesar Camargo de Lima

Santiago - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
postado em 16/04/2012

  Parabéns ao governo do Acre que esta fomentando a diversificação agropécuária, principalmente na propriedade familiar. A produção de cordeiros possui um desenvolvimento promissor , uma vez que sua demenda esta em ascenção, e uma oferta limitada.

Tiago Schultz

Mafra - Santa Catarina - Produção de ovinos de corte
postado em 16/04/2012

Muito bem observados os comentarios de Joao e Paulo.
Agora que os produtores estao começando com seus rebanhos, poderia vir uma boa assistencia tecnica junto! So quem é produtor sabe os deslizes de aprender criar ovinos muitas vezes no peito. E depois de um certo "prejuizo", começar a pegar os macetes. Ate quando tem que ser assim? Os cursos tecnicos ajudam muito, mas nao o suficiente.

LAZARO JOSE DA SILVA

Extrema de Rôndonia - Rondônia - Produtor Rural
postado em 17/04/2012

Criamos ovinos ha quatro anos aqui visinho do Acre, os cuidados zootécnicos a observancia de doenças, vermifugos, opg, são nosso maior zelo. Ainda temos o
maior embaraço, um mercado ainda de atravessadores, levando muitos peque-
nos criadores a sair da atividade, acreditamos que com o primeiro frigorifico do
Acre em funcionamento, teremos um novo ânimo. Quero parabenizar o Acre e seu
Governador por mais este apoio aos produtores de seu Estado, é de dar inveja o
quanto o Acre mudou para melhor (da água para o vinho) com a administração
dos irmãos Viana, não é apenas um página de sucesso, É UM LIVRO INTEIRO DE
SUCESSOS.

Paulo de Tarso dos Santos Martins

Várzea Grande - Mato Grosso - Consultoria/extensão rural
postado em 17/04/2012

Bom dia Lázaro. A questão da comercialização dos produtos da pequena unidade rural passa necessariamente na organização deste produtores. Hoje, o MT já tem uma experiência desde agosto de 2010 nesta questão. Produtor organizado em associações e/ou junto a secretaria de agricultura do município tem amplas condições de fazer negocios justo.

LAZARO JOSE DA SILVA

Extrema de Rôndonia - Rondônia - Produtor Rural
postado em 17/04/2012

Caro Paulo, fico muito agradecido pelas suas considerações, tem toda a valia possivel,
aqui é um caso a parte, difere da realidade de outras regiões, vi também em loco no
Paraná, onde produtores tem assistencia da Secretaria da Agricultura, Emater, Prefeituras e outras entidades. Nenhum desses beneficios chegam por aqui. Por isto
elogio muito o Acre, onde tudo funciona. Mas, nossas terras são aqui...Voce que é externsionista sabe bem os estados onde o apoio chega mesmo.  Abraços, mais uma
vez agradeço sua particicipação.

Luis Gustavo Castro Alves

Londrina - Paraná - Pesquisa/ensino
postado em 17/04/2012

Paulo de Tarso muito bem colocado o comentário a respeito da diferenciação entre Carneiro e Cordeiro, faixa etária  e composição tecidual diferentes, as vezes cometemos equivocos na própria discussão da sistemática de produção e o que deveriamos fazer de uma forma mais acessivel para quem pretende entrar na ovinocultura,precisamos sim de ovinocultores e não criadores de  carneiros, e a discussão das circunstâncias de mercado será sempre fundamental.

Halley Schuch Passos

Aracaju - Sergipe - Pesquisa/ensino
postado em 25/04/2012

Bom dia a todos. Sou médico veterinário e criador de ovinos em Sergipe e tivemos alguns programas de governo em nosso Estado semelhante a esse programa do Acre. A minha opinião sobre o assunto é que sem uma organização em Associações para formar grupos de pequenos produtores tornando-os grandes, se não houver um programa e um plano de trabalho com assistência técnica bem equacionada e se não houver a amarração e planejamento de fornecimento do produto para o mercado de forma a não concentrar em certas épocas do ano, esse programa tende a não ter muito sucesso. Da mesma forma que se não houver a distribuição de reprodutores Santa Inês para reposição de matrizes. Esses programas são de muito valor para a ovinocultura nacional, mas acredito que têm que ser desenvolvido com muito cuidado e muita conciencia.

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