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Brasil também pode ganhar com menos desmatamento

postado em 02/07/2010

2 comentários
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Em estudo divulgado nesta quinta-feira (01), a ONG Avoided Deforestation Partners calcula que o Brasil poderia ter aumento em sua receita bruta de R$260 bilhões a R$545 bilhões com a redução do desmatamento até 2030. Segundo o levantamento, esse incremento na receita viria da combinação de aumento da produção agrícola e financiamentos de proteção florestal - o "valor" do desmatamento evitado é convertido em créditos que podem ser vendidos no mercado de carbono.

O estudo veio à tona na esteira da pesquisa "Farms Here, Forests There: Tropical Deforestation and U.S. Competitiveness in Agriculture and Timber", produzida pela mesma instituição, que afirmava que a agricultura americana estaria sendo beneficiada pela proteção de florestas no Brasil, já que as terras preservadas não poderiam ser utilizadas para o cultivo de alimentos. A publicação foi utilizada pela bancada ruralista para apoiar a polêmica proposta de mudanças no Código Florestal Brasileiro, apresentada ao Senado há duas semanas pelo senador Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

Neste novo estudo, a ONG faz uma mea culpa e afirma que os ganhos para a agricultura norte-americana não significam perdas para o Brasil. "O importante deste estudo em relação ao primeiro é que ele deixa claro que o interesse em combater o desmatamento não é apenas dos fazendeiros americanos, mas dos brasileiros também", afirma o ex-secretário do Meio Ambiente do Amazonas, Virgílio Viana, da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), que sugeriu a realização do novo levantamento à ONG. "O primeiro estudo foi utilizado de maneira equivocada pelos defensores das mudanças propostas no Código Florestal para desqualificar a defesa da floresta, caracterizando-a como um lobby dos fazendeiros americanos." O relatório atrela os ganhos de receita do País à preservação de florestas e à garantia de que nenhuma mudança na lei abra brechas para o desflorestamento.

Viana acredita que os fazendeiros podem, sim, ganhar com a redução do desmatamento. "Até porque, quanto mais áreas agricultáveis, maior a produção e a oferta e, consequentemente, menor o preço. Agora, quanto menor a área disponível para a agricultura, menor a oferta e então os preços sobem." Mas e os preços mais altos, não prejudicam o consumidor? Viana afirma que, num cenário onde a oferta de novas áreas agrícolas é reduzida, os produtores terão um estímulo à melhora da produtividade. Com isso, poderão vender alimentos a preços acessíveis. "Os americanos estão alguns degraus acima em tecnologia agrícola. Então nosso espaço para melhorar nossa produtividade com uso de tecnologia é maior que o deles."

Para o presidente da ONG Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) Rubens Gomes, qualquer tentativa de calcular o valor da manutenção da floresta em pé é prematura. "Não temos uma definição estabelecida sobre esse mercado de carbono. Acredito que qualquer tentativa de transformar em valores o nosso não-desmatamento é puro futurismo, especulação mesmo."

Segundo Gomes, o próprio Ministério do Meio Ambiente é muito cauteloso com números. "Participei de um curso sobre REDD (sigla de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, mecanismo que remunera a floresta mantida em pé) lá no Acre e, depois de algum tempo falando de dinheiro, a gente só via cifrão nos olhos dos índios e dos ribeirinhos que estavam lá. Nessas discussões monetárias, eu percebo que os valores econômicos estão sempre acima dos valores éticos", conclui.

A reportagem é do jornal O Estado de S.Paulo, adaptada pela Equipe AgriPoint.

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Comentários

V P DeOLiveira

Olathe - kansas - Estados Unidos - Produção de gado de corte
postado em 02/07/2010

Como pode ainda ter alguem que acredite nessa enxurrada de ONG´s? De onde sai tanto dinheiro?
Por que nao usam este dinheiro todo para reflorestar fazendas em suas nacoes de origem e nos dexem em paz?
Por favor, me digam qual a nacao que esta transfomando terras produtivas em reflorestamento? Alguem pode me dizer?
Acorda Brasil.

Artur Queiroz de Sousa

Cambuquira - Minas Gerais - Produção de café
postado em 04/07/2010

É incrível os interesses escusos destas ONGs estrangeiras atuantes no Brasil. Parece piada, quando eu fico analisando eu produtor rural, que tenho 125 ha total. Destes 25 ha eu averbei como reserva legal, outros 5 ha averbei como APP. Portanto dos 125 ha eu produzo em 95 ha. Mas fico pensando até onde eu vou buscar ganhos de produtividade, e conseguir lucratividade, quando o que eu produzo em 95 ha, é comparado com produtores norte americanos, argentinos, franceses, alemães, holandeses, japoneses, que produzem nos seus 125 ha, sem reserva legal, sem APP, com subsídios. Gostariam de me ensinar a fechar essa conta, pois maior desigualdade eu nunca ví. Só tem uma alternativa. Receber na mesma proporção que produzo nos 95 ha, pelos 30 restantes.

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