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CNA considera declaração de Minc inaceitável

postado em 03/06/2009

39 comentários
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As relações entre o agronegócio e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, já estavam ruins, mas agora azedaram de vez. Na semana passada, em Brasília, durante manifestação "Grito da Terra", Minc disse que "os ruralistas encolheram o rabinho de capeta e agora viraram tudo bonzinho, defensor da agricultura familiar. (...) Isso é conversa para boi dormir".

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), protocolou nesta terça-feira uma denúncia contra o ministro de Meio Ambiente, na Procuradoria-Geral da República por crime de responsabilidade. A CNA já havia publicado uma nota repudiando a tentativa do ministro, segundo a CNA, de desqualificar os produtores rurais. "(...) Acusar aos brados integrantes de relevante setor da economia brasileira de "vigaristas" e "capeta" denuncia ausência de condições para exercer o cargo", justifica a CNA.

A presidente da CNA considerou o ato do ministro "inaceitável". "Um funcionário público, que usa o posto que lhe foi confiado pelo Presidente da República para desconstruir toda e qualquer ponte em direção ao diálogo com a classe produtiva, deve responder pelos seus atos em todas as instâncias", diz a nota. "A construção de um Brasil ecologicamente responsável está sendo buscada pelo consenso. Ofensas e palavrões são intoleráveis", continua.

O documento redigido pela CNA aponta ainda que os produtores rurais reafirmam ao País o compromisso com a preservação ambiental e com a manutenção da produção de alimentos. "O que não se admite, e não se pode admitir, é que o ministro do Meio Ambiente tente camuflar a solerte intenção de estabelecer o confronto no setor rural brasileiro, mostrando-se desqualificado para o cargo que ocupa."

A senadora argumenta que o ministro teria faltado com a dignidade e o decoro que o cargo requer. "Não vamos aceitar mais nada passivamente. Vamos tentar recuperar a honra e a imagem dos produtores que foi afetada por meio das palavras grosseiras que o ministro do Meio Ambiente disse", afirmou. Durante entrevista coletiva, a senadora mostrou-se decepcionada com a atitude do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao episódio e disse que esperava atitudes mais contundentes do governo em relação às palavras proferidas por Minc. "Eu quero que ele seja punido. Se fosse eu, você ia ver o que ia fazer, eu o demitia."

Frente Parlamentar

A Frente Parlamentar da Agropecuária aprovou nesta terça-feira (2/6), na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, o requerimento 397/2009, que convoca o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a dar explicações sobre as declarações de que a bancada ruralista era formada por vigaristas.

Antes da votação do requerimento, os parlamentares repudiaram a postura do ministro. O vice-presidente da FPA para a região Norte, Moreira Mendes (PPS/RO), defendeu a exoneração do ministro. "O Brasil precisa de autoridades que tenham responsabilidade com os cargos que ocupam", justificou.

Para o vice-presidente da FPA para a região Sul, deputado Luis Carlos Heinze (PP/RS), Carlos Minc usou de demagogia para incitar os agricultores e ruralistas. Segundo Heinze, vigaristas são aqueles que querem entregar as terras brasileiras para os estrangeiros. "Nós da Frente Parlamentar da Agropecuária é que defendemos o verdadeiro agricultor, seja pequeno, médio e grande", frisou.

Na opinião do vice-presidente para a região Sudeste, deputado Duarte Nogueira (PSDB/SP), Carlos Minc ofendeu a liturgia que o cargo de ministro do Meio Ambiente exige. "O ministro ainda está vivendo o dilema de 30 anos atrás entre preservar ou produzir. Temos que preservar com sustentabilidade econômica", argumentou.

Ao lamentar a declaração, o presidente da Frente, deputado Valdir Colatto (PMDB/SC) disse que o ministro deve se preocupar com as 17 favelas cariocas que estão em unidades de conservação. "É muito mais fácil atacar o pequeno produtor, que fica com a enxada na mão do que cuidar dos problemas ambientais do Rio de Janeiro", salientou.

Minc

O ministro Carlos Minc reagiu à denúncia feita contra ele pela senadora e presidente da CNA, Kátia Abreu. "O fato de os ruralistas estarem preocupados com a minha permanência do ministério me faz achar que estou no caminho certo", completou Minc. "Podem me insultar e pedir minha cabeça que vou continuar governando, vou continuar coibindo os vossos crimes ambientais".

O ministro atribuiu a denúncia ao desespero dos ruralistas. "Essa tensão começou quando nós impedimos eles [os ruralistas] de esquartejar a legislação brasileira e conseguimos refazer o acordo histórico entre a agricultura familiar e os ambientalistas. A CNA perdeu uma margem que ela tinha de manobra, eles estão desesperados e querem me tirar do governo", afirmou.

Minc disse que os ruralistas não mandam no país e por isso não determinam quem entra ou sai do governo. "Que me conste, o Brasil é comandado pelo presidente Lula, e não pelos ruralistas. Alias, se tivesse sendo comandado pelos ruralistas, não ia ter Bolsa Família, ia ter Bolsa Latifundiário", rebateu Minc.

Depois da troca de insultos, Minc chegou a divulgar nota oficial para afirmar que não teve a intenção de insultar a bancada ruralista. "Não mencionei qualquer nome, não ofendi qualquer pessoa. Alertei sobre o risco de manipulação da agricultura familiar pelos grandes com o objetivo de usá-los como massa de manobra contra as proteções ambientais", diz Minc na nota.

O ministro, porém, disse que vai procurar a CNA para tentar entrar em um acordo, mas ressaltou que a agricultura familiar terá maiores benefícios.

Assista parte do discurso do Ministro do Meio Ambiente durante a manifestação "Grito da Terra":




As informações são do jornal O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Último Segundo, Portal Exame e G1, resumidas e adaptadas pela Equipe AgriPoint.

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Comentários

Antonio Luis B.de Lima Dias

Mococa - São Paulo - Consultoria/extensão rural
postado em 03/06/2009

Momento de parabenizar a senadora Kátia Abreu pela rápida resposta ao ministro.

É hora de todos os sindicatos e entidades de classe tomarem posição junto da senadora, para defender a posição dos agricultores.

Márcio Martins Ferreira

Barretos - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 03/06/2009

SEM NOÇÃO!!!!!!!

É ministro dos próprios interesses, quando deveria ser do povo brasileiro, deveria defender a sustentabilidade e não incitar a intolerância, deveria buscar soluções e não culpados para uma situação que ele não consegue resolver por falta de conhecimento e quem sabe competencia, parece que está em campanha para eleição. Caro ministro trabalhe pelo seu povo sem demagogia, sem violêcia pois as gerações futuras lembrarão de um ministro desequilibrado e autoritário, trabalhe mais e fale menos deixe seu trabalho falar, aliás que trabalho? Não temos resultado nenhum do Ministério do Meio Ambiente a não ser proibições e ameaças, que saudades da antiga ministra.

Nós produtores conhecemos e abraçamos o compromisso com uma agropecuária econômicamente viável, ecológicamente correta e socialmente justa, ministro é impossível ter paz se o povo tem fome, o senhor precisa de mais equilíbrio emocional para ser tão passional sem ofender aqueles que colocam o alimento na sua mesa (que não é a mesma mesa daqueles para quem o senhor discursa).

"Sou um homem pacífico; Deus sabe o quanto eu amo a paz, porém espero jamais ser tão covarde que confunda opressão com paz, espero também que ninguém confunda ser PACÍFICO com ser PASSIVO, pois mesmo que não haja opressão, o receio de não lutar por nossos direitos pode nos transformar em COVARDES." (KOSSUT)

Fernanda Silva Couto

Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 03/06/2009

Este senhor Minc não tem perfil de assumir pasta alguma. Senadora kátia Abreu continue sendo a nossa porta voz!

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