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Código Florestal: ruralistas e ambientalistas em trégua

postado em 23/09/2009

8 comentários
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Em clima de hostilidade desde o início do governo Lula, dirigentes ambientalistas e ruralistas esboçaram ontem, 22, durante seminário promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sobre meio ambiente e produção de alimentos, uma aproximação política que pode resultar em uma proposta consensual de alteração do Código Florestal Brasileiro, em vigor desde 1965.

A presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), lançou a proposta de revisão do Código Florestal por meio de um "pacto nacional com sanção social", baseado em conhecimento científico e dados econômicos e sociais. "Cometemos erros, mas não intencionais. O Brasil tem 56% de cobertura vegetal nativa original e o debate chegou a tempo de salvar o ambiente", afirmou.

O acordo proposto pela CNA deveria conter um compromisso de "desmatamento zero" da floresta Amazônica, da Mata Atlântica, do Pantanal, das áreas de preservação permanente (APPs) e regiões "sensíveis" de topos de morro. Além disso, deve incluir o pagamento por serviços ambientais por "450 milhões de hectares preservados", a legalização das áreas de agropecuária consolidadas e a descentralização da legislação ambiental da União para os Estados.

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que estava à vontade diante da plateia de estudantes e dirigentes rurais, acenou com a abertura de um diálogo mais concreto com a bancada ruralista. "Aceitamos a ciência para mediar, porque fixar 80% como reserva legal na Amazônia é metafísica. Mas o debate sobre rastreamento do gado e uso da água são fundamentais.

Braço direito da ex-ministra Marina Silva, o ambientalista João Paulo Capobianco defendeu um amplo consenso sobre o tema. "Os ambientalistas sabem que é preciso um acordo. Ninguém quer acabar com a agricultura. Temos que eliminar o desmatamento e recuperar o que for possível", disse.

Mesmo em clima amistoso, Kátia Abreu aproveitou o seminário para rebater ao que considera ataques de ONGs ambientalistas. "Estou cansada de "prêmio motosserra", cansada de deboches. Acusações recíprocas não são boas. Temos que agir sem violência, raiva nem rancor", afirmou, em clara referência ao Greenpeace. "Os produtores reagem porque foram provocados por ONGs que os colocam no canto do ringue".

Produtor e consultor, o ex-ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli, disse que a tensão entre os dois lados tem levado experiências importantes, como a integração lavoura-pecuária-florestas, a ficar "no pelourinho". Para o mediador dos debates, o ex-ministro Roberto Brant, a CNA tem dificuldades para dialogar com todos os segmentos do setor, e optou por uma "conservação compatível" com a produção agropecuária.

A matéria é de Mauro Zanatta, do jornal Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe AgriPoint.

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Comentários

regynaldo zavaglia junior

São Carlos - São Paulo - Produção de gado de corte
postado em 23/09/2009

otimo artigo!!! precisamos lutar para preservar nossos rios,nossas matas, mas precisamos incluir nas APP a reseva florestal; é o minimo!!!!

Paulo Westin Lemos

Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Produção de gado de corte
postado em 23/09/2009

Nós produtores já nos conscientizamos de que o que é econômico precisa ser ambientalmente e socialmente sustentável, ponto pacífico. Resta aos ambientalistas se conscientizarem que se não é econômico, não é sustentável. O sonho dos ambientalistas ONGs de tornar o Brasil um jardim botânico intocável é insustentável simplesmente porque o desenvolvimento econômico e social é fundamental para a sustentabilidade. A locomotiva vai andar de uma maneira ou de outra, então seria muito mais produtivo e eficaz, normatizar e conduzir o processo de desenvolvimento conforme as necessidades e cuidados que cada região precisa do que estancar, proibir, punir e prender simplesmente. Por quanto tempo será que se conseguirá manter por exemplo a Amazonia em seu estado primitivo, com as pressões sociais e econômicas crescendo sem parar. Ronaldo Caiado já disse há bastante tempo e com razão que o maior inimigo da natureza é a pobreza. Se não tomarmos cuidado, veremos não problemas ambientais por causa do desenvolvimento mas sim por causa da fome e falta de emprego e de opções de sobrevivencia dos povos de cada região.

renato calixto saliba

Brasília - Distrito Federal - Produção de leite
postado em 23/09/2009

Não vejo outra solução a não ser o dialogo. Deus deu dois olhos, dois ouvidos e apenas uma boca, então é chegado a hora de todos sentarem na mesa de negociação, pois o Brasil é a bola da vez, temos que aproveitar o momento favorável e resolvermos estas pendencias, sabemos que não podemos preservar tudo, nem desmatarmos tudo, temos que achar o ponto de equilibrio, onde o produtor seja liberado para produzir até onde a Lei permitir e o que ele não puder ou não quiser desmatar e resolver preservar tem que receber por isso, pois, se investe em terras e não é barato, portanto deve e tem o direito de receber por isso, ninguem vai investir em comprar terras para deixar parado seu capital sem render nada, se é preciso preservar tem que ser compensado.

Vamos aproveitar essa iniciativa e vamos baixar o calor das partes e negociarmos para resolver em definitivo o problema e não para a imprensa.

Adimar Leonel Souto

São Francisco de Sales - Minas Gerais - Produção de gado de corte
postado em 24/09/2009

Entendemos que o diálogo sadio sem querer levar vantagens, baseado em estudos sérios e comprometidos com a verdade, sempre será o melhor caminho, pois propicia decisões sensatas e coerentes com a realidade.

Saudações cooperativistas.

Alvaro Cardoso Fernandes de Pádua

Presidente Prudente - São Paulo - Consultoria/extensão rural
postado em 24/09/2009

Venho comentando sobre as matérias relacionadas a questão ambiental sobretudo na área que afeta aos proprietários rurais, no caso de Reserva Legal e APP. Penso que em se tratando de estado de São Paulo, Minas, Parana e Santa Catarina Rio Grande e outros a legislação deve tratar de forma diferente dos demais haja vista que o desmatamento foi bem antes do publicação do Código Florestal, sendo assim é inadimissível que áreas produtivas voltem a ser Reserva (Floresta), seria um retrocesso considerando a existência ainda de uma grande área de mata nativa no território brasileiro.

Entendo que nestes estados apenas a APP (àrea de Preservação Permanente) deve ser considerada como Reserva Legal, ou ao menos poder fazer parte dela. O momento é de fazer frente aos ambientalista do contrário as pequenas propriedades localizadas em MInas Santa Catarina São Paulo terão reduzidas na sua área enconomicamente explorada e aí certamente afetará a economia como um todo.

Atenciosamente

Alvaro

Leonardo de Mello Ferreira

Rio Brilhante - Mato Grosso do Sul - Produção de leite
postado em 24/09/2009

O primeiro passo que deve ser dado são os órgãos que fiscalizam o meio ambiente entrarem em um acordo, pois sendo assim poderemos ter a certeza que os projetos serão para não prejudicar o meio ambiente e manter a produção, não apenas brigas entre órgãos de fiscalizaçõa que ao invés de se unirem, entram em atrito apenas para defenderem o próprio ego de seu órgão.

SILVAN ANTONIO DOS SANTOS

Campina Verde - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 25/09/2009

A intenção de negociação ja garante um certo alivio ao produtor rural, o tema é complexo e ira gerar discussões calorosas, mas elas são necessarias. O ideal seria uma legislação por região, pois um pais continental precisa tratar o meio ambiente respeitando as peculiaridades e as diversidades de cada area. Se somos uma potencia rural devemos agradecer aos bravos agropecuaristas que abriram novas fronteiras. Os ambientalistas precisam deixar de lado o radicalismo, pois o maior defensor do meio ambiente, muito antes das ONGs, é o homem do campo.

Roberto Carlos de Castro

Muriaé - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 26/09/2009

Se não mudar a lei e entrar em um acordo o Brasil não vai a lugar nenhum. Tem muita gente querendo aparecer na midia só por aparecer. O que o Ministerio do Meio Ambiente vai fazer com os produtores de café que usam os morros, os produtores de cana, de gado, como vamos alimentar nosso povo? Já somos obrigados por lei a deixar 20% de nossas terras para reservas florestais o que mais eles querem, já somos obrigados a preservar as nascentes, beiras de rios e encostas será que isso não basta? Porque o governo em vez de aumentar os salários dos funcionários públicos, não faz estes funcionários trabalharem direito e fiscalizar e punir os irresponsáveis que não cumprem as leis ao invés de punir a todos.

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