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Eduardo Amato: "Precisamos descobrir o nosso jeito de criar ovinos, saber o que queremos produzir e para quem"

postado em 09/06/2011

4 comentários
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O médico veterinário e diretor técnico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Naturalmente Coloridos (ABCONC), Eduardo Amato Bernhard, de Porto Alegre/RS, enviou um comentário ao artigo "Qual é o elo da cadeia produtiva ovina que atualmente demanda maior atenção?". Abaixo, leia a carta na íntegra:

"Se olharmos para cadeias mais organizadas como a suinocultura e a avicultura, e no caso de ruminantes, o leite, podemos concluir que o mercado é que faz tudo funcionar. Ou seja, organizando o mercado, os demais elos da cadeia começam a se arregimentar para atender a demanda. Porém, na ovinocultura não creio que seja tão simples, pois nestas outras espécies o modelo de produção é bem definido. Não existem tantas raças, nem cruzamentos indiscriminados. Estamos ainda distantes de chegar a um padrão definitivo e ainda pouco preocupados com a produtividade, que é o que faz o negócio girar.

A Nova Zelândia reduziu seu rebanho na última década em milhares de cabeças, mas ao contrário do que se poderia imaginar, a cada ano, a produção de cordeiros só aumenta. Além disso, existem dezenas de raças diferentes, e compostos, criados naquele país, porém, independente da raça que você cria, o padrão do seu produto tem que ser o mesmo. E o consumidor final não sabe a diferença entre uma ou outra raça ou cruzamento.

Na Argentina, entrando na onda do orgânico, o bom e velho cordeiro patagônico ganhou mercado e subiu de preço. Uma estratégia de marketing, pois os ovinos criados naquela região do país não viraram "orgânicos" de uma hora para a outra, sempre o foram, por questões de localização e clima.

O nordeste brasileiro, com seu clima seco e chuvas irregulares, onde a ovinocaprinocultura tem sido durante anos a salvação do sertanejo, também pode identificar e produzir um cordeiro diferenciado, orgânico, simplesmente selecionando melhor seus rebanhos e se preocupando com o aspecto nutricional durante os períodos secos e com um bom manejo sanitário preventivo no período das chuvas.

A região sul do Rio Grande do Sul, tradicional polo de ovinocultura do país, pode produzir, a exemplo do Uruguai, um cordeiro verde, 100% a pasto, sem a necessidade de grandes investimentos, somente com seleção e cruzamentos adequados, eficiente controle sanitário e manejo correto das suas pastagens.

Estamos no Brasil e precisamos descobrir o nosso jeito de criar, adaptado aos nossos diferentes climas, nossas pastagens, nossas culturas, isso não há dúvida, mas precisamos também, como em outros países, saber o que queremos produzir e para quem. Precisamos aprender a produzir com eficiência e com produtividade, viabilizar projetos sustentáveis de produção de cordeiros, identificar nichos de mercados para produtos específicos, mas principalmente precisamos saber onde queremos chegar e definir quais são os caminhos e qualificar e valorizar o nosso produto.

Somos um país continental, com muitas oportunidades e desafios, que precisa estruturar e dar melhor condição de produção ao produtor rural, que sabe bem fazer o dever de casa, mas que encontra-se desorientado frente ao mercado, suas oscilações e suas variantes.

Temos que investir em aumento de rebanhos, cruzamentos eficientes, programas sanitários e de seleção confiáveis, que permitam produtividade e rentabilidade ao produtor".

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Comentários

Pedro Alberto Carneiro Mendes

Fortaleza - Ceará - Consultoria/extensão rural
postado em 09/06/2011

O parágrafo sobre a ovinocultura no nordeste brasileiro me chamou a atenção além de me forçar a fazer este comentário.

No Ceará a Extensão Rural trabalha prioritariamente com produtores da base familiar, detentores de rebanhos médios de 25 caceças, ou seja,  uma atividade, considerada a produção anual de 10 crias por produtor.

Realmente para  esse tipo  de produtor é uma  atividade de subsistência, na qual ele consome alguns animais e o restante é utilizados para pagamento de pequenas e/ou inadiáveis despesas.=, ou seja, é a sua moeda de troca. Em face disso, ela existe e sobrevive em praticamente 100% das propriedades.

EDUARDO AMATO BERNHARD

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria e Assessoria Veterinária
postado em 09/06/2011

Prezado Pedro Alberto,

Não há dúvida a importância desta cultura como agregador de renda e subsistência na agricultura familiar e no fortalecimento da ovinocaprinocultura na região NE e em outras regiões do país, inclusive aqui no RS.
Porém, temos muito exemplos no NE, em estados como Sergipe, Pernambuco e Rio Grande do Norte, onde através da formação de cooperativas e associações de criadores, embasados por um forte trabalho de extensão rural via EMATER, SEBRAE etc., o que era subsistência passou a ser uma fonte geradora de renda para a propriedade. Dessa forma, esses produtores que estavam a margem do processo produtivo, passaram a integrar esta de forma mais consistente, inclusive atuando em mais de um elo da cadeia, produzindo, beneficiando e comercializando seu produto diretamente.
Outro exemplo, é o norte baiano, região de Canudos, onde existem grandes rebanhos de ovinos e caprinos quase "selvagens"  nos fundos de fazendas e que são explorados de forma muito pouco eficiente e que são naturalmente resistentes a muitas patologias e extremamente rústicos,
O intuito do meu comentário é que precisamos saber explorar estas questões a nosso favor e, de forma organizada e bem planejada, agregar renda aos produtores e dar-lhes acesso ao mercado.

Pedro Alberto Carneiro Mendes

Fortaleza - Ceará - Consultoria/extensão rural
postado em 10/06/2011

Aos estados  referidos por você podemos incluir a Paraiba. Sabemos igualmente o maior impulso observado em Sergipe  se deveu  principalmente  à formação do Sta  
Inês, nos demais estados a  exploração do leite de  caprinos foi a responsável pelo
grande avanço dessa atividade.   No Ceará com  a criação do Programa Leite Fome   Zero a caprinocultura tem experimentado avanços substanciais.
Atualmente o leite é adquirido com os seguintes preços:

Leite caprino - pago à Usina R$ 1,72 a Uisina repassa para o produtor R$ 1,20
Leite bovino   - pago à Usina R$  1,25 a Usina repassa para o produtor R$ 0,72

eldar rodrigues alves

Curitiba - Paraná - governo
postado em 20/06/2011

Caro Amigo Amato , parabens pelo artigo.
Acho que pode nem ter nada a ver com seu artigo, porem , não podemos esquecer que raça é importante sim, e deve se adaptar, a cada condição de criação . Hoje mesmo vende-se a ideia do dorper , porem na Nova Zelandia essa raça não é utilizada, aqui ela aparece como salvadora da patria , outra grande ilusao vendida é a criaremos ovelhas sem comida, antes de criar ovelha é imperioso que se solucione o problema , de onde vira essa comida ? irrigação ? importação de outras regioes ? sei la .....
Tambem temos que equalizar o problema da sazonalidade de produção , existem raças que ciclam o ano todo , mais uma vez raça é importante, e tambem devemos aternos a  qualidade dessa carne , sabor etc  o mercado como ja disse em uma entrevisya no dia a dia rural , hoje consome tudo , porem com o passar do tempo , aprendera a conhecer carne ovinade qualidade e exigira qualidade
sem mais
Eldar
www.cabanhakingsize.com.br

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