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Marina da Silva: desmatamento é culpa da pecuária

postado em 01/02/2008

12 comentários
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A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse nesta quinta-feira (31) que as áreas ocupadas pela pecuária são as responsáveis pelo desmatamento na Amazônia. Ela disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que estabelece sérias punições para aqueles que estão desrespeitando a lei e contribuindo para a destruição da área.

Na quarta-feira (30) Lula disse não acreditar que o país esteja passando por um novo surto de desmatamento e que houve "alarde" na divulgação dos números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na semana passada. Ele disse que não se pode culpar a agropecuária, os produtores de soja e os sem-terra assentados pelo aumento do desmatamento na Amazônia. "Não dá para culpar ninguém", afirmou o presidente.

Segundo Marina, um decreto assinado pelo presidente estabelece que "36 municípios que são responsáveis por 50% do desmatamento na Amazônia, dos mais de 600 municípios que lá existem, ficarão proibidos de fazer qualquer tipo de desmatamento e de ter qualquer tipo de licença se não se cadastrarem no sistema de cadastro de propriedades rurais".

A ameaça do governo para aqueles que descumprirem a lei implica em medidas que impedem acesso a créditos em bancos e venda do que for produzido na propriedade. "Quem comprar, transportar ou fizer qualquer tipo de transação também é co-responsável pelo crime ambiental. O decreto estabelece que aqueles que estão embargados não podem ter acesso a créditos públicos. Por sorte que estou autorizada e mandatada a cumprir o decreto e estamos trabalhando com todo o rigor para que ele seja estabelecido", disse a ministra.

"Sorte que nos estamos fazendo um trabalho que respeita aqueles que estão fazendo sua atividade de forma correta e vamos publicar a lista desses, mas vamos publicar a lista dos 150 maiores contraventores sim e vamos fazer esse trabalho em parceria com governos estaduais, municipais, próprios setores, aqueles que querem blindar os seus investimentos de forma responsável dessa narrativa perversa de que estão produzindo em prejuízo da Amazônia. Existem as pessoas sérias e existem aqueles que estão destruindo a Amazônia. Para os sérios vamos fazer o devido reconhecimento, para os criminosos o rigor da lei", disse a ministra.

O norte de Mato Grosso e o sul do Pará são consideradas as áreas mais atingidas pelo desmatamento que, segundo o Inpe, podem chegar a sete mil quilômetros quadrados. As informações são do portal G-1, da Globo.

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Comentários

Marcelo Freitas

Brasília - Distrito Federal - Produção de gado de corte
postado em 01/02/2008

Com essas afirmações de nossa ministra, vejo que os pecuaristas brasileiros são criminosos, é bem bonitinho ver sua propriedade ser vistoriada pelo INCRA declarada 95% produtiva e mesmo com esse documento oficial do INCRA, os sem terra entrarem na propriedade e no prazo de 3 meses eles lhe prejudicarem ´´estragando as pastagens e desmatando sua reserva", que você gastou 5 anos para arrumar.

Este foi o meu caso e ainda sou culpado.
E hoje você ser um a toa, preguissoso tem mais credibilidade do que ser pecuarista.

Esse é um desabafo triste de um fazendeiro que viu sua propriedade em 1997 ser muito danificada, por ´´trabalhadores rurais´´ e hoje com a graça de Deus e uma empresa grande exportadora de boi vivo para o Líbano, Venezuela e outros, superei. Mas as marcas ficaram.

Felipe Cordeiro

Rio Branco - Acre - Produção de gado de corte
postado em 01/02/2008

Prezado Sr. Marcelo, concordo plenamente com as tuas palavras. Somos taxados como criminosos, abomináveis e burros. Não temos nem direitos mais sobre as terras que somos donos, absolutamente de nada.

As tuas observações foram realistas e oportunas para o momento. Mas lhe pergunto, o que fazer? Como fazer? Se você começa a pensar e refletir sobre os negócios da vida no Brasil e no Mundo, observa que neste mundo, raras pessoas rendem bons frutos. Aqui no Brasil, temos o belo exemplo do nosso setor público, bancados por nós, comendo tapioca com nosso dinheiro, é brincadeira.

Tem gente que ainda diz que não existe cartelização dos frigoríficos. Eu tenho certeza que existe, além do mais, esse terrorismo de frigoríficos ai também, enriquecendo as nossas custas. E quem fica com a maior fatia do bolo? Obviamente. É isso meu caro amigo, te desejo boa sorte e paciência!

Roberto Trigo Pires de Mesquita

Itupeva - São Paulo - Produção de Gado de Corte
postado em 02/02/2008

Em meio aos danos causados ao país pela desastrosa ação do MAPA, que não foi capaz de evitar o embargo da UE à carne brasileira, a declaração da Ministra é catastrófica.

Parece fala de fazendeiro da Irlanda. Ao Presidente Lula só resta falar como o Rei da Espanha: "?Por que non te callas..."

Agenor Teixeira de Carvalho

Araxá - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 03/02/2008

Com certeza a "tal" ministra tem alguma forma de contribuir para um grande aumento do nosso PIB, já que ela é contra o grande desenvolvimento do nosso Agronegócio.

Na minha opinião hoje no Brasil existe alguns ministérios só para dar emprego e aumentar o consumo dos "Cartões Corporativos".

É uma pena!

Dr. Henrique de Freitas Tavares

Palmas - Tocantins - Produção de Gado Nelore PO e Comercial
postado em 04/02/2008

Quando o Brasil é considerado o maior exportador de carnes do mundo, ninguém aplaude o pecuarista, mas quando não dão conta de resolver os problemas do desmatamento, efeito estufa, febre aftosa, rastreabilidade e outras coisas mais do nosso país, sempre colocam a culpa no pecuarista.

Estamos cansados de ser taxados de vilão, deveríamos fazer um movimento pró pecuária pois quem tem a matéria prima somos nós. Não são assim que os franceses fazem quando querem chamar a atenção.

Leonardo Campos

Mongaguá - São Paulo - Produção de gado de corte
postado em 04/02/2008

Deixa eu tentar entender...

Primeiro o Estado incentiva a colonização da Amazônia, liberando vultosos Sudams, praticando área de reserva de 50%, prometendo infra-estrutura na região, etc.

Depois, os aventurados tentam ganhar o Eldorado, se arriscam, investem, constroem suas vidas na região NO e CO. Colonizam a área. A presença do Estado é quase inexistente no local (ainda é).

Aí, o Estado vem de novo e diz que a reserva agora tem que ser de 80% da propriedade. Engraçado, mas os recursos da "Sudam" continuam lá, com maquiagem nova (FNO, Basa, etc). Mais engraçado ainda é que vão na grande maioria das vezes para financiamento de projetos pecuários.

Então, o país vira um grande produtor/exportador de commodities, a área argícola começa a pressionar limites não desejados e o Estado diz que a questão é prioritária e urgente!

É impressionante! A confusão, a desorganização, a falta de planejamento. A ocupação da Amazônia não começou ontem. A preocupação preservacionista já tem mais de uma década pelo menos. Acho que governos devem intervir o mínimo possível na economia e na vida das pessoas, mas o caso das regiões amazonicas é o oposto: a ausência do Estado por lá gera desvios e torna a Lei quase uma ficção. É a mesma situação de uma favela dominada por bandidos. A região carece do poder da Lei e de quem a fiscalize.

A culpa pelo desmatamento é da pecuária? É facílimo dizer isso, não?!

É só inventar uma Lei que proibe o desmatamento e está pronto, a Amazônia estará salva, árvores tombadas nunca mais! Fiscalizar as mesmas áreas é questão supérflua, de valor menor! E depois é só colocar a culpa na pecuária, afinal de contas, o gerenciamento público nunca é o culpado pelas mazelas do país.

Saúde de má qualidade é culpa dos pacientes; Educação péssima é culpa dos alunos; estradas esburacadas, culpa dos trafegantes, sempre tem um bode para se colocar no meio da sala.

E a mesma Ministra Marina, há tempos atrás, chegou a dizer que o desmatamento não variava de acordo com os preços das commodities. Por aí se vê o preparo de quem está cuidando da coisa.

É, o Estado-Leviatã brasileiro é um caso raro. Um caso clínico. A Amazônia devastada é apenas um dos sintomas...

Alexander de Oliveira Zanette

Cuiabá - Mato Grosso - Estudante
postado em 06/02/2008

Acho que antes de só falar que pecuaristas são criminosos, o governo deveria criar formas realmente sustentáveis de se viver da floresta.

Rodrigo Wustro

Xanxerê - Santa Catarina - Consultoria/extensão rural
postado em 06/02/2008

Todos que deram a cara para bater, quando em busca de seus sonhos, que muitas vezes não puderam concretizá-los em regiões mais propícias aos mais abastados, nestas regiões adversas sob todos os sentidos, e que dereviam ser considerados como desbravadores e bandeirantes, ao contrário, periodicamente são expostos como criminosos.

Não foi diferente em nossa história com Barão de Mauá e muitos outros brasileiros.

Infelizmente, não há representantes que passaram por problemas que enfrentamos quando entramos na floresta e hoje mostramos que com trabalho e esforço tem-se resultado e que ninguém pode negar e talvez, por isso as barreiras.

Qual será a próxima, depois da série de várias que já tivemos que suportar?

Daniel de Oliveira Breda

Cacoal - Rondônia - Produção de gado de corte
postado em 06/02/2008

Reserva de 80% não existe em lugar nenhum do mundo. Sou a favor de reflorestar e ser ambientalmente correto, mas não é justo que a amazônia seja diferente do restante do país. Afinal, a amazônia é Brasil ou não? Por quê o Brasil todo precisa preservar 20% de reserva e a amazônia 80%?

Os países que mais poluem no mundo deveriam preservar na mesma proporção que nós, seja ela qual for. Julgo desigual, não é justo. Na pior das hipóteses, EUA e China deveriam nos pagar então para termos nossas reservas sequestrando o carbono emitido por eles, mas nem o tratado de Kioto eles querem assinar. Olhem uma foto de satélite dos EUA e China no Google e depois me falem quem é culpado pelo efeito estufa!

Adriano Saldanha

Curitiba - Paraná - Produção de gado de corte
postado em 06/02/2008

Nossa ministra tem mais perfil de sindicalista do que de administradora de qualquer coisa. Aliás, ela não está sozinha no governo atual.

Despreparo e línguas afiadas não faltam, mas ações com intuito de resolver os graves problemas estruturais que enfrentamos em nosso país inexistem.

Naturalmente é mais fácil achar culpados do que achar soluções.

Repetindo a exclamação do Agenor: "É uma pena!"

Carlos Alberto Anastacio Filho

Aquidauana - Mato Grosso do Sul - Produção de gado de corte
postado em 06/02/2008

É muito fácil se falar em preservação (que a moda atual é sustentabilidade) quando se tem as despezas pagas por cartão de crédito corporativo ou por uma ONG, o difícil mesmo é fazer a terra produzir, gerar emprego e renda, e divisas para o Brasil.

Afinal quem tem interesse em preservar a Amazônia? Os árabes sedentos de água com seus petrodólares? Os chineses (contados aos bilhões) ávidos por terra fresca e fertil? Os europeus que já dizimaram o mundo(Treblinka, Sobibor, Chernobil, só para não esquecer), ou os EUA que deram um tratamento, digamos heterodoxo, aos seus indígenas e matas?

Ministra Marina, para com essa pinga de meio(metade?) ambiente, vista a camisa de seu povo, deixe a gente trabalhar por vocês.

Iria Maria Davanse Pieroni

Cuiabá - Mato Grosso - Advogada e Produção de Gado de Corte
postado em 12/02/2008

No dia 07/02/08 veiculou a notícia no Informativo da OAB de que a Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Rondônia promove a partir de 08/02/08 um debate sobre internacionalização da Amazônia.
Convém registrar que em sua totalidade, a Amazônia corresponde a 61% do território do brasileiro e perdê-la representaria o fim do Brasil como o maior país da América do Sul.

Mas qual a verdade que se esconde sobre a "cortina-de-fumaça" do desmatamento? Os interesses das principais potências mundiais no manancial de água potável disponível na Amazônia?

Não seria necessário combater: o analfabetismo; a invasão que já ocorre embutida em ONGs e denominações religiosas que adentram a mata sob o argumento da evangelização dos povos da floresta; a subtração de riquezas naturias?

A campanha presidencial norte-americana, nos debates, os atuais candidatos à presidência do EUA têm defendido a idéia de internacionalização das reservas florestais do mundo em troca do pagamento de sua dívida!!!!

Enfim, qual é o real interesse pela Amazônia?

Por outro lado, razão assiste aos caros Leitores/comentaristas acima, somente que dispõe de gordos salários e ajudas de custos mensais podem achar que se pode sobreviver de "maneira sustentável"!!!

É chegada a hora de se perguntar à Ministra/Políticos/Legislador, quanto custa viver em nosso País já que os direitos sociais básicos (educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, etc) não são efetivamente disposnibizados pelo Estado aos brasileiros e cada um tem buscar o seu espaço?

Então, como pagar por todos os custos acima desenvolvendo uma atividade/sustentável onde o retorno financeiro é infimo perto de todas as despesas?

Minha sugestão é no sentido de que o preço/aluguel pela árvore em pé seja no mínimo igual ao do que o preço do boi gordo pago pelos frigoríficos. Só assim, valorizando a floresta em pé, se terá preservada a refloresta amazônica e os habitantes e proprietários poderão levar uma vida digna.

Outra questão, é sobre o princípio da igualdade garantido na CF/1988 (20 anos), que está sendo derespeitada quando privilegia determinada região (PR, SP) com 20% e os demais estados com 80% de preservação, enriquecendo aqueles em detrimento destes.

Entendo que todos devem contribuir pela preservação do meio ambiente, reflorestando ou pagando para outros preservarem por eles.

Ministra/Presidente/Legislador, coloque em prática o princípio da garantia de propriedade assegurado pela CF/1988. Vamos respeitar a propriedade particular. Cuidem das Unidades de Conservação do Estado que representam mais de 70% da área.

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