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Análise da ovinocultura brasileira: oportunidades e ameaças

Por Raquel Maria Cury Rodrigues (FarmPoint) e Mariana Paganoti Oliveira (FarmPoint)
postado em 07/07/2010

7 comentários
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A ovinocultura vem se destacando como uma atividade em expansão no agronegócio brasileiro, porém, apresenta diversas falhas na sua cadeia produtiva, sendo uma delas a informalidade no abate. O resultado disso é a oferta ao mercado de um produto sem padrão de qualidade, contrariando a tendência atual dos consumidores em comprar produtos seguros, rastreados e padronizados. Além disso, os consumidores vêm mostrando maior interesse pelos modos e locais de produção dos alimentos, aumentando a procura por carne de animais criados em condições de bem-estar.

A regularidade na oferta do produto, a produção formal e os padrões de segurança alimentar só serão cumpridos a partir do momento que a cadeia produtiva ovina tiver um mínimo de coordenação e um equilíbrio na participação dos seus agentes. A ausência de interação desfavorece a formação de uma estratégia e resulta em perda de competitividade como um todo.

Segundo Castro e Lima (2004), cadeia produtiva é o "conjunto de componentes interativos, incluindo sistemas produtivos agropecuários e florestais, fornecedores de serviços e insumos, indústrias de processamento e transformação, agentes de distribuição, armazenamento e comercialização, além dos consumidores finais dos produtos e subprodutos da cadeia."

Algumas ferramentas estruturais vêm sendo utilizadas em empresas e estudos de cadeias produtivas para verificar a posição estratégica nos ambientes em questão. Uma dessas ferramentas é a análise SWOT, que pode ser usada para definir as estratégias futuras a serem aplicadas e a situação atual na qual a cadeia da ovinocultura se encontra.

A análise SWOT é um sistema simples que começou a ser usado na Harvard Business School há mais de 50 e o termo SWOT (sigla inglesa) é um acrónimo de Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). Hoje, qualquer exercício de planejamento estratégico pode ser feito através dessa análise.

Figura 1 - Diagrama SWOT



As forças e fraquezas são determinadas pela posição atual da cadeia e se relacionam, quase sempre, a fatores internos. Já as oportunidades e ameaças são antecipações do futuro e estão relacionadas a fatores externos.

O ambiente interno pode ser controlado pelos dirigentes, uma vez que ele é o resultado das estratégias de atuação definidas pelos próprios membros da organização. Já o ambiente externo está totalmente fora do controle da organização, mas, apesar de não poder controlá-lo, deve ser conhecido e monitorado com frequência, de forma a aproveitar as oportunidades e evitar as ameaças.

Figura 2 - Análise SWOT da ovinocultura.



Principais pontos fortes

1. Pesquisas de aplicabilidade no setor

Hoje, no Brasil, existem diversas pesquisas sendo realizadas na área de ovinocultura, trazendo novidades aos produtores e contribuindo com o desenvolvimento da cadeia.

A ovinocultura carece de informações que envolvem desde questões relacionadas as técnicas de produção dos animais a estudo de mercados consumidores (YOKOYA et al., 2009). Devido a isso, os projetos de pesquisa realizados por universidades e instituições de pesquisa possuem grande importância e contribuem para o crescimento e organização da atividade.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é um exemplo disso: ao longo de 2010, a Embrapa Caprinos e Ovinos será brindada com uma injeção de recursos da ordem de R$ 7,1 milhões. Algumas ações já foram empreendidas, como o estabelecimento do Arranjo Produtivo Local de Ovinocaprinocultura em Campo Grande (MS), pesquisas para aprimoramento de biotécnicas reprodutivas, eventos como o Cabrafest (Coronel Pacheco, MG) e workshop de ovinocultura nos Cerrados (Campo Grande, MS).

As pesquisas são um ponto forte na cadeia, porém só serão realmente benéficas se chegarem às mãos dos produtores e técnicos. Sendo assim, a disseminação das novas tecnologias é essencial para o desenvolvimento da atividade.

2. Genética, ciclo e área de produção

O crescimento da produção de ovinos tem ocorrido paralelamente com melhorias e pesquisas na área de melhoramento genético. Hoje há diversas raças adaptáveis ao clima e regiões do Brasil e que atendem ao mercado, resultando em animais com ótima produção de carne, rusticidade e adaptabilidade.

Os avanços na área de melhoramento genético, unidos a outros pilares como nutrição e sanidade, resultam na redução da idade de abate dos animais e consequentemente, numa maior lucratividade e rápido retorno do capital investido.

Aliado a isso, a produção de ovinos exige uma menor área para a produção comparado aos bovinos. Esse é um ponto forte na cadeia, principalmente em regiões com alto custo de terra.

3. Possibilidade de integração com outras culturas

O pastejo combinado, também denominado misto, associado ou a exploração integrada, visa à otimização do uso de uma pastagem e tem sua fundamentação na exploração das diferenças de comportamento entre os herbívoros pastejando um mesmo recurso forrageiro (Carvalho e Rodrigues, 1997). O pastejo misto pode ser feito simultaneamente ou em períodos sucessivos, dependendo dos objetivos, do manejo e das espécies envolvidas (Silva Sobrinho, 2007).

Dois princípios básicos regem a integração bovinos-ovinos, que são a complementaridade e a descontaminação dos pastos. O pastejo de "multiespécies" proporcionou um aumento de 24% na produção de carne, quando comparado ao pastejo exclusivo de bovinos, e de 9% em relação àquele só com ovinos (Walker, 1994).

A outra vantagem notória da integração bovino-ovino é que o pastejo misto permite o controle dos endoparasitas (Silva Sobrinho, 2007) mediante a redução na contaminação dos pastos (Pinheiro et al., 1983). Esta prática é baseada na especificidade parasitária dos vermes, onde as larvas infectantes dos ovinos não encontram ambiente favorável nos bovinos e são eliminadas (Amarante, 2004).

Principais pontos fracos

1. Abate informal e ociosidade dos frigoríficos

O abate informal ainda é o principal entrave da cadeia. Estima-se que aproximadamente 93% da carne consumida no país é de origem informal.

De acordo com Daniel de Araújo Souza, médico veterinário, "apesar do nível de tecnificação e formalização da cadeia produtiva da carne ovina se manter crescente ao longo dos últimos anos, o mercado informal sempre irá existir, em maior ou menor grau, sendo necessário direcionar os esforços para as iniciativas produtivas e empresariais formais, que se preocupem com qualidade de produto, desenvolvimento de negócios, abertura de campo de trabalho e estímulo da demanda urbana, resultando, por fim, em desenvolvimento e fortalecimento vertical e horizontal do sistema agroindustrial da carne ovina, concebendo a atividade como um segmento legítimo do agronegócio brasileiro.

Outro problema da ovinocultura hoje, que está relacionado a informalidade, é a ociosidade dos frigoríficos. No Brasil já existem várias plantas, porém, na carência de fomento direcionado para uma escala comercial de abate, os frigoríficos brasileiros apresentam capacidade instalada ociosa e muitos fecham as portas. Um dos fatores que fortalecem esse fato é o abate informal, sendo o preço pago ao produtor mais atraente, pois é livre dos impostos. A capacidade já instalada precisa ser viabilizada, incentivando a produção de alimentos seguros, padronizados e com constante oferta.

O mecanismo que coordena a ação é o preço de mercado. Como esse mecanismo não tem sido suficiente para convencer o criador a entregar sua produção à indústria, a consequência é o alto grau de ociosidade por parte dos frigoríficos. Assim, surge oportunidade de abatedouros clandestinos abastecerem a demanda por carne ovina, já que os consumidores também não encontram o produto legalizado em todos os pontos de varejo (SORIO, 2009).

Para que a planta frigorífica seja viabilizada é imprescindível a união entre os elos da cadeia. Hoje a ovinocultura opera como um pêndulo: os produtores não produzem porque não tem para quem vender e a indústria não investe em plantas frigoríficas porque não consegue escala para o abate.

2. Pouca integração entre os produtores

A união permite que os produtores se organizem com o intuito de atingir objetivos comuns. No Brasil há diversas associações que trabalham em prol da ovinocaprinocultura, porém, muitos produtores ainda não são adeptos a essa união ou não reconhecem sua devida importância. A integração entre produtores é uma oportunidade de crescimento, aprendizado e evolução da atividade.

A implantação de núcleos regionais, formados por grupos de criadores organizados com o intuito de unir esforços para desenvolver a ovinocultura regional viabiliza compras conjuntas de insumos, melhora da estrutura da produção e comercialização da carne assim como possibilita a padronização, a qualidade e aumento na escala de abate (SILVA, 2007). Esta conquista dificilmente seria alcançada com os produtores trabalhando isoladamente.

Em junho, o FarmPoint realizou uma enquete com o seguinte tema: você é vinculado a alguma associação? A maioria dos leitores (55,17%) que participaram são membros de alguma associação e 44,83% dos leitores não participam de nenhuma associação. Dos produtores que não são associados, 69,2% comentaram que reconhecem a importância e os benefícios que uma associação pode oferecer e pretendem se vincular em breve a alguma entidade.

3. Ausência de marketing

O mercado consumidor precisa conhecer as características nutricionais vantajosas da carne de ovinos e uma campanha publicitária com um trabalho de desenvolvimento de novos mercados pode trazer resultados significantes para a estruturação da cadeia produtiva nacional.

Os países com tradição na ovinocultura desenvolvem uma série da campanhas de marketing com o intuito de aumentar o consumo dessas carnes. Veja algumas delas aqui.

No Brasil temos algumas ações muito isoladas, sem efeito nacional, deixando o consumo estagnado há anos em 0,7 kg/hab/ano. O marketing é algo ainda pouco trabalhado e a indústria e/ou organizações de produtores têm dificuldades em atrair o gosto do consumidor e convencer o mesmo de que a carne de cordeiro tem qualidade e que pode ser consumida no dia-a-dia como as demais carnes de origem animal.

Oportunidades

1. Aumento de renda e consumo de carnes

Os países em desenvolvimento serão a grande força do crescimento da produção, do consumo e do comércio agrícola nos próximos dez anos, segundo o relatório de perspectivas agrícolas da Agência para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A demanda desse grupo é impulsionada pelo aumento da renda per capita e pela urbanização, reforçada pelo crescimento populacional que é duas vezes maior do que nos países desenvolvidos. A tendência é de um aumento no consumo de produtos como carnes e alimentos processados.

De acordo com a publicação do IBGE em junho de 2010, o rendimento das famílias brasileiras cresceu 10,8% de 2003 para 2009, bem acima dos 6% de alta dos gastos domiciliares no mesmo período. Os destaques são as regiões Sudeste e Norte.

As pessoas vêm se adaptando a novos hábitos de consumo, o que tem favorecido o crescimento da demanda pelas carnes de ovinos e seus derivados (Simplício & Simplício, 2006).

Em muitos lugares do Brasil a carne ovina é indispensável nos cardápios de restaurantes, bares e hóteis. A procura pela carne aumentou no país e vem conquistando novos consumidores por suas características organolépticas e seu valor nutricional.

Quase 60% da carne ovina formalmente consumida no Brasil é importada do Uruguai, porém esse país passa por uma constante redução do rebanho e prefere exportar para países de maior valor agregado, tornando esse momento oportuno para investimentos.

2. Busca por produtos saudáveis e nutritivos

Há uma tendência cada vez mais forte de os consumidores optarem por alimentos saudáveis, privilegiando aqueles que desempenham um papel nutricional benéfico no organismo. A carne ovina apresenta alta digestibilidade, elevados níveis de proteína, vitaminas do complexo B, ferro, cálcio e potássio, além de ser rica em HDL ("colesterol bom") e possuir baixos índices de gordura saturada, tornando-se uma opção para quem procura manter uma alimentação saudável e equilibrada.



Ameaças

1. Existência de cadeias produtivas mais desenvolvidas

Hoje as cadeias agroindustriais mais desenvolvidas no Brasil apresentam constantes mudanças tecnológicas exigidas pelo próprio mercado, principalmente na pecuária de corte, avicultura e suinocultura. As inovações nos produtos, os estudos de mercado e as ações de marketing fazem com haja aumento da demanda pelos consumidores.

Uma cadeia de produção agroindustrial pode ser segmentada, de acordo com Batalha e Silva (2001), de jusante e montante, em três macrossegmentos: comercialização, industrialização e produção de matérias-primas. A lógica de encadeamento das operações, de jusante a montante, como forma de definir a estrutura de uma cadeia de produção agroindustrial, assume que as condicionantes impostas pelo consumidor final são os principais indutores de mudanças de todo o sistema. Nesse sentido, transformações no comportamento do consumidor influenciam de modo relevante as inovações em curso nas cadeias agroindustriais e, principalmente, no modo como os diferentes elos produtivos estarão articulados para conseguirem responder de maneira eficiente às exigências do consumidor final.

Conclusão

A análise SWOT é uma ferramenta que pode ser usada para encontrar alternativas estratégicas e alcançar soluções satisfatórias que tragam resultados a curto, médio e longo prazo.

Em relação a ovinocultura, é uma medida importante porque nos permite conhecer os fatores favoráveis e desfavoráveis que a atividade apresenta e ajuda na tomada de decisões. Com a análise do resultado, é possível conduzir uma discussão representativa a respeito da atividade, ampliando o horizonte de planejamento da ovinocultura no Brasil.

A ovinocultura necessita de planejamento construído de forma conjunta e a compreensão das características do sistema pode possibilitar um maior entendimento dos entraves e contribuir para o desenvolvimento da atividade.

Referências bibliográficas

AMARANTE, A.F.T. Controle integrado de helmintos de bovinos e ovinos. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v.13, Suplemento 1, p.68-71, 2004.

BATALHA, M. O.; SILVA, A. L. Gerenciamento de sistemas agroindustriais: definições e correntes metodológicas. In: BATALHA, M. O. (Coord.). Gestão agroindustrial. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2001. v. 1, p. 23-63.

CARVALHO, P.C.F.; RODRIGUES , L.R.A. Potencial de exploração integrada de bovinos e outras espécies para utilização intensiva de pastagens. In: PEIXOTO, A.M.; MOURA, J.C.; FARIA, V.P. (Eds.). SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGENS: PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO, 13. Piracicaba,SP:FEALQ.1997. p.275-301.

CASTRO, A. M. G.; LIMA, S. M. V.. Curso sobre prospecção de demandas de cadeias produtivas. Brasília: EMBRAPA (Mimeo) 2004.p 49-80.

PINHEIRO, A.C.; ECHEVARRIA, F.A.M; ALVES-BRANCO, F.P.J. Descontaminação parasitária das pastagens de ovinos pelo pastoreio alternado com bovinos. Bagé: EMBRAPA/CNPO, 1983. 3p. (Pesquisa em andamento)

SILVA, R.O.P. Câmara setorial beneficia criação de ovinos em São Paulo. Jornal Agrovalor, , v.2, n.6, 2007.

SILVA SOBRINHO, A. G. Integração de ovinos com outras espécies animais e vegetais: SIMPÓSIO DE OVINOCULTURA DE CORTE DE MARÍLIA. Marília,SP:Unimar. 2007. 17 p.CD-ROM

SIMPLÍCIO, A.A.; SIMPLÍCIO, K.M.M.G. Caprinocultura e ovinocultura de corte: desafios e oportunidades. Revista CFMV. Brasília, DF, 2006. p 7-18.

SORIO, A. Sistema agroindustrial da carne ovina: o exemplo de Mato Grosso do Sul. Passo Fundo: Méritos, 2009. p. 340-362.

YOKOYA, E.; PINHEIRO, J.V.; NAVES, J.R.; SILVA, M.R.; GAMEIRO, A.H. Estratégias para a garantia de qualidade na produção de carne ovina: estudo de caso. Resumos. XLVI Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia. CD-ROM. Maringá: SBZ, 2009.

WALKER,J.W. Multispecies grazing: the ecological advantage. Sheep Research Journal, special issue, p.52-64, 1994.

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Comentários

Jesael Duarte da Silva

Passo Fundo - Rio Grande do Sul - Estudante
postado em 07/07/2010

Recentemente iniciamos um estudo sobre o tema em nossa faculdade (IFRS Campus Sertão, RS) e nosso grupo em especial focou nos açougues de rua. Queríamos ouvir a opinião de quem trabalha na "última milha" sobre a carne de ovinos. Os velhos mantras da sazonalidade, ovelha velha e gordurosa vieram à tona. A maioria não diferencia o produto "ovelha" de cordeiro. Todos são receptíveis a trabalhos por parte dos frigoríficos para a promoção de novos cortes, degustações, material de marketing e etc.

A totalidade dos estabelecimentos com mais de 20, 25 anos de ponto comercial e com boa estrutura nunca recebeu a visita de um representante de frigorífico com alternativas para ovinos.

Enquanto isso o hipermercado local nos brinda com peças de ovinos aqui do estado mesmo a R$45,00 o kg do carré francês. Não se sai do supermercado sem gastar menos de R$30,00 para levar pra casa um pedaço pequeno de ovino, de qualquer corte.

Os dois principais fornecedores não mostram informações do produto nos seus sites. Só mencionam a carne de cordeiro como um dos produtos trabalhados.

As peças são dispostas em uma montanha de carne em um espaço do balcão de mais ou menos 2 metros de largura, misturadas aos cortes de bovinos. Antes de achar o corte adequado você já pegou pneumonia.

Falta atitude, promoção, criatividade, novos cortes (menores), preço, produto constante e bem divulgado. Mesmo que eu vá no mercado e não compre, o fato de ter VISTO o produto bem colocado no balcão, por várias vezes, aumenta as chances da compra futura, ou de final de semana. E o açougue de rua não pode ser desprezado (pensem na "cauda longa").E Este lado "gourmet" elitista que alguns estudos apontam para a promoção é uma faca de dois gumes. Distancia o consumidor médio. Isso é coisa para carne de jacaré.

No empurra empura dos culpados eu voto no frigorífico. Mas em qualidade total a gente aprende que não se acha culpados. Melhora-se o sistema.

Por final penso que a saída é a integração, aos moldes da suinocultura. Acompanhamento pesado e contratos com bom preços para o produtor. Pensem no produto que foi pago ao produtor, processado, exposto e não vendido como despesa de marketing.

Pedro Nobre

Belo Horizonte - Minas Gerais - Produção de ovinos de leite
postado em 07/07/2010

Prezadas amigas,

Mais uma vez nos brindam com um importante trabalho sobra a cadeia produtiva ovina...o que nos faz ter algumas reflexões a respeito.

A produção ovina existe e está crescendo...como pode ser observado no decréscimo nas importações e no aumento do consumo per capta,...as plantas de abate fiscalizadas ainda são poucas e localizadas mais próximas do consumidor que do produtor, e ainda para raciocinarmos a respeito, é preciso que exista a possibilidade real de ganho para o produtor que é a base da cadeia.

Se conseguirmos equacionar estes fatores e reduzir os custos indiretos de fretes, impostos e do rigor da legislação na implantação de abatedouros de menor porte na origem da produção, certamente o desenvolvimento da cadeia vai aumentar e a informalidade vai cair.

Associado a isso ainda destacaria que de tudo o mercado informal tem seu lado positivo, que é o de criar o habito de consumo da carne ovina na população brasileira, visto que anteriormente o consumo se concentrava somente no sul e no nordeste, e as áreas de forte expansão da ovinocultura ainda não tem tradição no setor.

Finalizo meu comentário com um voto de credibilidade para o setor, pois a profissionalização das demais cadeias produtivas da carne em nosso país só cresceram significativamente e se organizaram a partir da modernização da agricultura ocorrida na década de setenta.

A cadeia produtiva ovina ainda é um bebê, que terá o mesmo destino das demais em território brasileiro...quem viver verá.

Ivo Arnt Filho

Tibagi - Paraná - Produção de ovinos
postado em 07/07/2010

Parabenizo o trabalho,

Acredito que estas análises poderão determinar alguns caminhos da cadeia produtiva da ovinocultura no Brasil. Temos analisado que a cadeia esta tumultuada em varios países do Mundo, poucos estão tendo resultados positivos, vamos nos organizar, planejar e produzir fechando os elos da cadeia produtiva, se conseguirmos escala, poderemos até exportar.

Sucesso....

Nei Antonio Kukla

União da Vitória - Paraná - Consultoria/extensão rural
postado em 08/07/2010

Nobres autoras:
Creio que estamos iniciando um "boom" na ovinocultura brasileira. Sabemos que o consumo da carne ainda é pequeno, mas ao fazer uma análise de que em diferentes regiões os criadores estão se organizando em Núcleos, Associações e estão criando demandas de assistência técnica, percebemos que algo está acontecendo, ou seja, isto nos permite concluir que investimentos estão sendo feitos nas propriedades em um primeiro momento de forma a melhorar o plantel e creio que a maioria pensa em fazer da atividade uma opção profissional. O oportuno artigo nos remete a fazermos uma autoanálise da atividade em seus vários pontos, nos levando a trabalharmos a Análise Swot da ovinocultura e explorar isso como ferramenta de negócio, aproveitando as oportunidades, contornando as ameaças com criatividade e inovação, potencializando os pontos fortes e diminuindo os riscos que podemos correr com os pontos fracos. Como citou um leitor deste mesmo artigo de que ainda estamos na maternidade (a ovinocultura) mas o potencial de crescimento que temos ainda, siceramente não vejo em nenhuma outra atividade potencial igual ao da ovinocultura.

Jonas Rodrigues

Dourado - Mato Grosso do Sul - Trader
postado em 10/07/2010

Olá caras autoras do artigo. Primeiramente parabéns pelo sucesso do artigo. Com certeza o artigo traz algo que não encontramos em nenhum lugar, pois a análise SWOT talvez nunca tenha sido utilizada para a ovinocultura. Esse estudo é muito valioso e merece a atenção dos pesquisadores da área. Um abraço e continuem nessa linha, estão de parabéns.

roger pagel soares

Tupanciretã - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão rural
postado em 20/07/2010

Parabéns pelo artigo. Acredito que uma das saídas para a ovinocultura é a associação dos produtores rurais-ovinocultores-e para que possam ter a atividade com uma escala mínima de produção para que a indústria, preferencialmente cooperativa, possa trabalhar com garantias de fornecimento constantes aos consumidores. No Rio Grande do Sul existem experencias desse tipo como Cordeiro Herval Premium, porém devemos ter o cuidado de não ter uma tendência de fazer um produto de excelente qualidade e beneficiar somente o setor de abate e distribuição, não participando de todo o processo, entregando muitas vezes a parte mais lucrativa para terceiros.

Marina A. Camargo Danés

Lavras - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
postado em 17/09/2010

Parabéns meninas, o artigo ficou muito bom!! Continuem assim. Um abraço, Marina.

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