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A ovinocultura brasileira e o Paraná

Por paulo afonso schwab
postado em 25/05/2010

6 comentários
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Exercer a presidência da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos, a ARCO, exige a minha presença em muitas feiras, eventos, seminários. Com isto viajo bastante pelo Brasil o que me possibilita hoje, depois de analisar um pouco o cenário como um todo, dizer que finalmente, a ovinocultura despertou do seu sono mais profundo, depois de muitos anos vivendo em letargia. Digo isto porque em vários momentos fui abordado por criadores, políticos, técnicos de governo, com o único fim de conversar sobre o tema ovinocultura.

Também pude observar o crescente movimento, em vários estados, de criadores buscando organizarem a cadeia produtiva para implantarem um projeto de produção de carne ovina. As vezes, em vôo solo, as vezes junto com outros produtores. Também os espaços na imprensa especializada cresceram e as empresas produtoras de insumos estão investindo no setor. Para somar, vemos governos criando setores ou Câmaras Setoriais para debaterem o assunto. Isto tudo acaba confirmando este sentimento positivo de que o agronegócio ovino está se encaminhando para uma nova realidade, para um novo patamar.

Segundo dados do IBGE o rebanho ovino brasileiro está em torno de 16 milhões. É um volume pequeno diante de todo o potencial que tem no país, mas é um rebanho que possui uma carga genética exportável, principalmente para países de clima tropical. Um dado que é interessante ressaltar é que diferente de pelo menos 10 anos atrás, hoje o setor ovino já pode falar que possui quatro vértices de negócios: a lã, a carne, a pele e o leite. Alguns mais estruturados como a lã e a carne, outros ainda carecendo de formação da cadeia produtiva. Mas os produtores são organizados no processo e devem chegar lá muito em breve.

O Rio Grande do Sul ainda lidera em volume de animais seguido da Bahia. Talvez não seja demais lembrar que foi o Rio Grande do Sul que no passado, melhor estruturou a atividade, principalmente porque estava focado na produção de lã, enquanto outros estados tinham rebanhos para consumo e alguma produção de carne e pele. Mas neste momento em que estamos muito próximos de iniciar uma nova edição da Feira Nacional Rotativa de Ovinos, a Fenovinos, que pela primeira vez acontece fora do Rio Grande do Sul, eu penso que seja importante dar um certo destaque para um estado que vem, ano a ano, organizando muito bem a sua produção ovina; o Paraná. Ele já é um dos principais produtores de grãos e de aves do país e pelo modo como trabalha, muito em breve também vai ser destaque nacional em ovinocultura. Por esta razão, foi muito justa a decisão dos associados em apoiar o pleito da cidade de Ponta Grossa/PR, para sediar esta Fenovinos que inicia no próximo dia 25 de maio.

O Paraná, segundo dados da Associação Paranaense de Criadores de Ovinos, Ovinopar, possui um rebanho estimado entre 550 a 600 mil cabeças (4,12% do rebanho nacional) conduzido por cerca de 9.700 produtores em aproximadamente 17.200 propriedades. Cerca de 94% dos criadores de ovinos são proprietários. Ile de France e Texel estão entre as raças mais utilizadas pelos criadores paranaenses, não obstante a Dorper e White Dorper e também a Poll Dorset tenham mostrado um significativo crescimento, mais recentemente. O maior interesse deles reside na exploração de cordeiros para abate e os maiores rebanhos estão situados nas microrregiões de Guarapuava, Curitiba (explicado pelo aumento da demanda nos grandes centros urbanos) e Ponta Grossa. Existem atualmente 10 plantas de abate de ovinos com inspeção SIF no estado.

Sobre o Paraná é importante mostrar também a sua maneira diferenciada de organização. Atualmente as oito cooperativas de produtores estão tornando a ovinocultura paranaense cada vez mais competitiva. Por outro lado, o agronegócio de ovinos assume caráter cada vez mais profissional e intensivo, visando a redução dos custos através da compra de insumos mais baratos, da padronização dos rebanhos e dos abates, além da negociação direta com o mercado consumidor (restaurantes e hotéis principalmente). Acredito que olhar para exemplos como este que estão acontecendo no Paraná, é ter uma oportunidade de aprender como se organiza uma cadeia produtiva ou pelo menos a produção de carne ovina. Por isto acredito que esta próxima Fenovinos tem tudo para ser um importante palco de discussões sobre o setor.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

paulo afonso schwab    Cachoeira do Sul - Rio Grande do Sul

Produção de ovinos

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Comentários

Nei Antonio Kukla

União da Vitória - Paraná - Consultoria/extensão rural
postado em 25/05/2010

Realmente a Ovinocultura vem ganhando destaque não só pelo surgimento de entidades como associações, núcleos, como também pela cresente demanda pela carne ovina, puxando consigo o crescente profissionalismo que vem entrando nas Estâncias afora. Esta última característica, sem dúvida é consequência do aumento pela procura do produto. As formas de organizações, independente do que forem a sua formalização, contribuem significativamente para a pujança positiva do setor, mas sem questionamentos, o cooperativismo é uma ótima maneira de unir produtores em prol de objetivos comuns, prova disso é o sucesso que a ovinocultura paranaense vem alcançando como detalhado nesta matéria, onde existem no Estado várias cooperativas do setor. Ainda, a diversidade com as receitas com carne ovina estão mostrando a sua qualidade e o sabor finíssimo mesclado com outros aromas, dentre os quais já pude provar o X-Ovino, em Guarapuava/PR e recentemente o Pastel de Carneiro (o correto seria Pastel Ovino) na Casa dos Pastéis em Joinville/SC.
Tudo isso, aliado ao esforço de criadores e técnicos, e vamos falar a verdade, o belo serviço que este portal Farmpoint presta com informações tem levado o Agronegócio da Ovinocultura a patamares brilhantes.

Alexxxx

Alto do Amparo - Paraná - Distribuição de alimentos (carnes, lácteos, café)
postado em 26/05/2010

Parabenizo o presidente Paulo Afonso pelo artigo de grande importância, mostrando o que realmente está acontecendo com a ovinocultura paranaense.
No município de Toledo-PR, há um Programa de Expansão da Ovinocultura do Município, em que serão atendidos 58 produtores rurais, onde serão fornecidos 1.160 matrizes comerciais e 58 reprodutores PO divididos igualmente entre eles que irá fornecer uma renda a mais para o produtor rural ajudando na diversificação de atividades na propriedade. A carne dos cordeiros abatidos por volta de 4 a 5 meses, irão complementar o cardápio dos 5 Restaurantes Populares do município e também a merenda escolar das escolas municipais e no caso das fêmeas nascidas, o objetivo é que o produtor aumente o número de suas matrizes sempre respeitando a taxa de lotação. Como contrapartida, durante 8 anos o produtor irá devolver as 20 fêmeas, onde essas também serão repassadas aos novos produtores que estarão entrando no Programa. Bem caros leitores, tudo isso será muito bem monitorado através dos índices zootécnicos e todos os produtores seguirão os manejos conforme orientação da Coordenação do Programa, organizado pelo médico veterinário da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento do Município de Toledo, Alexandre E. Garcia. Neste Programa, serão atendidos produtores que ja estão na atividade e produtores que nunca trabalharam com ovinos. Para que ocorra o rendimento esperado, ja estão acontecendo cursos, palestras, dias de campo, treinamentos, para que o produtor se tecnifique e obtenha o lucro esperado e também estimule outros produtores a entrar na atividade. Os cordeiros serão abatidos no Frigorífico Municipal ESPECIALIZADO em OVINOS e CAPRINOS, construido com verbas municipais, estaduais e federais.
E o que mais chama a atenção é que o preço da refeição nos Restaurantes Populares é de R$ 1,50 ( um real e cinquenta centavos ) onde a população poderá comer carne de cordeiro de qualidade por um preço acessível. Também acontecerá rastreamento de toda a carne dos animais abatidos no frigorífico, onde o consumidor final poderá ler no rótulo da embalagem, qual o tipo do corte, de onde vem aquela carne que ele irá consumir, qual produtor que criou, onde se localiza a propriedade, qual é a raça do animal que ele esta consumido, com que idade que o animal foi abatido e assim por diante. Lembrando sempre que temos parcerias, através de sindicatos rurais, sociedade rural, universidades e órgão públicos ligados ao setor.
Eu comparo a nossa ovinocultura nos dias de hoje como a suinocultura há 30 ou 40 anos atrás. Mercado temos, produtores interessados temos, mas é preciso começar com união e profissionalismo, para que todos os envolvidos na atividade obtenham êxito, e assim, a ovinocultura começe a somar no PIB agropecuário municipal, e mantenha Toledo-PR líder no PIB Agropecuário do Paraná como ocorreu em 2009.

Gilmar Ricardo Bender

Quatro Barras - Paraná - Produção de ovinos
postado em 31/05/2010

Parabéns ao município de Toledo!
Primeiro lugar no PIB agropecuário do país, também não fica atrás na questão da ovinocultura.
Parabéns a um senhor chamado José Carlos Schiavinatto, que não por acaso é prefeito deste município.
Parabéns ao Sr. Dilceu Sperafico, e outros tantos que estão levando a bandeira da ovinocultura adiante, apesar de todas as dificuldades.
Seremos cobaias de uma cadeia produtiva da qual talvez nossos filhos irão usufruir plenamente, e como disse o Alexandre: A cadeia da suinocultura da qual nossos pais foram protagonistas, levou 40 anos para se consolidar, eu acredito que a ovinocultura, com toda a pujança dos administradores, e vontade dos criadores, levará sómente 1/4 deste tempo para fazer o mesmo.
Parabéns ao mestre Paulo Schwab, que na sua visão apurada sobre o negócio, também põe fé no Paraná.
Parabéns aos abnegados criadores que com o suor de seus rostos e a vontade de vencer herdada de seus antepassados, estão semeando mais um segmento produtivo na produção primária deste chão generoso!!!

Cezar Amin Pasqualin

Curitiba - Paraná - Consultoria/extensão rural
postado em 02/06/2010

Como parte integrante e como um dos responsaveis pela Estruturação das Cadeias Produtivas dos Ovinos e Caprinos no Estado do Paraná , respondendo no Instituto EMATER do Paraná pelo trabalho a campo, recebo em nome do segmento organizado, leia-se associações e cooperativas de criadores de ovinos e caprinos, como um elogio e desafio o texto acima publicado pelo Dr. Paulo Schwab.
Elogio pois a caminhada por parte de todos as pessoas e entidades envolvidas no negócio da ovinocaprinocultura tem sido muito árdua e ao mesmo tempo compensadora, pois os resultados começam a aparecer. Desafios, pois partindo de um elogio vindo de uma das maiores autoridades credenciadas do setor Dr. Paulo, dirigida ao setor Paranaense, reveste a todos nós de dupla responsabilidade; a de fazer crescer de maneira estruturada a atividade no nosso Estado e compartilhar experiências com todos os demais segmentos organizados no Brasil.
Nossos agradecimentos
Cezar Amin Pasqualin
Médico Veterinário
Cadeias Produtivas
Instituto EMATER do Paraná

Quirino de Freitas

Fernandópolis - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 08/06/2010

Parabéns ao Estado do Paraná! Este já é um grande e considerável produtor de aves e suínos e vem mostrando potencial para também ser um grande produtor de ovinos.

MARCOS V. LENZI

Santarém - Pará - Produção de leite
postado em 15/06/2010

Parabéns aos criadores de ovinos deste país que mesmo sem incentivos e sempre ameaçados pela carne do Uruguai com preços que tiram nossa margem de lucro, mesmo assim não se entregam. Paulo Afonso Schwab continue na luta liderando esses bravos soldados do agronegócio brasileiro.

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