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Fernando Miranda: "O MS tem condições de ter escala de produção"

postado em 21/05/2010

3 comentários
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No último dia 19, o FarmPoint esteve presente no III Simpósio de Ovinocultura realizado em Dourados/MS durante a 46º Expoagro. O evento foi organizado pela Universidade Federal da Grande Dourados, Câmara Setorial de Ovinocaprinocultura, Secretaria do Estado de Desenvolvimento Agrário, de Produção, do Comércio e do Turismo - SEPROTUR, Sindicato Rural de Dourados, Embrapa Agropecuária Oeste, Associação dos Criadores de Ovinos da Grande Dourados (ASCOGRAN), com o apoio do Sebrae.

O evento é continuidade do projeto de Desenvolvimento da Ovinocultura no Mato Grosso do Sul e a sua realização veio como resposta à real necessidade de qualificação dos agentes envolvidos na ovinocultura.

O simpósio teve como temas principais a comercialização e os custos na produção de ovinos e propôs o desenvolvimento, a organização e a consolidação da ovinocultura no Mato Grosso do Sul como agronegócio, criando uma oportunidade de produção e renda.

O simpósio teve em média 500 inscrições e ao longo do dia, foram ministradas 7 palestras por profissionais renomados na área de ovinocultura, como o o professor Fernando Miranda de Vargas Júnior e a professora Alda Lúcia Gomes Monteiro, além dos seguintes profissionais: o pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, Fernando Alvarenga Reis; o representante do Frigorífico Marfrig, engenheiro agrônomo Fernando Gottardi; o consultor da OCBMS (Organização das Cooperativas Brasileiras), Saulo Oliveira Meneguite; o representante da ovinocultura regional do Mato Grosso, Paulo de Tarso dos Santos Martins e Elton Bock Corrêa, inspetor da ARCO (Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos) no Mato Grosso do Sul.

No evento, a alta expectativa em relação à criação de ovinos no Centro-Oeste brasileiro foi destacada, além da necessidade de encontrar uma solução para a viabilidade do sistema de produção, prioritariamente econômica.

Fernando Alvarenga Reis, pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, iniciou o ciclo de palestras falando sobre o mercado mundial de carnes e a inserção da carne ovina neste mercado. "O consumo de carnes crescerá nos países emergentes, os desenvolvidos provavelmente apresentarão modestos crescimentos. A China vem investindo muito na África. Provavelmente o país está fazendo esses investimentos com intuito de cobrar em troca a produção de alimentos. Acredito que dentre outros produtos, a carne ovina será bastante consumida pelos chineses."

Em seguida, o professor da Universidade Federal da Grande Dourados, Fernando Miranda de Vargas Júnior, falou sobre a proposta de um PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional) para a cadeia da ovinocultura no Mato Grosso do Sul que baseia-se inicialmente em 15 itens:

- padrão de produção (determinação de um sistema produtivo);
- remuneração diferenciada;
- programas de capacitação continuada;
- centro de referências;
- melhoramento genético;
- criação de um fundo financeiro;
- fiscalização;
- fomento a pesquisa, ciência e tecnologias ao desenvolvimento regional;
- aumento de consumo;
- práticas associativas;
- divulgação das ações da câmara setorial;
- medidas tributárias e isenções fiscais;
- implantação de um centro de comercialização de ovinos (integração e associação de produtores);
- crédito rural;
- agregação de valor aos produtos da ovinocultura.

Fernando disse que o estado tem condições de ter escala de produção, porém ainda falta qualidade. "O perfil da ovinocultura no Mato Grosso do Sul se caracteriza pela presença de animais lanados, pequenas propriedades e pequenos rebanhos, mão de obra familiar, conhecimento técnico ruim e abate não fiscalizado". Além disso, frisou a importância do associativismo entre os produtores como forma de alavancar a ovinocultura no estado.

Elton Bock Corrêa, inspetor da ARCO (Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos) no Mato Grosso do Sul, também citou a falta de qualidade e destacou que os produtores devem ter escala de produção. "Apesar dos consumidores sul-mato-grossenses apreciarem muito a carne ovina, ainda importamos carne de descarte do Uruguai, precisamos inverter isso, podemos abastecer esse mercado."

De acordo com ele, as dificuldades e a visão de futuro da atividade são:

Dificuldade dos produtores: comercialização, valor, grupos desestruturados, desconhecimento do mercado local e regional.

Dificuldade dos frigoríficos: baixa qualidade dos produtos, irregularidade na oferta, concorrência (informalidade e Uruguai), dificuldade para posicionar o produto e agregar valor.

Dificuldade dos consumidores: desconhecimento da carne ovina, dificuldade em encontrar o produto, difícil preparação de pratos e receitas, experiências negativas e o desconhecimento dos consumidores sobre os benefícios da carne ovina.

Visão de futuro: oferta de peles para a indústria, demanda por especialidades, alimentos nutracêuticos, produtos orgânicos e certificação.

O associativismo foi um dos principais temas discutidos no simpósio. O cenário da ovinocultura necessita de organização, eficiência, aumento de escala e representação setorial, fatores que podem ser geridos por associações e cooperativas. Neste sentido, Saulo Oliveira Meneguite, o consultor da OCBMS (Organização das Cooperativas Brasileiras), ministrou uma palestra sobre o papel do cooperado e da cooperativa. "O conceito de cooperativa é a extensão da atividade econômica individual de cada associado no mercado. Os elementos essenciais na definição de uma cooperativa são: sociedade de pessoas e não de capital, autogestão, propriedade comum e dupla natureza (econômica e social). Os pilares da cooperativa são: união, compromisso, responsabilidade, credibilidade, participação e o principal, educação."

Fernando Gottardi, representante do Frigorífico Marfrig e engenheiro agrônomo, destacou em sua palestra as principais finalidades da classificação dos animais, que são: formação de lotes uniformes, direcionamento de cada tipo de carcaça para mercados específicos e características desejadas estabelecidas pelos mercado consumidor. "Hoje no Marfrig o abate de animais a partir de 4 dentes já é considerado descarte. O confinamento de cordeiros do Marfrig facilita o fechamento de lotes para transporte, melhora o padrão e a qualidade das carcaças e abastece a escala frigorífica. O cordeiro brasileiro é muito melhor que o do Uruguai, quando produzido com qualidade", comenta ele.

No evento, foi discutido a ausência de bases para que a atividade se consolide com profissionalismo e competitividade, pois faltam estatísticas , informações zootécnicas e de mercado. Nessa linha, Paulo de Tarso dos Santos Martins, representante da ovinocultura regional do Mato Grosso, falou sobre a importância do cuidado com os dados fornecidos e a necessidade de detectarmos erros e falhas nestas informações. Também falou sobre o mercado ovino no Centro-Oeste, destacando que é uma atividade recente e que a produção de ovinos e caprinos ainda necessita do respaldo do governo.

Alda Lúcia Gomes Monteiro, professora da Universidade Federal do Paraná, enfatizou a importância da análise de custos dentro de um sistema produtivo. "Devemos colher e manter as informações (inventário e índice), conhecer as informações e saber como organizar os dados de forma a possibilitar a análise dessas informações", disse Alda. A professora da Universidade Federal do Paraná, destrinchou para o público os custos de produção dos sistemas de terminação realizados no Laboratório de Produção e Pesquisa (LAPOC) da UFPR.

Aguarde a publicação das entrevistas em vídeo realizadas nesse evento.

Equipe FarmPoint

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Comentários

Kelly Louveira

Bragança Paulista - São Paulo - Distribuição de alimentos (carnes, lácteos, café)
postado em 21/05/2010

Parabéns aos organizadores deste maravilhoso evento. Realmente acredito que a pecuária tenderá a se consolidar cada vez mais no Centro-Oeste devido a elevada produção de grãos e a possibilidade de criações a pasto.

Pedro Alberto Carneiro Mendes

Fortaleza - Ceará - Consultoria/extensão rural
postado em 22/05/2010

Fernando

Muitos têm se decepcionado com essa escala de produção, porque levam em conta apenas o rebanho existente, sem levar em conta a sua distribuição entre
os produtores. As vezes a média de animais por produtor é tão pequena que não permite essa organização pretendida da escala de produção. Na minha experiencia esse é o maior entrave.

Henrico Dinapolli

Santa Maria - Rio Grande do Sul - Produção de ovinos
postado em 22/05/2010

Meus amigos... essa é a tendência da pecuária, cada vez mais migrar para o CO brasileiro ... o MS tem grandes chances de se tornar um grande produtor de ovinos. Pelo que eu viu no resumo do evento, o consumo do estado é considerável, então, mercado existe . . . Sem contar que o MS está do lado de SP, grande estado consumidor.

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