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Especialista comenta a ovinocultura da NZ e do BR

postado em 07/01/2009

6 comentários
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O zootecnista Bruno Fernandes Sales Santos, de Botucatu, São Paulo, enviou uma carta ao FarmPoint complementando o comentário do leitor Paulo Roberto de Toledo Piza sobre o artigo "NZ: preços de cordeiros aumentaram em 33%". O especialista fala dos diferenciais da Nova Zelândia e do atual momento da atividade no Brasil. Confira:

"Há tempos não escrevo no FarmPoint, porém acredito que este assunto deve ser comentado. Nosso trabalho vem sendo realizado com um intuito principal e objetivo único, produzir cordeiros de abate de qualidade e economicamente viáveis.

Trabalho para uma empresa Neozelandesa e estive há pouco neste país por sete meses desenvolvendo soluções tecnológicas para os sistemas de produção local, o que está intimamente ligado ao melhoramento genético. E por que MG?

Esta é uma das ferramentas mais importantes quando temos por objetivo identificar os animais mais adaptados à uma determinada condição. Na NZ os animais são mantidos 100% a pasto por alguns motivos 1- Custo; 2- Qualidade das pastagens (trevos, azevéns mais de 50 espécies, aveia e outros); 3- Seleção genética para este tipo de sistema de produção; 4- Cultura Ovina! Dentre diversos outros. A condição é muito favorável e o trabalho foi feito para que este sistema seja produtivo e eficiente.

O Brasil passa por um momento peculiar na atividade, a demanda está aí, importação abastecendo nosso mercado, carne de baixa qualidade sendo vendida por cordeiro (conforme o autor do cometário ressalta muito bem), falta total de profissionalismo, não existe meta ou objetivo e tão pouco plano delineado. Nosso modelo de animal produtivo e de genética superior é o da exposição e do leilão, e este é o nosso maior engano. Na NZ os animais puros ou registrados que lideram os rankings do SIL/ACE são criados em condições semelhantes ou piores do que as dos animais de produção de cordeiros de abate, e ainda assim produzem mais!

Pensemos bem a respeito de tudo isso, pois temos muitas realidades diferentes no Brasil, acredito que no Sul do Paraná, SC e RS sim temos total condição de fazer algo muito semelhante ao que é feito na NZ. Sudeste e Centro-Oeste, devemos avaliar cada situação produtiva e avaliar friamente se não vale à pena alimentarmos cordeiros em confinamento muio bem planejado (com alto desempenho e raças especializadas para carne) e livrarmos as áreas de pastagem para as matrizes (que em minha modesta opinião devem estar sempre no pasto, o ano inteiro e para isto devemos ter o planejamento alimentar do rebano em mãos).

Nordeste devemos pensar em um sistema sustentável e que respeite as condições do meio ambiente e a expectativa do mercado consumidor com relação à qualidade. Norte, devemos pensar seriamente em um sistema de produção que respeite as condições de alta umidade e temperaturas e buscar sempre a sustentabilidade! SEJAMOS PROFISSIONAIS E NÂO BRINQUEMOS DE CRIAR OVELHAS DE BELEZA!!

Está na hora de realmente alavancar a atividade, pois o mercado está aí e nossos vizinhos têm aproveitado muito bem, levando milhões de reais todos os anos para seus países, e nós produtores de ovinos olhando tudo passar em nossa porta sem termos retorno de nossa atividade. O que devemos aprender com os Kiwis, é sermos eficientes e produtivos!"


Mariana Paganoti - Equipe FarmPoint

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Comentários

Daniel de Araújo Souza

Fortaleza - Ceará - Consultoria e ensino
postado em 07/01/2009

Excelente abordagem!

Abraços,

Daniel

Enio Rogério Cardoso Fagundes

Alegrete - Rio Grande do Sul - Estudante
postado em 09/01/2009

Comentario de alta qualidade, só poderia ser de uma pessoa que é ligada e realmente gosta do setor.

Suponho que as pessoas ligadas ao setor sabem que estas palavras são mesmo verdadeiras, há muitas pessoas que se aventuram somente vizando lucros rápidos, e isso acaba encarecendo os custo pra quem quer colocar qualidade no seu produto e gerando alta sazionalidade no mercado, ficamos sem ter como planejar investimentos futuros e fidelizar o mercado consumidor.

Saudações,

Marco Aurélio de Lima Vidotti

Presidente Prudente - São Paulo - Produção de ovinos
postado em 11/01/2009

Bruno, parabens pelo seu artigo, acredito 100% no seu modo de ver a atividade, com muito profissionalismo, seriedade, qualidade dos nossos produtos e 100% de pés no chão, só assim seremos grandes produtores de ovinos e respeitados no mercado interno e externo. Continue escrevendo artigos como este.

Nei Antonio Kukla

Porto União - Santa Catarina - Consultoria/extensão rural
postado em 14/01/2009

Não há dúvidas que devemos adotar o modelo de produção de borregos à pasto, com diferentes espécies forrageiras adaptadas a cada região do país.

A nossa eficiência e profissionalismo na atividade deve ser constantemente aprimorada, pois somente desta forma é que poderemos atender está crescente demanda por carne ovina de qualidade que hoje é importada.

Caio Alves da Costa

Jaboatão dos Guararapes - Pernambuco - Pesquisa/ensino
postado em 19/01/2009

Colega Bruno, realmente você tem razão quando fala onde são encontrados os modelos de animais produtivos e de genética superior.

E é exatamente isso que está acontecendo aqui no Pará onde os produtores (em sua maioria novos no ramo) investem apenas no animal "elite" para exposições e leilões, esquecendo totalmente nos animais de produção de carne (ou leite) para abastecer o mercado local.

Recentemente estive com um gruno de franceses na propriedade que dou assistência técnica e constatei em nossa conversa que lá na França (assim com na Nova Zelândia como foi citado) a o sistema de produção é bem diferente, de baixo custo e gera lucro ao produtor.

O que está faltando aqui no Brasil é conscientização dos produtores em relação ao abastecimento de carne de caprinos e ovinos de qualidade no mercado interno e acabar com essa mania de querer lucrar em cima de marketing de exposições e leilões onde somente os grandes produtores têm acesso.

Obrigado e saudações zootécnicas a todos.

Guilherme A. Tessaro

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - OUTRA
postado em 21/01/2009

Parabens pelo seu artigo. Sou estudante e produtor de ovinos no RS e vinha acompanhando seus artigos quando estavas na NZ.

Atualmente estou morando na Nova Zelandia, e vim com este foco em ovinos.

O avanco da atividade aqui é algo fascinante, ficando claro a falta de profissionalismo no Brasil!

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