Sincorte: estratégias para incrementar a produção de cordeiros na região Sul

postado em 27/10/2011

 

O levantamento feito pela professora da Universidade Federal do Paraná, Alda Lúcia Gomes Monteiro, sobre problemas e soluções para a produção de cordeiros na região Sul, apontou o uso limitado de tecnologias e a falta proteção ao produtor. "Ele não é avesso à tecnologia, mas falta incentivo", acredita Alda.

Em palestra durante o 5º Sincorte, a professora apresentou as principais características da atividade nos três estados da região, destacando que no Rio Grande do Sul há grande potencial para produção a pasto, mas o uso de tecnologias é limitado. "A população ovina é muito grande, mas existe uma fragilidade da cadeia produtiva, principalmente no que se refere à dificuldade de fluxo. É uma cadeia frágil porque existe grande perda de cordeiros e isso gera baixa escala de produção". Tema recorrente em quase todas as falas do Sincorte até o momento, a carência de políticas públicas efetivas para o setor, que deem respostas e que possam ser medidas, também foi citada pela professora Alda.

No Paraná a atividade apresenta algumas diferenças, como um rebanho menor, com 600 mil animais, criações em áreas menores pela vocação agrícola do estado, maior taxa de lotação e maior intensificação da produção. Há uma maior utilização de tecnologias relativas à nutrição e ao manejo reprodutivo. Os grandes problemas apontados foram a falta de fiscalização à concorrência clandestina e elevada carga tributária.

Após 2000, um programa implementado pelo governo daquele estado gerou incentivo à organização de produtores em cooperativas e notável melhoria no desenvolvimento organizacional. As cinco cooperativas existentes hoje comercializam 11 mil animais por ano. "As metas são aumentar o número de matrizes, melhorar procedimentos de abate, ofertar cortes padronizados, maior variedade de produtos e conseguir uma distribuição mais regular, uma vez que existe muita demanda e pouco produto para entregar", afirma Alda.

Santa Catarina possui o menor rebanho, destinado a leite, com produção intensiva e uso de mão de obra familiar para produção de queijos.

As soluções apontadas pelos entrevistados na pesquisa da professora foram a organização dos produtores (46, 15%); treinamento e capacitação (30,7%) e ações governamentais de fiscalização e controle (19,15%).

Para incrementar a produção dentro das propriedades, os aspectos mais citados foram a necessidade de trabalhar sistemas alimentares para ovelhas e cordeiros, intensificar cuidados com neonatos e incentivar a prolificidade. De acordo com Alda Monteiro, já houve grandes avanços na ovinocultura do Sul do Brasil e devem permanecer no mercado as propriedades com controle e planejamento de suas atividades.

As informações são da Embrapa Caprinos e Ovinos, adaptadas pela Equipe FarmPoint.

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