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SP: profissionalização e expansão da ovinocultura

postado em 28/04/2010

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A ovinocultura de São Paulo está passando por mudanças profundas. Com a retirada de aventureiros e "investidores" que buscavam lucro rápido e fácil, o setor passa por um processo de profissionalização. Ao mesmo tempo em que estabelecem as bases de um rebanho puro consolidado, os criadores também percebem a existência de nichos especiais para a carne ovina, não só para abastecimento de restaurantes finos, como também para a rede de varejo (ou supermercados).

A maioria dos criadores trabalha com animais comerciais, sem registro, como atividade secundária de haras, granjas leiteiras, de suínos e aves, pois já contava com instalações adequadas para estes animais. A maioria dos ovinocultores não vive da atividade, são agropecuaristas, comerciantes, industriais e profissionais liberais que adquiriram sítios e fazendas com os lucros de sua profissão.

O rebanho puro está mais concentrado em torno da capital, enquanto os rebanhos comerciais estão a oeste, rumo ao Mato Grosso do Sul. Devido aos tamanhos dos rebanhos e à falta de maior organização, a maioria comercializa seus produtos no mercado informal, já que frigoríficos e abatedouros organizados exigem cargas fechadas e programadas.

O diagnóstico da atividade foi realizado pela Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica para o Agronegócio (RIPA). O levantamento, realizado durante oito meses em parceria com a Embrapa Pecuária Sudeste e Sindicato Rural de São Carlos, envolveu consultores do Sebrae, professores e pesquisadores da USP, apresentando pontos fortes e fracos, oportunidades e estratégicas relacionadas para a produção de carne ovina, aplicada aos produtores da região de São Carlos.

Vantagens:

Com base na pesquisa, o documento apontou 5 forças, 21 fraquezas, 6 ameaças e 24 oportunidades para os ovinocultores. A partir desse resultado, foram estabelecidas oito estratégias relacionadas para os rebanhos de São Carlos e região. Foram recomendadas:

- a especialização da mão-de-obra, por meio de capacitação e treinamento, para trabalhar com ovelhas incluindo a agricultura familiar;

- a participação em cursos de manejo sanitário, pastagens e arraçoamento;

- oferecimento de atrativos para os trabalhadores rurais, como a profissionalização da gestão da exploração do rebanho;

- a utilização da raça Santa Inês como base para as estratégias de seleção e cruzamento.

Em 2005 a Câmara Setorial de Ovinos e Caprinos implantou uma rede de assistência técnica e difusão de tecnologia comandada pela Associação Paulista de Criadores de Ovinos (Aspaco). Em apenas três anos foram criados mecanismos de estímulo, como:

- Linha de crédito de R$ 100 mil, com juros de 3% ao ano;

- Indicador de Preço do Cordeiro Paulista (elaborado pela USP);

- Implementação dos núcleos de criadores.

O rebanho paulista reúne 11.000 produtores que criam cerca de 700.000 cabeças.

O presidente da Aspaco, Arnaldo dos Santos Vieira Filho é o atual presidente da Câmara Setorial e aposta que a unificação de esforços é o único caminho para alavancar o setor. Para isso, promove reuniões interiorizadas, como ocorreu em outubro, durante a Expovelha, em Lençóis Paulista. Esta também é a tese defendida pelo técnico da ARCO, Francisco Fernandes, que presidiu a Aspaco durante 17 anos.

A tese da entidade é de que os ovinos podem ocupar áreas marginais da cultura da cana-de-açúcar, de lavouras de pequeno ou grande porte, além de se aliar perfeitamente à pecuária de corte e leite, uma vez que utiliza instalações já existentes em muitas propriedades. A fragmentação incessante da propriedade rural, neste caso, favorece os ovinos. "Em pequenas áreas de 30 a 40 hectares, é possível manter e desenvolver rebanhos de 300 a 400 fêmeas em produção", resume Fernandes.

Assistência e tecnologia:

Outra frente de profissionalização é do governo paulista, que programou investimentos de R$ 830 mil na geração e transferência de tecnologias e material genético de caprinos e ovinos do polo APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) Sudoeste, em Itapetininga (SP). As metas do projeto envolvem apoiar o desenvolvimento da ovinocaprinocultura familiar em bases técnico-científicas, proporcionando a geração de emprego e renda na atividade. Do dinheiro aplicado, R$ 400 mil serão disponibilizados ainda em 2009, para a reforma das instalações do polo de Itapetininga, e R$ 430 mil serão investidos em novos laboratórios, aquisição de matrizes de ovinos e caprinos e em um centro de capacitação de agricultores.

Para o técnico Francisco Fernandes, a tecnologia disponível permite desenvolver a ovinocultura sustentável e lucrativa em várias condições de criação no Estado. "Hoje há crédito disponível, mais e mais técnicos estão sendo treinados e preparados pela ARCO, Aspaco, Senar e Sebrae", justifica. Segundo ele, a Aspaco está em vias de firmar convênios com a CATI-Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, equivalente à Emater em outros Estados. Com isso, outros 14 técnicos da CATI prontos para trabalhar com ovinos vão entrar no circuito.

No front tecnológico, há outras iniciativas da Unidade Pecuária Sudeste, da Embrapa, em São Carlos. O pesquisador Rui Machado, revela que a unidade está envolvida em várias frentes de trabalho científico. Um dos primeiros a apresentar resultados é o Projeto Terminação, que avaliou animais SRD cruzados com Suffolk, Dorper e Santa Inês. O objetivo foi a manutenção da matriz a campo, encaminhando o cordeiro já desmamado para confinamento.

O primeiro aspecto identificado é que a diferença de peso entre os três grupos de animais 1/2 sangue, ao final do confinamento, não foi muito expressivo. Enquanto os cruza Dorper ganharam 310 g/dia, os cruza Suffolk atingiram 250 g/dia e os Santa Inês 225 g/dia. Igualmente as carcaças ficaram entre 18,2 kg e 17,6 kg. A maior precocidade foi dos animais cruza Dorper, com 130 dias. O cruza Santa Inês foi o mais tardio e de carne mais magra, o que, para Rui Machado, é um nicho a ser melhor desenvolvido para a raça. "Sabemos que um abatedouro está adquirindo com preferência animais cruza Santa Inês, visando atender mercados que buscam a carne magra", observa.

Além de linhas que envolvem o controle reprodutivo - já em andamento, a unidade está estudando um projeto de pesquisa que pode contribuir para a fixação dos ovinos no Sudeste e Centro-Oeste. "Nos próximos 20 anos, vamos desenvolver um ovino composto, utilizando raças carniceiras, como Ile-de-France, Texel, Santa Inês, Suffolk e Dorper. Pretendemos chegar a 31 genótipos diferentes, identificando um deles para a produção de carne de qualidade. Vamos fixar genes destas várias raças, selecionando vantagens como eficiência reprodutiva, precocidade, ganho de peso, resistência a vermes, envolvendo várias unidades da Embrapa no país" - revela Rui Machado.

Cordeiro Prime VPJ e Marfrig

Uma das ações de ponta no segmento de carne ovina está sendo comandada pela VPJ Pecuária. Além da criação própria, trabalha com outros ovinocultores fornecendo, inclusive, melhoramento genético aos rebanhos e assessoria técnica. Esta é uma garantia de que os animais tenham uma genética semelhante, fazendo o produto ter um mesmo padrão de qualidade. No programa Cordeiro Prime da VPJ, os animais são abatidos aos 4 meses de idade, com peso médio de carcaça de 18 kg, a 48% de rendimento, com garantia de maciez e suculência da carne.

A VPJ realiza o abate em frigoríficos arrendados, sendo as carcaças encaminhadas à sede da empresa, em Pirassununga, onde a carne é selecionada, dividida em porções, embalada a vácuo e etiquetada, sob o crivo da Inspeção Federal.

Ao inaugurar sua primeira unidade de abates de cordeiros em Promissão, com capacidade inicial para abate e processamento de 1.000 animais/dia, o Marfrig também ingressou forte no setor, prometendo atender o mercado do Sudeste. Atualmente, o Marfrig ainda importa carne de cordeiro congelada processada na Argentina e Uruguai.

O diretor de marketing da empresa, Sérgio Mobaier, diz que agora o Marfrig também vai fornecer o produto resfriado, já produzido no país. Os investimentos da empresa, que está em expansão em todo país (acaba de adquirir o Frigorífico Mercosul, no RS), prometem ser pesados e passam pela padronização de carcaças e cortes. O coordenador do Projeto Cordeiros do Marfrig, Fernando Gottardi, explica que até mesmo a importação de outras genéticas e raças está nos planos da empresa. Além dos incentivos financeiros para adesão ao projeto, os produtores deverão utilizar genéticas recomendadas e indicadas, inclusive de raças compostas.

A reportagem é da Associação Paulista de Criadores de Ovinos (Aspaco), resumida e adaptada pela Equipe FarmPoint.

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